NOSSA HISTÓRIA, NOSSO PATRIMÔNIO

Espaço de arte e memórias

Em processo de revitalização, sobrado em Caeté onde viveram dois governadores de Minas será reaberto em 22 de julho

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Dois governadores de Minas, pai e filho, viveram neste imponente casarão cercado de palmeiras e destaque na histórica cidade de Caeté. No fim do século 19, João Pinheiro (1860-1908), à frente do executivo – na época, chamado “presidente do estado” – adquiriu a propriedade e veio morar aqui com sua família. Em 1896, nasceu seu filho Israel Pinheiro, governador entre 1968 e 1971, e primeiro prefeito de Brasília (DF). Tanta história merece ser preservada e conhecida, e da antiga Vila Nova da Rainha do Caeté chegam agora boas notícias.

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Atualmente Museu Casa de João e Israel Pinheiro, o casarão passa por obras e, após 10 meses fechado, será reaberto ao público em 22 de julho. Administrado pela Fundação Israel Pinheiro (FIP), o equipamento cultural e educativo ganhou melhorias em sua infraestrutura e revitalização interna e externa para receber os visitantes.

Muro de pedras restaurado mostra antigo sistema de construção
Muro de pedras restaurado mostra antigo sistema de construção FIP/DIVULGAÇÃO

Quem for ao local poderá ver o acervo dos dois ex-governadores de Minas cedido pela família. Mobiliário, objetos, quadros, documentos e outras peças históricas estão sendo reorganizados pela equipe de gestão museológica da FIP, responsável pela salvaguarda do espaço pertencente ao governo de Minas.

Após a reabertura, o espaço antes conhecido por Solar do Tinoco, ganhará uma feira colaborativa. Produtores rurais, artesãos e quitandeiras locais poderão vender seus produtos gratuitamente. Um edital público foi aberto e uma banca definirá os contemplados com as vagas.

Tradição local, oficinas de cerâmica formam mão de obra
Tradição local, oficinas de cerâmica formam mão de obra FIP/DIVULGAÇÃO

BEM DA COMUNIDADE

O museu oferece oficinas de cerâmica gratuitas. João Pinheiro estabeleceu na cidade uma indústria cerâmica, que forneceu tijolos para a construção de Belo Horizonte. Para preservar a tradição, artesãos do município estão aprendendo a trabalhar com a argila de Caeté, formando peças variadas. Elas serão expostas no museu durante as solenidades de reabertura.

Outra novidade é que o muro externo da propriedade, localizada perto do Centro da cidade, foi restaurado de forma a exibir o formato de construção (pedra sobre pedra), mantendo sua forma original.

CAROL LACERDA/DIVULGAÇÃO

MÚSICA PARA REVERENCIAR...

O Coral Cidade dos Profetas, de Congonhas, está em turnê pelo interior mineiro, fazendo o sucesso de sempre. Na tarde de ontem, dentro da temporada de “Fé e festa”, o grupo encantou moradores do distrito de Santana do Paraopeba, em Belo Vale. Em 25 de agosto – e avisamos aqui com antecedência! –, haverá um concerto especial, “Tributo a Aleijadinho”, para reverenciar a memória do gênio do Barroco e patrono das artes no Brasil. Será às 20h, na Basílica Senhor Bom Jesus de Matosinhos, bem reconhecido como Patrimônio Mundial. Já em 4 de outubro, será a vez de “Música que eleva a alma”, na Matriz São Caetano, em Moeda. Desde os tempos coloniais, arte, devoção e celebração permeiam a história de Minas. Naqueles tempos, irmandades religiosas incentivavam composições voltadas às missas, novenas e festividades, e a produção artística deu origem a um acervo de obras que, atualmente, o Coral Cidade dos Profetas tem o compromisso de preservar e difundir.

