Três caminhoneiros morrem em acidentes na BR 251 em intervalo de dois dias
Batida entre duas carretadas provocou duas mortes na noite de segunda-feira; no domingo (12/7) um caminhoneiro perdeu a vida em acidente com três veículos
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Dois motoristas morreram em uma batida frontal entre duas carretas na BR 251, km 298, próximo a Salinas, no Norte de Minas, na noite de segunda-feira (13/7). Foi a terceira morte de caminhoneiros na rodovia em dois graves acidentes em um intervalo de dois dias.
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Na manhã de domingo (12/7), o motorista Carlos Eduardo da Silva, de 26 anos, perdeu a vida em um acidente envolvendo três veículos de cargas, ocorrido no km 474, na serra de Francisco Sá, no trecho mais letal da estrada.
Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Corpo de Bombeiros, Carlos Eduardo descia a serra, no sentido Salinas/Francisco Sá, conduzindo um caminhão com uma carga de camarão e perdeu o controle do veículo, que invadiu a contramão e colidiu lateralmente com uma carreta carregada de adubo.
Na sequência, o caminhão atingiu uma segunda carreta, que subia a serra transportando bicarbonato. Os veículos com as cargas de camarão e bicarbonato foram incendiados. O motorista do caminhão ficou preso às ferragens e morreu carbonizado. Os condutores das duas carretas conseguiram escapar.
Horas antes da tragédia que provocou sua morte, Carlos Eduardo, conhecido por “Dudu”, gravou e divulgou um vídeo, mostrando imagens da rodovia no Norte de Minas. A filmagem viralizou nas redes sociais. A divulgação de vídeos de transportadores, alertando sobre os riscos da BR 251 também foram divulgados na internet.
Nesta terça-feira (14/7), o corpo de Dudu foi velado e sepultado no município de Passagem (RN), onde a morte do caminhoneiro causou forte comoção.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, as duas carretas que bateram de frente na BR 251 na noite de segunda-feira (13/7) estavam com as carrocerias vazias. Os dois motoristas, que não tiveram as idades informadas, viajavam sozinhos e morreram no local. Os corpos deles ficaram presos às ferragens e tiveram que ser resgatados pelos militares.
A perícia da Polícia Civil de Taiobeiras esteve no local para fazer os primeiros levantamentos sobre as causas do acidente, que serão investigadas.
Palco de constantes tragédias
Apelidada de "rodovia do medo", a BR-251, que liga Montes Claros a BR 116/Rio-Bahia, num percurso de 350 quilômetros, tem sido palco de ocorrências graves nos últimos meses. Em 24 de maio de 2026, uma colisão frontal entre um ônibus e um caminhão em Santa Cruz de Salinas provocou um incêndio de grandes proporções, deixando oito mortos e nove feridos.
Apenas em 2026, entre janeiro e maio, a PRF registrou 90 sinistros, 36 mortes e 176 feridos na BR-251. No km 474, especificamente, foram dois sinistros, com cinco óbitos e 41 feridos. O ano de 2025 registrou seis sinistros, com três mortes e 11 feridos, sendo duas colisões com objetos, dois tombamentos, uma saída de pista e uma colisão traseira.
Em 2025, foram três sinistros por velocidade incompatível, uma por reação tardia ou ineficiente do condutor, um devido a problema com o freio e outro por avarias ou desgaste excessivo no pneu.
Concessão
A estrada foi concedida à iniciativa privada, em processo que envolveu 734,9 quilômetros de rodovias da chamada Rota das Gerais, que inclui 394,9 km da BR-116 (Rio-Bahia), no percurso entre Governador Valadares e a divisa com a Bahia, cortando os vales do Rio Doce e do Jequitinhonha, e 340km da BR-251, entre Montes Claros e a BR-116, no Norte do estado.
O contrato foi assinado em 2 de junho, com a Ecovias das Gerais, do grupo Ecovias, que venceu o leilão em 31 de março.
A operação do novo trecho pela concessionária, entretanto, só começa em novembro, e o pedágio deve passar a ser cobrado a partir de 1º de dezembro. Está prevista a instalação de cinco praças de pedágio eletrônico na BR-116 e de outros quatro pontos de cobrança na BR-251, em sistema free flow. Antes, porém, a empresa terá que pôr em curso melhorias no pavimento e na sinalização, segunda as normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Recursos e esperança
O edital da concessão prevê investimentos da ordem de R$ 13,1 bilhões nos dois trechos ao longo de 30 anos, sendo R$ 7,3 bilhões em obras e R$ 5,8 bilhões destinados à operação e manutenção do sistema rodoviário. Cerca de 70% dos investimentos deverão ser feitos nos primeiros dez anos do contrato.
A assinatura do contrato foi comemorada no Norte de Minas, onde a concessão da BR-251 para a iniciativa privada é vista como a esperança para viabilizar as intervenções necessárias para pôr fim às tragédias na estrada.
A rodovia é uma das mais movimentadas do estado, servindo como um “corredor” do transporte de cargas do Sul/Sudeste para o Norte/Nordeste brasileiro.
Ao longo de décadas, diante das constantes ocorrências de acidentes na BR-251, lideranças e entidades de classe do Norte de Minas reivindicam intervenções para amenizar as tragédias na rodovia, pleiteando a duplicação da estrada.
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O contrato prevê 42,3 quilômetros de duplicações – 12,5% do percurso total concedido – entre o terceiro e o oitavo ano da concessão, em quatro trechos da estrada, sendo um deles a perigosa Serra de Francisco Sá. Também está prevista a implantação de 136 quilômetros de faixas adicionais entre o quarto e o 10º ano da concessão, em trechos críticos nos municípios de Salinas, Grão Mogol e Francisco Sá. (Com informações de Mateus Parreiras).