Há pouco mais de três semanas, a rotina da auxiliar administrativa Priscila Dal Bello mudou completamente. Moradora de Santa Bárbara, na Região Central de Minas Gerais, ela procura pelo gato Vittorio, desaparecido desde o dia 17 de junho, após escapar da caixa de transporte em frente a um pet shop localizado na Rua Pernambuco, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.

A tutora já voltou diversas vezes à capital para distribuir cartazes, conversar com moradores e tentar localizar o animal. No caminho, além de falsas pistas, enfrentou uma tentativa de golpe aplicada por pessoas que se aproveitaram da angústia de quem procura um animal de estimação.

Vittorio desapareceu quando Priscila levava seus quatro gatos para atendimento veterinário em BH. Segundo ela, a viagem até a capital era necessária porque o município onde mora não dispõe de estrutura especializada para felinos.

A fuga aconteceu em questão de segundos. Assim que desceu do carro, carregando duas caixas de transporte, o gato conseguiu deixar a própria caixa e correu em direção à rua. "Ele fugiu da caixinha enquanto eu o levava ao veterinário. Foi tudo muito rápido."

Priscila relembra que estava acompanhada do namorado e que os dois dividiam o transporte dos quatro animais.

"Eu estava segurando duas caixinhas com os bichinhos e meu namorado estava segurando as outras duas. Na hora, o Vittorio simplesmente evaporou. Foi tão rápido que eu só vi uma mancha cinza correndo."

Segundo ela, o gato desaparecido sempre foi o mais inquieto entre os quatro felinos.

Vittorio desapareceu quando Priscila levava seus quatro gatos para atendimento veterinário em BH

Foto/Arquivo Pessoal

"Tenho mais três gatos, todos só vivem dentro de casa. Naquele momento eu estava com todos eles na ida ao veterinário, e o Vittorio, o mais espoleta, acabou escapando."

Como os animais nunca tiveram acesso à rua, a tutora afirma que não sabia como agir diante da situação.

"Ninguém sabia o que fazer. Um rapaz foi com meu namorado procurar no quarteirão. Outra moça foi atrás de filmagens dos prédios vizinhos. Mas a reação geral era perguntar o que eu faria agora. E eu não sabia, porque meus gatos nunca tiveram acesso à rua."

Buscas continuam

Desde o desaparecimento, Priscila já retornou pelo menos três vezes a Belo Horizonte exclusivamente para procurar o gato. Ela percorreu ruas do entorno do estabelecimento, distribuiu cartazes e conversou com moradores e pessoas em situação de rua na esperança de conseguir alguma informação.

Apesar da mobilização, nenhuma informação concreta sobre seu paradeiro foi feita até agora. Segundo a tutora, as mensagens recebidas até o momento se resumem a relatos de pessoas que confundem o gato com outros felinos de pelagem semelhante.

"Os gatos tigrados são muito parecidos. Muitas pessoas entram em contato dizendo que encontraram um gato parecido. Mas ele tem uma marca da castração, um pequeno corte na orelha, que permite identificá-lo."

Priscila acredita que o animal ainda esteja solto. "Eu acredito que ele não esteja com ninguém porque ele é extremamente arisco. Não é um gato agressivo, mas dificilmente deixaria alguém se aproximar."

Tentativa de golpe

Além da preocupação com o desaparecimento, a auxiliar administrativa também precisou lidar com criminosos que tentaram obter dinheiro utilizando falsas informações sobre o paradeiro do gato.

Ela conta que recebeu uma mensagem de um número desconhecido, de outro estado, perguntando se era a pessoa que procurava o animal. Em seguida, recebeu uma fotografia enviada em modo de visualização única mostrando um gato muito parecido com o seu.

Embora tenha percebido diferenças - o animal da imagem usava uma coleira antipulgas, acessório que Vittorio nunca utilizou por viver exclusivamente dentro de casa. O desespero fez com que a tutora considerasse a possibilidade de ser realmente o seu gato.

Ela conta que recebeu uma mensagem de um número desconhecido, de outro estado, perguntando se era a pessoa que procurava o animal

Foto/Arquivo Pessoal

Pouco depois, o interlocutor passou a negociar o pagamento da recompensa anunciada pela tutora.

"Eu falei que pagaria, mas somente quando estivesse com o meu bichinho em mãos. A pessoa insistiu para que eu fizesse um Pix antecipado."

Segundo a moça, o golpista ainda tentou usar o vínculo afetivo que ela demonstrou para pressioná-la. "Eu disse que meus gatos eram tudo o que eu tinha. A pessoa respondeu que, se eu realmente amasse o meu gatinho, teria que pagar metade do dinheiro antes e metade depois."

Foi nesse momento que ela percebeu que se tratava de uma fraude. "Ali eu tive certeza de que essa pessoa não estava com o meu gato. É uma maldade muito grande. Parece um sequestro. Como se dissessem: 'se você realmente quer seu gato, paga agora, senão nunca mais vai vê-lo'."

Priscila bloqueou o contato e, posteriormente, descobriu que esse tipo de abordagem é comum entre pessoas que divulgam desaparecimento de animais nas redes sociais. "Em contato com grupos que ajudam gratuitamente a localizar animais, descobri que esse é um golpe recorrente. Eu tive sorte de sofrer apenas uma tentativa."

Esperança permanece

Mesmo após semanas sem notícias, a dona afirma que não perdeu a esperança de reencontrar o bichinho. O gato vive com ela há oito anos e não saía de dentro de casa.

Enquanto as buscas continuam ela também faz um alerta para que outras famílias não caiam em golpes semelhantes: "O importante é nunca fazer qualquer pagamento antes de ter certeza de que o animal realmente foi encontrado e está em segurança."

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Contato

Pistas e informações sobre o paradeiro de Vittorio podem ser enviadas pelo número de telefone +55 (31) 99571-0121

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