EXPANSÃO

BH: rede pública de saúde é destaque no país

Capital mineira consolida um modelo que hoje atende milhões de pessoas – inclusive além de suas fronteiras

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Uma imagem resume o debate sobre saúde pública no Brasil – e, quase sempre, mostra corredores de hospitais lotados, macas ocupadas, filas para consultas, pacientes aguardando atendimento. É um retrato conhecido, repetido há décadas, que ajuda a explicar grande parte das discussões sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), focadas quase sempre na falta de leitos, escassez de médicos e na demora para realizar exames.

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Relatórios e estatísticas da prefeitura municipal e de órgãos ligados à área da saúde sinalizam que Belo Horizonte está optando por percorrer outros caminhos. De fato, sem abrir mão da expansão da capacidade hospitalar, a capital mineira passou a reorganizar sua rede pública de saúde a partir de uma lógica diferente: fortalecer a atenção primária, integrar serviços especializados, ampliar o uso da tecnologia, modernizar equipamentos e estruturar uma rede capaz de acompanhar o cidadão ao longo de toda a sua jornada de cuidado.


Os números mostram o acerto da estratégia: no primeiro quadrimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, Belo Horizonte registrou crescimento de 27,5% nos atendimentos realizados nos Centros de Saúde; as atividades coletivas aumentaram 28,1%; as cirurgias de urgência, eletivas e ambulatoriais cresceram 7%. E mais: os atendimentos nas UPAs avançaram 4,2%. Até mesmo as desospitalizações (altas) – quando pacientes deixam o ambiente hospitalar para continuar o tratamento de forma segura em outros níveis de assistência – cresceram 14%. A análise de especialistas conclui: isoladamente, cada indicador representa um avanço; juntos, revelam que toda a rede está crescendo.


A cidade que escolheu cuidar diferente

Cuidar diferente – essa, com certeza, é a principal característica do modelo adotado por Belo Horizonte para a área da saúde. Em vez de concentrar esforços apenas na resposta à doença instalada, a cidade passou a investir na organização de um sistema integrado, em que cada equipamento desempenha uma função complementar. Neste modelo, o Centro de Saúde deixa de ser apenas a porta de entrada do SUS e passa a coordenar o cuidado; as UPAs absorvem as urgências e os hospitais concentram os procedimentos de maior complexidade. A tecnologia conecta todas essas etapas – e o cidadão deixa de percorrer uma sequência desarticulada de atendimentos e passa a ser acompanhado por uma rede.


Investimentos garantidos e crescentes

Este ano, para viabilizar o desenvolvimento do novo modelo na área da saúde, a Lei Orçamentária destinou R$ 7,441 bilhões para a Secretaria Municipal de Saúde e mais R$ 567 milhões para o Hospital Metropolitano Odilon Behrens, totalizando mais de R$ 8 bilhões, o que representa um aumento de 7% sobre o orçamento anterior, mantendo uma trajetória contínua de expansão registrada desde 2023. Na prática, mais do que ampliar recursos, Belo Horizonte consolida uma prioridade política: enquanto a Constituição exige aplicação mínima de 15% das receitas de impostos em ações e serviços públicos de saúde, a capital investe sistematicamente acima desse percentual. Em 2025, por exemplo, destinou 23,23% para o setor.

No sistema de saúde integrado, as UPAs absorvem as urgências, com aumento de 4,2% nos atendimentos em toda a cidade de janeiro a abril
No sistema de saúde integrado, as UPAs absorvem as urgências, com aumento de 4,2% nos atendimentos em toda a cidade de janeiro a abril Leandro Couri/EM/D.A Press

São números que ganham ainda mais relevância quando comparados aos de outras capitais brasileiras. O investimento previsto por habitante em Belo Horizonte alcança aproximadamente R$ 3.412, valor superior aos registrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza e Salvador.


Atenção primária: onde a saúde de fato começa

Na verdade, os resultados alcançados refletem o porte dos investimentos e o acerto da estratégia adotada, contemplando como prioridade a atenção primária. Nos últimos anos, Belo Horizonte promoveu um amplo programa de requalificação dos Centros de Saúde. Sessenta e duas novas sedes já foram entregues, beneficiando cerca de 900 mil moradores. Outras unidades seguem em construção e reformas importantes também avançam em três UPAs da cidade. A mudança vai muito além da melhoria física dos prédios – espaços mais modernos significam mais conforto para os pacientes, melhores condições de trabalho para as equipes, maior capacidade de atendimento, ambientes mais acolhedores e maior resolutividade das unidades.

