Após permanecer fechado por um período de aproximadamente um ano e meio, um dos espaços de eventos mais tradicionais e bem localizados da capital mineira foi reaberto nesta segunda-feira (6/4). A Serraria Souza Pinto, cujo prédio centenário foi inaugurado em 1912, passou por um extenso processo de reforma: uma nova camada de tinta rejuvenesceu a fachada e eliminou o aspecto de abandono que tomou o imóvel durante o período de inatividade. As mudanças mais profundas, porém, estão no interior, que, além da revitalização, recebeu uma ampliação de infraestrutura.

A Serraria Souza Pinto ganhou ar-condicionado que, ao menos durante a cerimônia de reabertura, climatizou com competência o interior do imóvel. Também há novos banheiros, com 26 cabines individuais: eles se somam aos sanitários anteriormente existentes, que, por sua vez, foram reformados. O prédio ainda ganhou camarotes, cozinha, nova bilheteria e áreas de apoio à realização de eventos, além de elevador para pessoas com deficiência, pizzaria, hamburgueria, bar e cafeteria, que, segundo o consórcio Nova Serraria, atual gestor do espaço, permanecerão abertos ao público fora dos dias de eventos.

Além da revitalização e da ampliação da infraestrutura interna, os elementos arquitetônicos do edifício histórico, que é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, foram recuperados. As esquadrias em madeira das janelas, o calçamento do entorno e o piso interno em pedra estão entre os itens preservados: para manter esse último, os novos banheiros foram erguidos em um nível ligeiramente elevado em relação à cota do vão livre.

De acordo com o consórcio Nova Serraria, formado pelas empresas Revee e Integritate, que venceu uma licitação realizada em 2024 e permanecerá responsável pela Serraria Souza Pinto até 2044, as obras demandaram investimentos de aproximadamente R$ 12 milhões. Ainda segundo os gestores, o espaço tem 7 mil metros quadrados de área útil e capacidade para até 5.200 pessoas em pé, em eventos como shows. Caso sejam montadas mesas, o imóvel passa a comportar até 2.500 visitantes. Na área externa, que dá para a Avenida dos Andradas, outras 7 mil pessoas podem se acomodar em pé; quando estiver fora de uso, esse local pode ser convertido em estacionamento.

Espaço ganhou benfeitorias, mas manteve elementos originais, como o piso

Tulio Santos/EM/D.A.Press

Leonardo Donato, CEO da Revee, afirma que a revitalização foi estruturada para reposicionar o equipamento no circuito de eventos. "A Serraria reúne localização estratégica, capacidade técnica e valor simbólico. Ao modernizar sua infraestrutura e preservar sua identidade histórica, criamos as condições para que Belo Horizonte amplie sua competitividade na atração de eventos de médio e grande porte. Isso significa geração de receita, empregos e fortalecimento da economia criativa", avalia.

O gestor destaca que, ao longo do período de concessão, outras benfeitorias poderão ser feitas na Serraria Souza Pinto. "Eventualmente, a gente vai fazer mais um investimento lá fora: vamos colocar um palco embutido para esses eventos externos. E vamos sempre acompanhar a tecnologia, principalmente a questão de inteligência artificial", prevê.

Agenda cheia

Os organizadores projetam a realização de cerca de 100 eventos por ano na Serraria Souza Pinto e afirmam que, em 2026, a procura já está alta. A programação incluirá dois grandes shows: "No primeiro semestre tem um, mas no segundo semestre tem uma cantora que, no meu ponto de vista, a nível nacional, é uma das maiores", antecipa Donato. Os artistas, porém, ainda não tiveram os nomes revelados por questões contratuais.

Para Eduardo Zech, diretor de marketing e operações da Panda Inteligência em Eventos, a reabertura da Serraria Souza Pinto é uma ótima notícia para o setor. Ele afirma que ainda não teve a oportunidade de visitar o imóvel após as benfeitorias, mas espera que elas tenham sanado os pontos fracos, como a quantidade insuficiente de banheiros, que obrigava os organizadores a alugar sanitários químicos. "A localização geográfica é espetacular; eu realmente espero com grande expectativa esses novos eventos", diz.

Porém, o organizador de eventos pontua que um dos problemas da Serraria Souza Pinto não está no imóvel, mas sim na degradação do entorno. "Era uma região extremamente perigosa; a gente tinha realmente muitos problemas de segurança para as pessoas convidadas, que chegavam aos eventos", lembra. "Essa parte da revitalização, eu acho que a Serraria, sozinha, não consegue reverter. Tem que ter outras iniciativas do poder público, tanto municipal quanto estadual, para que realmente o espaço ocupe a relevância que tem", opina.

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Outra questão levantada por Zech é que, mesmo com a reabertura, Belo Horizonte deverá permanecer sofrendo com a  falta de locais destinados a eventos. "Essa demanda já era deficitária mesmo quando a Serraria ainda estava operante", relata.

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