Operação apreende 2 mil litros de bebidas adulteradas na Grande BH
Ação em Belo Horizonte, Contagem e Nova Lima vistoriou 29 locais, entre eles estabelecimentos do Mercado Central, e retirou bebidas impróprias de circulação
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Belo Horizonte, capital dos bares no país, foi alvo da terceira etapa da Operação Baco, que apreendeu quase 2 mil litros de bebidas alcoólicas adulteradas entre os dias 1º e 30 de abril, na capital e na Região Metropolitana. Os produtos, considerados impróprios para consumo, eram vendidos inclusive em pontos de grande circulação, como o Mercado Central.
No total, 29 estabelecimentos foram fiscalizados. Entre os alvos estão bares, galpões de armazenamento, incluindo um depósito já autuado na segunda fase e novamente flagrado com irregularidades e lojas na região central. As ações ocorreram nos bairros Santa Amélia e Centro, em Belo Horizonte, além do Eldorado, em Contagem, e Jardim Canadá, em Nova Lima, ambas cidades na Região Metropolitana.
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Um dos focos da operação foi o Mercado Central de Belo Horizonte, um dos principais pontos turísticos da cidade. No local, 10 estabelecimentos foram vistoriados, e todos apresentaram algum tipo de irregularidade, principalmente problemas na rotulagem das bebidas.
Como resultado da terceira etapa, foram apreendidos 1.633,69 litros de bebidas e inutilizadas 1.705 unidades, entre garrafas, barris e galões. A ação também resultou em nove autos de infração e cinco termos de apreensão e interdição cautelar. Parte do material recolhido ainda será analisada em laboratório para identificar possíveis casos de falsificação, contrabando ou produção fora dos padrões.
A delegada Renata Rodrigues de Oliveira Batista explicou que a prioridade é impedir que produtos irregulares cheguem ao consumidor. “Quando identificamos bebidas impróprias para consumo, elas são retiradas e descartadas na hora”.
Segundo ela, a atuação envolve diferentes frentes. Na esfera administrativa, irregularidades como ausência de selo já levam à retirada imediata dos produtos. “Essas bebidas são consideradas impróprias e não podem permanecer à venda”, destacou.
A delegada também esclareceu que o fechamento de estabelecimentos depende de etapas legais mais complexas. Ainda assim, reforçou que a fiscalização não se encerra com a operação. “Os locais podem ser novamente vistoriados, especialmente em casos de reincidência. A monitoração é contínua”, disse.
Coordenador da operação, o superintendente de Integração e Planejamento Operacional da Sejusp, Bernardo Naves, destacou que a iniciativa faz parte de uma estratégia de combate ao crime organizado em atividades econômicas. Segundo ele, a fiscalização atinge toda a cadeia, desde a produção até a comercialização.
Ele também alertou para os riscos envolvidos. Muitas das bebidas verificadas são importadas legalmente, mas podem chegar ao mercado de forma irregular, seja por contrabando, evasão de divisas ou falsificação. Em situações mais graves, já houve registros de substâncias inadequadas sendo utilizadas na produção, o que representa risco à saúde pública.
A operação reúne diferentes órgãos em atuação integrada, nas áreas policial, administrativa e sanitária. Participam a Secretaria de Estado da Fazenda, a Vigilância Sanitária estadual, o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e o Ministério Público de Minas Gerais, além das forças de segurança.
O porta-voz da Polícia Militar, Rafael Veríssimo, destacou que a operação também atua no combate a estruturas criminosas. Segundo ele, a venda de bebidas adulteradas pode estar associada a práticas como lavagem de dinheiro, "a orientação é que a população denuncie suspeitas pelos números 190 ou 181".
A terceira etapa dá continuidade a uma força-tarefa iniciada em 9 de outubro de 2025. Na primeira fase, realizada até 19 de novembro, mais de 182 mil litros de bebidas foram apreendidos em todo o estado, com 451 estabelecimentos fiscalizados, cerca de 4 mil unidades inutilizadas e 18 pessoas presas, além de um adolescente apreendido. A segunda fase aprofundou as investigações e contribuiu para identificar alvos reincidentes.
Sem prazo para terminar, a Operação Baco deve seguir com novas etapas, ampliando o monitoramento e reforçando o combate à comercialização irregular de bebidas em Minas Gerais.
Como identificar bebidas com suspeita de irregularidade
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Rótulos e lacres: observar se há indícios de cola aparente, impressões de baixa qualidade ou marcas de reutilização
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Preço de venda: desconfiar de valores excessivamente abaixo da média praticada pelo mercado formal
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Documentação fiscal: exigir sempre a nota fiscal, que garante a procedência e a responsabilidade do comerciante
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