E é justamente nos bairros que começa a maior parte das histórias de sucesso da rede municipal: um idoso que controla a hipertensão antes que ela cause um AVC; uma gestante acompanhada durante todo o pré-natal; uma criança vacinada no tempo certo; um diabético monitorado regularmente; um paciente com tuberculose acompanhado por farmacêuticos especializados. São atendimentos primários e preventivos que evitam milhares de internações e reduzem a pressão sobre os hospitais.


Hospitais, por sua vez, também mudam

O Complexo Hospitalar Odilon Behrens alcançou nos últimos dois meses – maio e junho – as maiores taxas de atendimento dos últimos dois anos, com mais de 2 mil cirurgias realizadas. Também implantou a hemodiálise em enfermarias, liberando leitos de terapia intensiva para pacientes críticos e aumentando a eficiência do atendimento. Para isso, contou com 70,74% dos recursos municipais para o seu orçamento anual, enquanto os recursos federais e estaduais somaram 29,26%.


No Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, outro importante avanço marcou a evolução da rede: a primeira captação de córneas realizada de forma totalmente autônoma, ampliando a capacidade da cidade para transplantes e reduzindo o tempo de espera de pacientes.

Centros de Saúde de BH elevaram o número de atendimentos em 27,5% no primeiro quadrimestre de 2026 em relação a igual período do ano passado
Centros de Saúde de BH elevaram o número de atendimentos em 27,5% no primeiro quadrimestre de 2026 em relação a igual período do ano passado Leandro Couri/EM/D.A Press

Incorporação de inovação e tecnologia

Também chama atenção na estratégia municipal a incorporação da tecnologia como ferramenta cotidiana de assistência. Enquanto muitos sistemas públicos ainda tratam a inovação como projeto piloto, Belo Horizonte já a utiliza para ampliar o acesso dos pacientes e melhorar o atendimento. As teleconsultas tiveram seus horários expandidos para funcionar das 7h às 20h e já realizaram mais de 25 mil atendimentos apenas em 2026. Os canais digitais da prefeitura receberam mais de 12 mil solicitações relacionadas à saúde em apenas três meses. O cuidado farmacêutico especializado tornou-se referência nacional. E a cidade passou a integrar um projeto pioneiro do Ministério da Saúde para monitorar os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde da população por meio do Centro de Informação em Saúde e Clima.


Rede ultrapassa as fronteiras da capital

Um dado, em especial revela a força, a importância e a qualidade da rede municipal de saúde de Belo Horizonte: 45% das internações realizadas na saúde pública da capital mineira são destinados a pessoas que não moram na cidade – ou seja, moram em outros municípios da região metropolitana e até em regiões mais distantes. No entanto, os recursos municipais representam 41,7% do orçamento anual da Secretaria Municipal de Saúde e os recursos estaduais apenas 11,6%. Os 45,4% restantes são de recursos federais.


Os números mostram, na realidade, que a capital mineira não cuida apenas de seus 2,3 milhões de habitantes, funcionando, portanto, como referência para dezenas de municípios mineiros, recebendo pacientes encaminhados em busca de consultas especializadas, cirurgias, exames e tratamentos que muitas cidades não conseguem oferecer. É uma contribuição importante para a saúde pública estadual.
E Belo Horizonte vai continuar investindo na ampliação da capacidade instalada da sua área de saúde. A adesão ao programa federal Agora Tem Especialistas permitirá aumentar a oferta de consultas, exames e procedimentos voltados à saúde da mulher. Paralelamente, a cidade seguirá fortalecendo campanhas de vacinação, ampliando postos extras, abrindo Centros de Saúde aos sábados e facilitando o acesso da população aos imunizantes. Na campanha contra a gripe, liderou a cobertura vacinal entre as capitais do Sudeste e ficou entre os melhores desempenhos do país.

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Ampliação de serviços que se transforma em cuidado

As análises realizadas por especialistas indicam que nenhuma das iniciativas que compõem o modelo de saúde adotado por Belo Horizonte funcionaria isoladamente – o que diferencia Belo Horizonte é justamente a articulação entre elas: a vacinação reduz doenças; a atenção básica acompanha pacientes; a tecnologia aproxima os serviços; os hospitais absorvem casos complexos; os investimentos garantem a sustentabilidade e a gestão organiza a rede. O resultado aparece nos indicadores, mas, sobretudo, na experiência cotidiana de quem utiliza o SUS.

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