...O MESTRE ALEIJADINHO

Especializado na interpretação de música sacra antiga e com quatro CDs gravados, o Coral Cidade dos Profetas desenvolve, desde 1988, o pioneiro trabalho de proteção deste patrimônio imaterial do país. Trata-se do único grupo musical dedicado exclusivamente a pesquisar, difundir, promover e democratizar a música antiga de Minas. Ao longo de sua trajetória, o Cidade dos Profetas tem participado de cerimônias da semana santa, festivais de inverno e encontros de corais nacionais e internacionais. Mantido pela Associação Cultural Canto Livre, o grupo oferece também, gratuitamente, formação musical para pessoas de 10 a 90 anos, sendo reconhecido como uma das mais belas manifestações culturais do interior de Minas. Há dois anos, foi lançado o coral infantil “Profetas do Amanhã”, sempre com formação gratuita e atividades de musicalização voltadas para a primeira infância.

GUSTAVO WERNECK/EM/D.A PRESS

PAREDE DA MEMÓRIA

“Os devotos do Divino vão abrir sua morada, pra bandeira do Menino ser bem-vinda, ser louvada”. Esses são versos da canção “Bandeira do Divino”, de Ivan Lins, e rementem a uma das celebrações católicas mais bonitas: a Festa do Divino. Tenho sempre na memória a melodia, a procissão com a bandeira, a distribuição do pãozinho bento na porta das igrejas, a subida do estandarte no mastro. Cinquenta dias após a Páscoa, no Dia de Pentecostes, que pode cair no fim de maio ou início de junho, tem início a programação. Em algumas localidades, a tradição de celebrar o Divino ultrapassa 250 anos de história, num costume que começou com os portugueses no período colonial. Conforme a explicação dos padres, as festas religiosas de Pentecostes representam a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e a Virgem Maria, reunidos no cenáculo em Jerusalém, narrada pelos evangelhos. Em muitas regiões mineiras, Pentecostes se celebra na Festa do Divino, Folia do Divino, Império do Divino e outras típicas manifestações de devoção popular. Viva a fé do povo!

JOSÉ VITARELLI/DIVULGAÇÃO


QUILOMBOLAS 1

Junho chega embalado com muitas atrações. Entre os dias 12 e 14, a comunidade quilombola de Boa Morte, em Belo Vale, será palco da primeira edição do Festival de Música Regional de Boa Morte. Realizado em comunidade quilombola, o evento inédito ocorrerá em território marcado pela presença e continuidade de tradições afro-brasileiras, com práticas culturais, religiosas e musicais que passam de geração a geração. Com entrada gratuita, o festival terá shows de artistas da cena regional, manifestações tradicionais como folia de reis, congado e rodas de viola, além de oficinas, gastronomia típica e produção artesanal, ampliando o diálogo entre cultura, memória e economia local. Instagram e Facebook: @festivaldemusicadeboamorte


QUILOMBOLAS 2

Os moradores da comunidade de Boa Morte são, em grande parte, descendentes de pessoas escravizadas que atuaram nas antigas fazendas locais, o que reforça a dimensão histórica e simbólica do território incrustada na Serra da Moeda. Um dos marcos locais está na Igreja Nossa Senhora da Boa Morte (foto), cuja origem remonta ao século 18. De acordo com registros do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), o templo teria sido fundado por volta de 1760, associado a expedições bandeirantes que atuaram na região. O Festival de Música Regional de Boa Morte tem patrocínio da Vale e MRS Logística, apoio da Prefeitura de Belo Vale e realização da Culturaê Produções, Ministério da Cultura e governo federal do Brasil, via Lei Rouanet.

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EXPOSIÇÃO EM MARIANA

Em cartaz no Porão-Galeria da Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras, as exposições “Ensaio sobre a liberdade” e “Híbridos”, do mineiro Brecio Brizzi, natural de São João do Oriente e residente em Ipatinga. Formado em arquitetura e com passagem pela Escola de Artes Visuais Parque Lage, do Rio de Janeiro, ele tem uma produção artística que une pintura e escultura, explorando técnicas como aquarela, acrílica e suportes mistos. A Casa de Cultura fica na Frei Durão, 84, no Centro de Mariana. Até 12 de agosto, com entrada gratuita.

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