Estátua do Juquinha será reinaugurada após restauração na Serra do Cipó
Monumento recuperado em Santana do Riacho recebe monitoramento para frear vandalismo, após denúncias do EM e acordo do Ministério Público e mineradora
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A estátua do Juquinha das Flores será reinaugurada, depois de um período de restauração, na próxima quinta-feira (7/5), no alto das montanhas da Serra do Cipó, em Santana do Riacho, na Região Central de Minas.
Promovido pela mineradora Anglo American após acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o evento marca a entrega da terceira reforma do monumento, depois de séries de denúncias da reportagem do Estado de Minas.
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Mesmo após sua reforma, a estátua sofreu vários ataques, como mostrado pelo EM. Foram riscos, pichações e até destruição de parte da estátua.
A mineradora informou que uma ocorrência policial foi feita após a constatação do vandalismo, em sequência à denúncia da reportagem.
O monumento é um dos mais fotografados por turistas que vêm a Minas Gerais e um dos principais símbolos de identidade e harmonia com a natureza da Região Central mineira, essencial para o turismo e a preservação da memória local.
A estátua é um ícone cultural de Minas Gerais e um dos principais pontos de parada para quem visita a Serra do Cipó.
Quanto tempo durou a restauração?
A restauração durou cinco meses e envolveu um diagnóstico estrutural profundo para sanar rachaduras, capitaneado pela autora da estátua, Virgínia Ferreira.
O trabalho incluiu limpeza, tratamento de ferrugem nos vergalhões de aço, substituição de partes comprometidas, obturações, nivelamento e modelagem da forma original de concreto.
O projeto foi viabilizado por incentivo da Lei Rouanet, após um acordo jurídico que definiu a responsabilidade da mineradora Anglo American pela conservação, por ser a proprietária do terreno.
O monumento também enfrenta a ação de intempéries, como ventos fortes, chuvas constantes e variações extremas de temperatura, que aceleram o desgaste do material e exigem manutenção periódica.
Para tentar coibir o vandalismo e monitorar riscos de incêndio na vegetação, o local conta com um poste de câmeras de segurança alimentadas por placas solares e conectadas à internet. No entanto, o sistema de monitoramento 24 horas não impediu os ataques mais recentes.
O acordo com o MPMG também prevê a instalação de sinalização informativa e iluminação, embora apenas a recuperação da escultura tenha sido finalizada até o momento.
A atuação do Ministério Público foi motivada por denúncias jornalísticas que mostraram o estado crítico do monumento em 2023, quando a estátua apresentava buracos, fendas nas pernas e o vergalhão exposto.
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O promotor Lucas Trindade instaurou um inquérito civil que resultou na obrigação legal da Anglo American em restaurar o bem, seguindo a jurisprudência que atribui ao dono do imóvel a responsabilidade pela integridade de bens culturais ali instalados.
Etapas da restauração do monumento
- Diagnóstico estrutural: avaliação técnica detalhada das rachaduras e danos na estrutura de concreto
- Limpeza e tratamento: remoção de resíduos e cuidado com a ferrugem nos vergalhões de aço expostos
- Substituição de partes: troca de componentes comprometidos pela erosão e por atos de vandalismo
- Modelagem final: execução de obturações, nivelamento e recuperação do formato original da obra
Diretrizes para conservação e proteção
- Monitoramento eletrônico: vigilância 24 horas por câmeras alimentadas por energia solar
- Combate ao vandalismo: fiscalização constante para evitar pichações e danos físicos à escultura
- Manutenção periódica: restaurações preventivas a cada cinco anos para mitigar danos causados por intempéries
- Educação patrimonial: instalação de sinalização informativa para conscientizar turistas e moradores locais