'Minas da Fé' é criado para inventariar patrimônio religioso no estado
Parceria firmada entre a CNBB e o governo de Minas Gerais anuncia programa criado para estruturar política de cadastro das referências ligadas à fé popular
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Uma parceria firmada entre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Regional Leste 2 (CNBB Leste 2) e o governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) e do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), promete valorizar o patrimônio da fé no estado. O acordo deu origem ao programa "Minas da Fé", criado para estruturar uma política permanente de cadastro e inventário das referências culturais ligadas à religiosidade popular.
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O programa, anunciado nesta quinta-feira (2/7) durante evento na Casa de Retiros São José, no Bairro Dom Bosco, na Região Noroeste de Belo Horizonte, vai inventariar caminhos, lugares, ritos, celebrações devocionais, irmandades, confrarias, ex-votos e a cultura da promessa em todo o território estadual.
O objetivo é identificar bens materiais e imateriais, como paisagens culturais, celebrações, lugares de devoção, formas de expressão, saberes tradicionais e modos comunitários de organização da fé presentes em Minas Gerais.
De acordo com o governo do estado, o programa será estruturado em seis frentes de inventário: cruzeiros, cruzes de caminho e marcos devocionais da paisagem mineira; jubileus, romarias e celebrações devocionais; presépios, lapinhas e tradições do ciclo natalino popular; festas e devoções marianas; irmandades, confrarias e associações devocionais; e ex-votos, votos e cultura da promessa.
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"Nós avançamos na proteção de bens materiais, mas no âmbito da imaterialidade é premente a necessidade de conhecer a riqueza da diversidade desse patrimônio da fé em Minas Gerais", avalia o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira.
"O inventário é, primeiramente, um instrumento de pesquisa, de produção de conhecimento, mas ele é também um instrumento jurídico de proteção do patrimônio cultural. Então, conhecer esse patrimônio e reconhecer o valor desses objetos é um passo importantíssimo e imprescindível", destaca o promotor de Justiça e coordenador de patrimônio cultural do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Marcelo Mafra.
Edital "Imaginárias de Minas"
Durante o mesmo evento, foi anunciada outra ação voltada à preservação do patrimônio cultural religioso: o edital "Imaginárias de Minas", que será realizado pela Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop) no intuito de formar um banco de cadastro reserva de bens culturais móveis e acervos documentais de caráter histórico e religioso no estado.
Esses bens e acervos poderão ser utilizados, de forma gratuita, como material didático nas atividades práticas do curso técnico em conservação e restauro, voltado à formação de novos profissionais especializados nessa área. As inscrições são gratuitas e estarão abertas de 2 de julho a 16 de agosto de 2026, por meio do site da Faop.
O edital contempla esculturas sacras em madeira policromada, pinturas sobre cavalete, livros raros, manuscritos, mapas, gravuras e acervos documentais históricos localizados em Minas Gerais. Podem participar prefeituras, museus, arquivos públicos, bibliotecas, centros de memória, além de paróquias, igrejas, dioceses, irmandades e confrarias formalmente responsáveis pelos bens culturais.
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A partir da inscrição no cadastro, a Faop poderá selecionar, conforme critérios técnico-pedagógicos, os bens que poderão integrar as atividades formativas do curso. Todo o processo de conservação e restauro será realizado gratuitamente.