Homenagem às mães: "Senti desde o início que sabia cuidar de criança"
Conheça a história da trancista Isabela Maria Batista Celestino, de 30, mãe de Gustavo, de 13: amor infinito pelo filho
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Com uma bela voz que encanta quem vai à missa, aos domingos, na capela do Mosteiro de Macaúbas, na zona rural de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Isabela Maria Batista Celestino, de 30, tem dom artístico: é trancista, proprietária de um salão na Savassi, em BH. Na celebração eucarística dominical, está sempre ao lado do filho, Gustavo Henrique dos Santos Batista Celestino, de 13, nascido quando Isabela era adolescente, da mãe, Neusa Maria Batista Celestino, e do namorado Pedro Henrique de Assis Silva, protético dentário. “Tenho praticamente metade da minha idade vivida na maternidade. Mas, sinceramente, senti desde o início que sabia cuidar de criança”.
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Isabela conta que Gustavo nasceu de um relacionamento que já durava dois anos. “Fiquei grávida e ouvi muita gente dizendo que eu deveria abortar, pois a criança iria atrapalhar meus estudos, meu trabalho, enfim, meus planos. Nada disso aconteceu, continuei trabalhando e estudando...mantive a gravidez. No início, meus pais se surpreenderam, depois apoiaram”, diz Isabela.
Os primeiros tempos não foram um mar de rosas, mas Isabela viu que levava jeito. Mesmo nunca tendo “mexido” com crianças, explica que, instintivamente, começou a cuidar do bebê da maneira correta, escutando sempre, claro, as orientações de dona Neusa. “Fiz tudo com naturalidade, como se tivesse nascido para isso”.
O tempo passou, Gustavo cresceu e novos horizontes se abriram para a jovem que conhece muito bem os dois lados da maternidade, tudo junto e misturado – como disse a atriz Jessie Buckley, “o belo caos do coração de uma mãe”. O que, na prática, significam essas palavras, pergunta o repórter à trancista. “Beleza pela descoberta de um amor sem limite e, até o instante de ver o bebê pela primeira vez, ainda completamente desconhecido para nós. Mas existe o caos quase permanente de preocupação com a criança e agora com o menino pré-adolescente, e ainda sobre os rumos da humanidade, surpresas do presente, incertezas do futuro.”
Ao lado, Neusa diz que a palavra-chave para toda essa história é o amor. “A mãe tem um sentimento diferente, o segredo está no amor que fica dentro do coração”, afirma. Jovem, Isabela não pensa em ter mais filhos, e adianta que o Pedro Henrique, com quem namora há quatro anos e pretende se casar, tem um carinho grande pelo Gustavo. Ele trata meu filho como se fosse o pai biológico dele, e sobre ter mais, ele já me disse assim: “Já temos o Gustavo...está muito bom”.
AROMA E SEGREDOS GUARDADOS NO FUNDO DA ALMA MINEIRA
A equipe do EM foi também em Cordisburgo, na Região Central de Minas, para visitar a casa de dona Maria José Alves de Oliveira, de 84, que, neste domingo, vai comemorar o Dia das Mães ao lado dos filhos Ivone Alves de Oliveira, Ronaldo Alves de Oliveira e Maria Cristina Alves de Oliveira. Dá para sentir o “gostinho” da celebração em família, pois da cozinha chega o aroma dos pães e roscas preparados pelas mãos talentosas de Cristina.
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Sorridente, dona Maria José se senta à mesa decorada com dois anjos de madeira e diz que foi casada durante “50 anos e seis meses” com Aníbal Alves de Oliveira. “Sou de família grande, minha mãe teve 15 filhos, então entendo muito sobre o que é amor pelos pais, irmãos e, principalmente, pelos filhos. Se há algo acontecendo com um filho ou filha, o coração de mãe sempre sabe”.
Ivone, Cristina e Ronaldo não se casaram, e dona Maria José se sente feliz e segura por tê-los sempre por perto. Mas se existe a beleza da companhia, embora sem netos, há preocupação permanente com cada um. “Mesmo eles estando adultos, fico sempre preocupada. Se um viaja e fica sem dar notícia, logo fico preocupada”. Mantendo o costume bem mineiro do “café com bolo”, o repórter se serve de uma fatia e imagina o sabor da comemoração deste domingo.
Sem perder o embalo da conversa, muito menos o fio da meada do tempo, dona Maria José diz que se casou aos 19 anos e teve no matrimônio e maternidade os melhores momentos de sua vida. Quer dizer, então, que a senhora começaria tudo outra vez, faria tudo de novo? A resposta não vem imediatamente. Ela sorri, se concentra e provoca expectativa à mesa. Mas logo em seguida, abraçada pelos três filhos, garante: “Faria sim, com certeza”.
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Amplo significado
Cada país tem seu Dia das Mães. No Brasil conforme pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), a data foi oficializada com o Decreto nº 21.366, de 5 de maio de 1932, pelo então presidente Getúlio Vargas. Para o comércio, representa um bom momento. A CDL/BH informa que o Dia das Mães, historicamente, consiste na segunda maior data do varejo brasileiro, atrás apenas do Natal – e na capital mineira isso se reflete diretamente no movimento das lojas. Importante lembrar que, para a Igreja Católica, maio é o mês mariano, dedicado a Maria, a mãe de Jesus.