Um incêndio atingiu um casarão histórico na cidade de Dom Joaquim, na região Central de Minas Gerais, a cerca de 200 quilômetros de Belo Horizonte, na madrugada deste sábado (6/6), provocando comoção entre moradores. O imóvel, conhecido como Salão do Barriado, é considerado patrimônio cultural do município e teve parte de sua estrutura comprometida pelas chamas.

A Prefeitura de Dom Joaquim lamentou o ocorrido em nota oficial e informou que o casarão é inventariado pelo patrimônio cultural do município. A administração municipal afirmou ainda que acompanha a situação junto aos órgãos competentes e que o Conselho Municipal do Patrimônio Cultural convocou reunião extraordinária para a próxima segunda-feira (8/6), quando devem ser discutidas medidas a serem adotadas.

“A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo manifesta solidariedade aos proprietários, familiares, comerciantes, amigos e a toda a comunidade, reafirmando seu compromisso com a preservação e valorização do patrimônio cultural e histórico de Dom Joaquim”, diz o comunicado.

De acordo com o morador Claudiney Seixas, o fogo começou por volta das 2h da manhã. A suspeita inicial é de que o incêndio tenha sido provocado por um curto-circuito em uma das loja de material escolar instalada no térreo do imóvel. “Parece que foi um curto-circuito dentro de uma papelaria que tem ali, do lado de um bar. O Corpo de Bombeiros acha que pode ter sido isso, mas ainda não tem o laudo”, afirmou.

O casarão, com mais de 130 anos, abriga atualmente três estabelecimentos comerciais no piso inferior. Segundo Claudiney, o espaço já foi originalmente um único ponto de encontro da cidade. “Antigamente era um bar só, o Bar do Barriado. Depois que ele se aposentou, outras pessoas passaram a tocar o comércio. Com o tempo, o imóvel foi vendido pela família e dividido em três lojas: um bar, uma papelaria e outro comércio”, explicou.  
O incêndio reacendeu o debate sobre a preservação de imóveis históricos na cidade e mobilizou moradores, que destacaram a importância do espaço para a memória coletiva local. Em publicação nas redes sociais, Claudiney descreveu o sentimento de perda.
“Nós, dom-joaquinenses, amanhecemos mais tristes hoje. Tenho certeza de que Dom Joaquim está de luto. Recebi fotos e vídeos do Salão do Barriado pegando fogo. Para mim, é uma cena que dói na alma”, escreveu.

Ele conta que o salão foi palco de momentos marcantes para diferentes gerações. “Vivemos ali momentos inesquecíveis. Certamente, aconteceram ali fatos que marcaram a vida de muitos dom-joaquinenses. Quem sabe até casamentos surgiram dali, porque namoros, tenho certeza, muitos começaram naquele salão”, relatou.

O espaço também teve papel central na vida cultural da cidade ao longo das décadas. De acordo com o morador, o Salão do Barriado recebeu eventos diversos, como carnavais nas décadas de 1960, 1970 e 1980, apresentações musicais, desfiles de moda, reuniões políticas e até sessões de cinema. “Era um lugar que reunia histórias, encontros e tradições. O Salão do Barriado não pode ser demolido. O azul e branco do salão não podem virar cinzas”, afirmou.

A Prefeitura informou que permanece à disposição para colaborar com as providências necessárias. Disse ainda que estuda alternativas para viabilizar a recuperação do imóvel, e não descarta a busca por parcerias para a restauração. Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre as causas do incêndio.

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A expectativa é de que o laudo técnico do Corpo de Bombeiros esclareça as circunstâncias do ocorrido nos próximos dias. O caso reforça a preocupação com a conservação do patrimônio histórico em cidades do interior e levanta discussões sobre políticas de proteção e incentivo à recuperação de imóveis de valor cultural.

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