MISTÉRIO

Quem matou Alzira? Mistério cerca execução de influenciadora do café em MG

Mulher foi morta dentro de casa, na zona rural de Mutum. Áudio atribuído ao filho e rumores sobre não pagamento de sacas de café geram especulações na cidade

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A execução a tiros da influenciadora digital e produtora rural Alzira Maria Theodoro Luiz, de 43 anos, dentro de casa, na zona rural de Mutum, no Vale do Rio Doce, na manhã de domingo (8/6), intriga moradores da região. Sem prisões até o momento, a Polícia Civil mantém sigilo sobre as investigações.

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O crime aconteceu em um sítio na região do Córrego Mata Fria, onde ela morava sozinha. Conhecida na internet por compartilhar a rotina no campo, cultivo de café e negociações de propriedades rurais, ela acumulava seguidores no Instagram e no TikTok.

Segundo a Polícia Militar, testemunhas ouviram pelo menos três tiros por volta das 8h30. Levantamentos iniciais apontam que dois homens chegaram ao local em uma motocicleta Honda Bros vermelha.

Alzira estaria na varanda da residência quando os suspeitos começaram os disparos. Um dos tiros atingiu a parede da casa e outro acertou uma mesa. A mulher tentou correr para o interior do imóvel, mas foi perseguida e atingida na cabeça.

A perícia recolheu estojos de munição calibre 9 milímetros. Os autores fugiram e ainda não foram localizados.

Nas redes sociais, circulam diferentes versões sobre a possível motivação do crime, incluindo venda de sacas de café, cobrança de dívidas e disputas por propriedades rurais. Nenhuma das hipóteses foi confirmada oficialmente pela polícia.

Execução planejada?

A brutalidade do crime e a ausência de motivação oficial abriram espaço para especulações em Mutum, município de cerca de 26 mil habitantes.

Nos comentários das publicações sobre o caso nas redes sociais, moradores relatam que um áudio atribuído ao filho de Alzira chegou a circular por grupos após o assassinato. Segundo esses relatos, o jovem teria mencionado uma possível desavença envolvendo a comercialização de sacas de café.

Internautas dizem que a produtora rural teria vendido uma carga de café para um homem que não a pagou. Após cobranças e discussões, ela teria passado a perceber movimentações suspeitas e sinais de que estava sendo observada.

Segundo os relatos, o áudio teria sido apagado após orientação de autoridades para que informações relacionadas ao caso não fossem divulgadas enquanto as investigações estivessem em andamento.

O conteúdo, no entanto, não foi confirmado pela Polícia Civil.

 

Medo antes da morte

Semanas antes de ser assassinada, a influenciadora relatou episódios de preocupação com a própria segurança. Em um vídeo publicado nas redes sociais, contou ter sido acordada durante a madrugada por uma pessoa batendo na janela da casa onde vivia.

Na gravação, Alzira afirmou que acionou a polícia, reforçou medidas de segurança e instalou câmeras. Disse ainda que o filho sugeriu que ela deixasse a propriedade temporariamente, mas decidiu permanecer no local.

"Não tenho problema com ninguém, não faço mal para ninguém, não prejudico a vida de ninguém", afirmou na publicação.

As declarações ganharam repercussão após o crime e passaram a ser interpretadas por moradores como possível indicativo de intimidação.

Silêncio das autoridades

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o homicídio e informou apenas que as diligências continuam em andamento para identificar os responsáveis e esclarecer a motivação do crime.

A reportagem tentou contato com a delegacia responsável pela investigação para obter informações sobre possíveis linhas investigativas, suspeitos ou a veracidade dos rumores que circulam na cidade. No entanto, a corporação não se manifestou.

Cidade marcada por assassinos de aluguel

O assassinato também reacendeu discussões sobre um tema que há décadas faz parte do imaginário popular de Mutum e municípios vizinhos da região: relatos de crimes encomendados e disputas resolvidas por meio da violência.

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Embora não haja qualquer confirmação de que o caso de Alzira tenha relação com esse tipo de prática, a forma como o crime foi executado — com homens chegando de motocicleta, perseguindo a vítima e fugindo logo após os disparos — remete a casos anteriores.

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