Cidades de Minas Gerais foram alvo, nesta sexta-feira (29/5), de ofensiva da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra o braço financeiro do Comando Vermelho. A ação faz parte de mais uma fase da “Operação Contenção”, que investiga esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas e que teria movimentado mais de R$ 453 milhões.
Em Minas Gerais, os mandados foram cumpridos em Belo Horizonte, Contagem, na Grande BH, e em Pequi, no Centro-Oeste do estado. Ao todo, foram cumpridos três mandados em território mineiro. Na capital, um idoso, de 73 anos, teve a prisão domiciliar decretada durante a operação.
Além de municípios mineiros, os mandados também foram cumpridos no Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Maranhão. Até o momento, 21 pessoas foram presas.
Segundo a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), responsável pelas investigações, a organização criminosa utilizava empresas de fachada, contas bancárias e movimentações financeiras para ocultar recursos obtidos com o narcotráfico, principalmente no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
A investigação durou cerca de um ano e quatro meses e identificou uma estrutura interestadual voltada à ocultação e dissimulação de valores ilícitos.
As ordens judiciais de prisão, busca e apreensão e bloqueio patrimonial foram expedidas pela 1ª Vara Criminal Especializada em Combate ao Crime Organizado, após denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
De acordo com a Polícia Civil, Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, é apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho e principal operador financeiro da facção.
As investigações apontam que ele era responsável pelo gerenciamento de empresas de fachada, movimentações bancárias e utilização de terceiros para ocultar patrimônio e recursos provenientes do tráfico de drogas.
Ainda conforme a corporação, o esquema utilizava empresas do ramo de reciclagem e ferros-velhos para movimentar dinheiro ilegal. Os investigadores identificaram depósitos fracionados em espécie, emissão de notas fiscais falsas e transferências milionárias entre empresas ligadas ao grupo criminoso para dar aparência de legalidade aos recursos.
Durante a apuração, os policiais também encontraram indícios de receptação qualificada e áreas utilizadas para a queima clandestina de cabos de cobre, o que reforçou a suspeita de integração entre diferentes atividades ilícitas.
A Polícia Civil informou que os valores foram rastreados por meio de relatórios de inteligência financeira, análises bancárias e cruzamento de dados patrimoniais, além de quebras de sigilo autorizadas pela Justiça.
A ação contou com apoio de unidades especializadas da Polícia Civil e da Polícia Militar do Rio de Janeiro, incluindo equipes da Core e do Bope.
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Segundo a corporação, o objetivo da operação é desarticular a estrutura financeira que sustenta o tráfico de drogas e enfraquecer a capacidade econômica do Comando Vermelho.
