“Tem que ter fé, um dia vem.” A frase da cuidadora de idosos Fátima Maria, de 60 anos, resume o clima em uma lotérica da Avenida Getúlio Vargas, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, no fim da tarde desta sexta-feira (22/5). Entre apostas simples, bolões de amigos e sonhos milionários, clientes encaravam filas e faziam planos para o prêmio de R$ 300 milhões da Mega-Sena especial de 30 anos, que será sorteada neste domingo (24/5), às 11h.

A reportagem do Estado de Minas encontrou gente disposta a mudar completamente de vida, e também quem manteria os pés no chão mesmo diante de uma fortuna capaz de transformar gerações.

O arquiteto Pedro Bozzolla, de 53 anos, não esconde a ansiedade. “Estou com expectativa demais, penso nisso o tempo todo”, contou. Apostando em um bolão com cinco amigos, ele disse que já ganhou a quadra duas vezes. Caso leve os milhões, o plano é ambicioso: “Eu iria só viajar o mundo, até morrer. Começaria no Japão e voltaria só em 2065.” Entre uma aventura e outra, ele garante que ajudaria “só a ex-mulher”.

Já o subgerente Jucelino, de 36 anos, entrou em um bolão com três amigos e admite que nem consegue imaginar o tamanho da mudança. “Primeiro pagar as dívidas, depois aposentar e curtir com a família”, afirmou.

Enquanto alguns sonham com luxo e viagens internacionais, outros têm desejos muito mais simples. A aposentada Sebastiana Campos, de 82 anos, sequer fez aposta desta vez. Disse que tentou a sorte quando era mais nova, mas desistiu depois de nunca ganhar. Ainda assim, sabe exatamente o que faria com o dinheiro. “Ia comprar um barracão pra morar, uma máquina de lavar roupa, porque nem um tanquinho eu tenho. Ia comprar uma geladeira.”

Fátima Maria, por outro lado, segue firme nas apostas e na esperança. Além da Mega-Sena, ela também arriscou jogos em outras loterias. “Ajudaria os pobres e depois iria curtir”, contou, rindo. Apesar de nunca ter levado uma grande bolada, comemora os pequenos retornos: “Já ganhei R$ 5,70”. E garante que, mesmo milionária, continuaria trabalhando.

O empresário Raphael Cohen, de 44 anos, também entrou na onda do prêmio histórico, embora diga que raramente joga. Desta vez, fez um bolão e mais três apostas individuais. “Aproveitar que o prêmio tá grande”, explicou. Se vencer, pretende dividir o dinheiro entre prazer e cautela: “Ia viajar bastante, construir minha casa, investir um bocado e ajudar umas pessoas. Tem que investir, dinheiro pra gastar é fácil”. Apesar do entusiasmo, ele reconhece a dificuldade. “A gente sempre acha que vai ganhar, mas é difícil”.

E é mesmo. Segundo a Caixa Econômica Federal, a chance de acertar as seis dezenas com uma aposta simples de seis números, que custa R$ 6, é de uma em 50.063.860. As probabilidades aumentam para quem escolhe mais números, mas o preço também sobe. Uma aposta com 10 dezenas, por exemplo, custa R$ 1.260 e tem chance de uma em 238 mil.

O concurso especial da Mega-Sena de 30 anos tem uma regra diferente: o prêmio não acumula. Se ninguém acertar os seis números, o valor será dividido entre os ganhadores da quina. Caso não haja vencedores na quina, o dinheiro vai para quem fizer a quadra.

As apostas podem ser feitas até as 22h de sábado (24/5) nas casas lotéricas, pelo aplicativo Loterias Caixa, pelo portal oficial da Caixa ou pelo internet banking para clientes do banco. Já os bolões poderão ser registrados até as 10h de domingo, pouco antes do sorteio, marcado para as 11h, no Espaço da Sorte, em São Paulo.

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Até lá, entre contas para pagar, viagens imaginárias e sonhos de uma vida mais confortável, milhares de brasileiros seguem apostando na combinação mais improvável e mais desejada do país.

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