Queda de avião ocorreu perto de duas escolas e supermercado
Aeronave relatou falha após decolagem da Pampulha. Acidente foi a cerca de 600 metros de unidade do Colégio Magnum, no momento de saída de alunos
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A queda de um avião de pequeno porte no Bairro Silveira, região Nordeste de Belo Horizonte, na tarde desta segunda-feira (4/5), ocorreu em circunstâncias que poderiam ter como resultado um cenário ainda mais grave.
O acidente foi registrado na esquina da Escola Estadual Ana de Carvalho Silveira e a poucos metros de uma unidade do Colégio Magnum, em horário que coincide com a saída de alunos e em uma área de circulação intensa de pedestres e veículos. A poucos metros do local, na frente do prédio atingido, também funciona um supermercado.
A aeronave, um modelo Neiva EMB-721C, colidiu contra um prédio de três andares na Rua Ilacir Pereira Lima, altura do número 667, em frente a uma unidade do supermercado Epa. Com o impacto, os destroços se dividiram entre o terreno do edifício atingido e o estacionamento do centro de compras, cenário que mobiliza equipes de resgate ao longo da tarde.
De acordo com informações preliminares, o avião decolou do Aeroporto da Pampulha por volta das 12h16. Poucos minutos depois, o piloto reportou à torre de controle dificuldades para ganhar altitude. Diante da situação, foi orientado a retornar ao aeródromo, mas não houve resposta subsequente. O último contato registrado indica que o comandante ainda tentaria recuperar altura antes da queda.
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Cinco pessoas estavam a bordo. O piloto e o copiloto morreram no local, conforme informado pelo Corpo de Bombeiros. Os três passageiros foram socorridos em estado grave. Uma delas chegou a ficar inconsciente durante o atendimento, enquanto as outras apresentavam fraturas expostas. As identidades das vítimas não foram divulgadas.
Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave foi fabricada em 1979 e tem capacidade para até cinco passageiros, além do piloto.
‘Não imaginei que fosse aqui’
Morador do primeiro andar do edifício atingido, Oduvaldo Marinho, de 75 anos, relatou à reportagem do Estado de Minas que estava em casa com a esposa e a filha no momento da colisão. Segundo ele, tudo aconteceu de forma abrupta. “Eu estava assistindo TV. De repente, ouvi só o barulho e senti um cheiro forte de combustível. Foi muito rápido”, contou.
Inicialmente, ele não percebeu que o impacto havia sido no próprio prédio. “Achei que fosse em outro prédio. Não imaginei que fosse aqui”, disse. Não há, até o momento, confirmação de vítimas entre pessoas que estavam no prédio atingido ou nas proximidades.
A evacuação ocorreu de forma emergencial. O prédio possui duas saídas e os moradores utilizaram a garagem para deixar o local com rapidez. Antes de sair, Oduvaldo tomou uma medida preventiva diante do risco percebido.
“Desliguei a chave geral por causa do cheiro forte de combustível”, afirmou. Em poucos minutos, segundo ele, a rua já estava tomada por equipes de resgate e por pessoas que se aproximavam para entender o que havia ocorrido.
O tenente Raul Souza, do Corpo de Bombeiros, explicou que a posição em que a aeronave ficou dificultou o trabalho inicial de retirada dos moradores. Como a parte frontal estava encaixada na escada do prédio, o acesso foi comprometido, especialmente para pessoas com mobilidade reduzida. Ainda assim, todos conseguiram deixar o edifício.
Apesar do cenário, não havia risco iminente de explosão, de acordo com os bombeiros. O combustível da aeronave estava concentrado nas asas, que permaneceram fora da estrutura principal do prédio. Mesmo assim, foi aplicada espuma como medida preventiva para evitar incêndio, diante do forte odor de combustível que se espalhou pelo local.
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A Polícia Militar isolou a área para garantir a segurança e permitir o trabalho das equipes de resgate. A Polícia Civil informou que a perícia foi acionada, assim como o rabecão, responsável pela remoção dos corpos. Os mortos serão encaminhados ao Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette, na capital. Paralelamente, equipes da Defesa Civil avaliam as condições estruturais do prédio atingido.