À medida em que o outono avança, a preocupação com as doenças respiratórias cresce. A taxa de positividade para influenza, vírus causador da gripe, está acima do esperado para esta época do ano no Brasil. Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) mostram que o índice chegou a 20,2% no início de março de 2026. Em Minas Gerais, o cenário é de alerta e a baixa imunidade de crianças pequenas e idosos acende um alerta: o pico de atendimentos nos serviços de pronto atendimento do estado está previsto para o próximo mês.
Para prevenir o agravamento da situação, o Hospital João XXIII, referência em Belo Horizonte, recebe novos leitos infantis e reforça o atendimento do hospital Infantil João Paulo II. Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (1º/4), o secretário de Saúde de estado Fábio Baccheretti informou que a instituição recebeu sete novos leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 19 leitos de enfermaria, dois consultórios médicos de pronto atendimento e oito leitos em salas de decisão clínica.
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Baccheretti ressalta que o crescimento de casos ocorre em decorrência do período e que, apesar de o investimento ser positivo, a população continuará contraindo doenças respiratórias. “Mesmo com o número de leitos aumentado, a previsão é que os hospitais continuem cheios. Além de aumento de casos, os atendimentos se concentram em alguns horários”, disse.
De acordo com ele, o outono é a maior preocupação em relação à pediatria e a previsão é que todo o estado vivencie um estresse no sistema de saúde. Segundo o secretário, é importante se antecipar ao pico e, por isso, os leitos chegaram antes que ele ocorresse. De dezembro de 2018 a fevereiro de 2026, a quantidade de leitos de UTI em Minas aumentou 32%, saindo de 1.994 para 2.642. O efetivo de médicos também foi ampliado e o hospital contará com 10 pediatras no plantão, divididos entre o pronto atendimento e salas de decisão.
“Temos um crescimento robusto do número de leitos de UTI e não passaremos por momentos já conhecidos. Teremos doenças respiratórias e, por isso, já capacitamos o atendimento e a atenção, especialmente em relação à vacinação”, reforçou.
A medida responde ao crescimento da demanda entre março e maio, época em que o hospital registra aumento médio de 47% nos atendimentos de pronto-socorro e de 40% nas internações. As ações ampliam a capacidade assistencial e fortalecem o monitoramento e a prevenção em todo o estado e têm um investimento de R$ 15 milhões.
Dados apurados pela Secretaria de Saúde do estado (SES/MG) mostram que os casos já estão aumentando, inclusive na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No entanto, são as regiões Sul e do Triângulo que mais concentram os casos no estado. Até março, Minas Gerais registrou 6.189 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), dentre elas 323 por covid, 250 por influenza e 120 por vírus sincicial respiratório (VSR).
Vacinação
A SES/MG ressalta que a vacinação é a principal forma de prevenir casos graves de doenças respiratórias, como bronquiolite, covid-19, pneumonia pneumocócica e gripe, e de reduzir internações. A campanha de vacinação contra influenza deste ano concentra-se nos grupos prioritários – crianças de seis meses a menores de seis anos, idosos e gestantes. O imunizante é trivalente e protege contra as cepas H1N1, H3N2 e B, já disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos vacimóveis.
No segundo sábado de abril (11/4), o Dia D de vacinação terá ações em municípios de todas as regiões do estado. No dia 23 de março, o estado recebeu 640 mil doses da vacina contra a gripe. Além dela, o calendário inclui imunizantes contra covid-19, pneumonia pneumocócica e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
Neste ano, uma das estratégias é a vacinação contra o VSR – que causa a bronquiolite – para gestantes a partir da 28ª semana. A proteção é transferida para o bebê ainda durante a gestação, reduzindo o risco de formas graves após o nascimento. O imunizante está disponível desde dezembro do ano passado e tem a adesão avaliada como positiva pelo secretário.
“A maior parte do estado bate quase todas as metas de vacinação. Nós somos um dos estados com a melhor cobertura do Brasil. Considerando o tamanho de Minas Gerais, de fatos, somos um destaque”, explicou. Para Baccheretti, a maior preocupação são a influenza e a covid.
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“Muitos idosos acham que por já terem se vacinado no passado, não precisam tomar de novo, mas há dois fatores importantes. O primeiro é que o vírus muda muito de um ano para o outro. O segundo ponto é que a imunidade do idoso dura pouco, de seis a dez meses. Por isso, a imunização precisa ser anual”, concluiu.
