Venda Nova celebra 315 anos com feira, quadrilha e programação cultural
Região de Belo Horizonte tem uma história que vai além da capital; confira cronograma de comemorações no fim de semana
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Mais antiga do que a própria capital mineira, a Região de Venda Nova, em Belo Horizonte, celebra 315 anos neste sábado (13/6). Para festejar a data, o território receberá comemorações gratuitas entre esta sexta-feira (12/6) e domingo (14/6), com espetáculos, palestras, rodas de conversas, intervenções urbanas e o lançamento de uma mostra itinerante. A programação cultural integra o projeto “A velha Venda Nova – Temporada 2026”, da Cóccix Companhia Teatral.
Sinara Teles, integrante e atriz da Cóccix, afirmou que a Companhia busca, principalmente, visibilizar a arte produzida em Venda Nova. "Todos os fundadores e integrantes do grupo são moradores aqui da Regional [...] Venda Nova sempre foi o nosso palco, apesar de não estar no Centro (de BH), não ter um espaço físico denominado como teatro, isso nunca foi impedidor para que a gente pudesse propor ações”, disse.
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Programação dos eventos
Apresentado nos dias 12, 13 e 14 de junho, às 16h, o espetáculo “A velha Venda Nova” é um dos principais atrativos da comemoração. A entrada é gratuita e, para participar, basta retirar uma senha disponibilizada uma hora antes do início das sessões.
Já a mostra “Raízes: quintal de histórias” terá sua estreia neste sábado, data oficial do aniversário da região. A exibição reúne apresentações musicais, manifestações culturais, feira de artesanato e ações artísticas, em uma programação com nove horas de atividades.
“Os artistas se apresentam e se integram às histórias [...] a gente vai cruzando e entrecruzando essas mineridades, essas histórias”, diz a atriz.
A intenção é aproximar o público das tradições, dos artistas e das narrativas que cercam e marcam a identidade cultural da região. “A gente tem participações de artistas no meio do espetáculo, além dos personagens fixos, trazendo essa diversidade, essa ideia desse quintal mesmo, de histórias [...]”, completou Sinara.
Além disso, a comemoração também conta com brinquedos infláveis para crianças, shows sertanejos, um coletivo de carros antigos, festa junina e muito mais. A programação acontece no Centro de Vivência Agroecológica (Cevae-Serra Verde). A iniciativa do projeto é realizada com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.
“A gente faz o espetáculo no Cevae-Serra Verde, porque temos essa ideia de deslocar as pessoas para um território de Venda Nova [...] o espetáculo nasceu aqui, é berço do Cevae, que é um Centro de Vivência Agroecológica, tem uma horta comunitária, tem um quintal cheio de árvores e muitas outras coisas”, afirmou a integrante da Cóccix.
Mais do que apenas uma região: uma porção de história
Apesar de Belo Horizonte ter sido inaugurada em 1897, a trajetória da Região Venda Nova começou noutro tempo. Quase dois séculos antes, quando Minas Gerais vivia o ciclo do ouro e os exploradores passaram a criar pequenos vilarejos, e, por volta de 1711, a localidade servia como um ponto de parada e entreposto comercial para tropeiros e bandeirantes.
Com 42 bairros e cerca de 247.315 habitantes, segundo o Censo de 2024, o nome popular de Venda Nova surgiu devido a um estabelecimento comercial construído na época, na Estrada do Carretão, atual Rua Padre Pedro Pinto, uma “venda nova”. O comércio vendia de tudo, de arroz e toucinho a querosene, o que era raro no período, ganhando destaque.
“As pessoas começaram a falar ‘ah, vou ficar ali perto daquela venda nova’. Tinha muita água então os viajantes gostavam de parar, descansar com as mulas, comprando no estabelecimento que foi crescendo e se desenvolvendo ao longo dos anos”, declarou Sinara.
A região, apesar de ter sido um ponto de parada estratégico na rota do ouro, não tem o selo de Estrada Real, mas, ainda assim, foi palco de diversas histórias e tradições que se estendem até os dias atuais.
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Venda Nova nem sempre foi de Belo Horizonte. A região já pertenceu a Sabará, Santa Luzia e Ribeirão das Neves, cidades da Grande BH, antes de ser definitivamente anexada à capital em 1948. Ao longo do tempo, o território se desenvolveu de forma autônoma, criando uma espécie de cidade dentro de BH.
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*Estagiária sob supervisão da subeditora Regina Werneck