Diarista suspeita de matar idosos tem pedido de prisão domiciliar negado
Defesa também pediu segredo de Justiça para o processo e a expedição de ofícios de unidades de saúde onde a suspeita recebeu atendimentos anteriores
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A Justiça de Minas Gerais negou o pedido de prisão domiciliar formulado pela defesa da diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, suspeita de cometer duplo latrocínio contra o casal de idosos, Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Na mesma decisão, proferida nesta sexta-feira (3/7), durante audiência de custódia, a juíza Juliana Beretta Kirche Ferreira Pinto converteu a prisão em flagrante da investigada em prisão preventiva, mantendo-a detida no sistema prisional.
Na audiência de custódia, a defesa constituída solicitou segredo de justiça para o processo, a concessão de prisão domiciliar pelo fato da investigada ser mãe de uma criança menor de seis anos, e a expedição de ofícios de unidades de saúde onde ela recebeu atendimentos anteriores. Todos os pedidos foram negados pela juíza, que manteve o andamento em regime de publicidade ampla e homologou o flagrante sob a modalidade de flagrante impróprio, justificando que as diligências policiais foram contínuas e ininterruptas desde a descoberta dos corpos.
Ao analisar especificamente o pedido de prisão domiciliar com base na maternidade, a magistrada aplicou as normas do artigo 318-A, inciso I, do Código de Processo Penal. A legislação brasileira proíbe a concessão do benefício para mulheres que cometem crimes com o emprego de violência ou grave ameaça. A juíza pontuou que a gravidade concreta da conduta e o modus operandi - que envolveu dopar um casal de idosos vulneráveis e desferir 24 facadas dentro do apartamento deles - demonstram uma periculosidade incompatível com o convívio social.
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Já a tese de inimputabilidade por suposto "surto" ou doença mental foi rejeitada porque laudos laboratoriais toxicológicos da urina e do sangue de Paola indicaram a ausência de qualquer medicamento psiquiátrico ou entorpecente em seu organismo, como benzodiazepínicos, antidepressivos ou drogas ilícitas, que pudessem comprovar o uso de remédios.
A juíza explicou que um eventual incidente de insanidade mental poderá ser avaliado no tempo correto e pelo juízo competente, mediante perícia médica oficial, e que pedidos médicos fogem à alçada da audiência de custódia. Com a conversão para a prisão preventiva, Paola permanecerá recolhida em estabelecimento prisional, onde foi determinada a coleta de seu perfil genético por se tratar de crime hediondo ( infração penal de extrema gravidade).
A reportagem solicitou um posicionamento ao advogado de defesa, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
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Crime
O caso ocorreu no início desta semana. Maria Clotilde e Cláudio Atal Inacio foram encontrados mortos pelo filho, Felipe, após horas de tentativas frustradas de contato telefônico. Conforme as investigações preliminares da Polícia Civil e da perícia técnica, não havia sinais de arrombamento no imóvel, visto que o acesso dependia de senha no elevador ou da liberação direta dos moradores. Paola trabalhava como diarista no local, após indicação de um primo das vítimas.
Também consta na decisão que laudos toxicológicos comprovaram que Paola ministrou uma alta dose do medicamento nas vítimas para dopá-las. Com as vítimas indefesas, a diarista utilizou uma faca de caça para desferir 24 golpes contra o casal. Maria Clotilde foi assassinada na sala com cerca de sete facadas que atingiram sua garganta, queixo, tórax, pescoço e pelve. Já Cláudio foi atacado com aproximadamente 17 facadas distribuídas principalmente pelas costas, pescoço e abdômen. O número consta na decisão do TJMG desta sexta, embora na quarta (1/7) a polícia tenha corrigido e confirmado 40 golpes de faca no homem e 14 facadas na esposa.
Após o crime, a autora arrombou uma gaveta destinada ao armazenamento de semijoias e pegou os aparelhos celulares do casal — um iPhone 16 Pro Max e um iPhone 15 Pro Max. Câmeras de monitoramento do condomínio registraram que Paola entrou no prédio às 7h30, portando apenas uma bolsa, e saiu por volta das 15h30 utilizando roupas diferentes das que vestia ao chegar. Na saída, ela portava duas sacolas, uma das quais foi identificada pelo filho das vítimas como pertencente à sua mãe. A faca de caça usada nos assassinatos, os valores e as vestimentas com resquícios de sangue foram posteriormente apreendidos pelas equipes policiais.
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Histórico
Em depoimento à polícia, a tia de Paola, Nilza Maria Neto, com quem ela residia em Ribeirão das Neves, relatou que a sobrinha apresentava um comportamento normalmente tranquilo, embora demonstrasse instabilidade emocional. A tia revelou que a investigada havia iniciado um acompanhamento psiquiátrico junto ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Ribeirão das Neves, mas acredita que o tratamento não teve continuidade.
Nilza também relatou que, em momento anterior, Paola tinha dívidas expressivas com um agiota, que vinham sendo pagas com os recursos que obtinha das diárias e com empréstimos financeiros concedidos por parentes. No dia do crime, a acusada retornou para casa agindo com total normalidade e sem comentar nada a respeito do trabalho.
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Na manhã seguinte, Paola arrumou as malas e saiu de casa com o filho de seis anos, alegando aos parentes que faria uma viagem de passeio para o Espírito Santo pelo fato de a criança estar afastada da escola por motivos de saúde. Em vez disso, ela fugiu para o interior de Minas. Imagens de segurança mostraram que, logo após o crime, ela esteve no Centro de Belo Horizonte para vender parte dos objetos roubados, comprou um celular novo em uma loja do Magazine Luiza e descartou roupas sujas de sangue em uma caçamba de entulho entre as ruas Major Lopes e Passa Tempo - itens posteriormente localizados pela PCMG.
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A Polícia Civil localizou a suspeita na noite de 1º de julho, hospedada em um quarto de hotel em Itabira, na Região Central, onde foi presa em flagrante às 22h45. Os celulares roubados foram recuperados em Vespasiano, na Grande BH. Ao ser abordada, Paola confessou os assassinatos, alegando que estava em meio a um "surto psicótico".