A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) abriu o processo de licitação para consultar o preço de 10.022 câmeras inteligentes que serão inseridas em diversas vias da capital. O projeto “Muralha BH” foi anunciado em outubro de 2025 e tem o intuito de melhorar a segurança na cidade, por meio do videomonitoramento – incluindo câmeras de reconhecimento facial. O valor do contrato ainda não foi divulgado, pois o Executivo municipal está no processo de registro de preços.
O fornecimento desses itens, além de serviços de manutenção e sustentação tecnológica, ocorrerá sob demanda, conforme as necessidades específicas da PBH. A licitação foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM), no último sábado (9/5), para consulta de valores pelo prazo de um ano, prorrogável por igual período, para contratação posterior de equipamentos para CFTV (Circuito Fechado de Televisão). Além das câmeras, serão adquiridos servidores de gravação, infraestrutura de conectividade e outros itens necessários à implantação, expansão e operação do projeto.
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Empresas interessadas devem enviar propostas até às 8h50 do dia 26 de maio, quando haverá uma sessão de disputa de preços. Em relação ao valor da licitação, que não foi divulgada, a PBH se baseou na Lei das Estatais e no Regulamento da Prodabel, para impedir que o valor máximo estimado pela Prefeitura sirva como um "piso" ou referência fixa para as propostas das empresas, incentivando maior competitividade e busca pelo menor preço real de mercado durante a fase de lances.
O contrato foi dividido em três lotes, e inclui desde infraestrutura física do Centro de Operações da Prefeitura até softwares de reconhecimento facial, leitura de placas e monitoramento ambiental. O lote 1 trata da estrutura do Centro de Operações da Prefeitura (COP-BH), que prevê a instalação de 19 aparelhos de ar-condicionado, 19 nobreaks (dispositivos que fornecem energia ininterrupta e proteção para eletrônicos), 19 racks para servidores e equipamentos de rede, além de switches para conectividade e processamento das informações.
No lote 2, há maior concentração da operação tecnológica e de videomonitoramento. O projeto prevê a instalação de 5,5 mil câmeras fixas inteligentes, 1,05 mil câmeras fixas de outro modelo, 2,5 mil equipamentos com leitura automática de placas (LPR), 950 câmeras móveis do tipo PTZ e 22 câmeras voltadas para análise de fluxo urbano – totalizando 10.022 câmeras. O sistema também contará com monitoramento de 3,5 mil canais de vídeo e mais de 4 mil canais com recursos analíticos avançados.
Entre as funcionalidades previstas estão reconhecimento facial e corporal, identificação de veículos por placa, marca e cor, busca forense por características físicas ou vestimentas, monitoramento de fluxo viário, cercamento digital e alertas automáticos. O sistema também permitirá análise de fumaça, fogo, enchentes e condições meteorológicas, além de monitoramento de ameaças cibernéticas.
A estrutura também inclui servidores de inteligência artificial, servidores de gravação e servidores de borda, além de milhares de metros de fibra óptica, switches industriais, caixas subterrâneas, racks de telecomunicação, distribuidores ópticos e infraestrutura para transmissão de dados. Também estão previstos serviços de engenharia, como instalação de pórticos e postes, lançamento e fusão de cabos ópticos, construção de dutos subterrâneos e recomposição de pavimento. O contrato inclui, ainda, a elaboração de 180 projetos executivos para definir posicionamento de sensores e equipamentos.
Já o lote 3 contempla a sustentação tecnológica e operacional do sistema. O projeto prevê plataformas geoespaciais, ferramentas de Big Data, monitoramento por satélite e drones, softwares de reconhecimento facial e análise ambiental, além de sistema de gestão de mobilidade urbana. Entre os recursos previstos estão aplicativos móveis para agentes de campo, módulos de despacho operacional, ferramentas de atendimento a ocorrências e sistemas de integração entre trânsito, iluminação pública e dados de segurança.
O contrato também prevê suporte técnico contínuo, manutenção dos equipamentos, treinamento de operadores e operação assistida após a implantação. O sistema terá ainda recursos de cercamento digital, permitindo monitoramento em tempo real de veículos e criação de perímetros virtuais para emissão de alertas automáticos. Também estão previstos módulos para monitoramento de até 30 mil pontos de coleta de dados de mobilidade urbana.
Projeto Muralha BH
A PBH anunciou o Muralha BH – sistema de monitoramento da capital, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção, em parceria com a Prodabel –, em outubro de 2025. De acordo com o Executivo municipal, o programa pretende melhorar a segurança na cidade por meio de câmeras com inteligência artificial e reconhecimento facial até o fim de 2026, cujas imagens serão monitoradas pela COP-BH.
Na época do anúncio, a PBH informou que a cidade já contava com cerca de 2 mil câmeras. Das novas aquisições, seriam 8 mil câmeras de segurança, sendo 1.890 câmeras do tipo PTZ, com giro de 360° e unidades fixas; 2.650 câmeras LPR (próprias para a leitura de placas veiculares) e 1,5 mil equipamentos com capacidade de realizar reconhecimento facial. A primeira fase de implantação do Muralha BH usou cerca de 600 câmeras, instaladas e testadas no ano passado.
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A análise de dados por inteligência artificial (IA) possibilita uma resposta coordenada e independente de ação humana. As câmeras também servirão para identificar o comportamento suspeito em ruas próximas a escolas, parques, edifícios e centros de saúde. A operação contará com diferentes órgãos públicos, municipais e estaduais, como Guarda Civil Municipal, BHTrans, Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), bombeiros e polícias Civil e Militar.
