SUSPEITA DE CORRUPÇÃO

MG: rodeio durante aniversário de cidade é suspeito de lavagem de dinheiro

Investigação apura irregularidades em contratações e pagamentos ligados às comemorações dos 102 anos do município no Norte de Minas Gerais

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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou, nesta quarta-feira (29/4), a Operação "Palco Oculto" para investigar suspeitas de corrupção envolvendo contratações realizadas durante as festividades dos 102 anos de Manga, localizado no Norte do estado. A ação mira possíveis irregularidades na estrutura e nos serviços contratados para eventos comemorativos, incluindo um rodeio promovido no município.

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Segundo o MPMG, a apuração envolve contratos e pagamentos relacionados à montagem de palco, suporte logístico e demais serviços necessários para a realização das festividades que ocorreram entre os dias 5 e 7 de setembro do ano passado. Há indícios de que recursos públicos possam ter sido utilizados de forma indevida, o que motivou o cumprimento de medidas judiciais para coleta de provas. 

As festividades analisadas incluíram eventos de grande porte, como o 1º rodeio da cidade, que demandou contratação de empresas para estrutura e organização. É justamente nesse processo que recaem as suspeitas, especialmente quanto à legalidade dos contratos firmados e à execução dos serviços pagos com recursos públicos.

A operação foi conduzida no âmbito da defesa do patrimônio público e busca esclarecer a eventual prática de crimes como fraude em licitação, desvio de recursos e lavagem de dinheiro. As investigações são resultado de procedimentos instaurados pelo próprio Ministério Público, que identificaram inconsistências nas contratações feitas para o evento comemorativo.

De acordo com o órgão, as diligências incluem o cumprimento de mandados judiciais, como buscas e apreensões, com o objetivo de reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outras evidências que possam comprovar as suspeitas. O material apreendido será analisado para identificar os responsáveis e a extensão dos possíveis danos aos cofres públicos. Durante os procedimentos, foram apreendidos três veículos e mais de R$ 27 mil em dinheiro, valores que serão submetidos à análise no curso das investigações. 

Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em desfavor de dois investigados, um agente público municipal e "um particular com vínculo familiar com integrante do Poder Executivo local". "familiar", no caso, seria um filho do prefeito da cidade, Anastácio Guedes (PT), irmão do deputado federal Paulo Guedes (PT).

Porém, a prefeitura de Manga divulgou nota, alegando que "foi surpreendida" com a operação e que "o filho do prefeito não possui e nunca possuiu qualquer vínculo ou envolvimento com a administração pública municipal".

De acordo com nota da Polícia Civil, os mandados de busca a apreensão foram cumpridos em "residências de investigados, além de endereços públicos e empresariais vinculados aos alvos da apuração". Informou também que o inquérito apura crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A PC informou que, até agora, foi apurado que "há indícios de que valores públicos pagos à empresa contratada para a realização do rodeio possam ter sido posteriormente movimentados por meio de empresas e pessoas interpostas, em fluxo financeiro que é objeto de análise técnica por parte do Ministério Público".

O delegado regional em Januária, Luiz Bernardo Rodrigues de Moraes Neto, afirmou que a atuação conjunta reforça o compromisso das instituições com a correta aplicação dos recursos públicos. "A Polícia Civil atua de maneira técnica e imparcial, com foco na coleta de elementos probatórios que permitam o completo esclarecimento dos fatos, sempre observando as garantias constitucionais", enfatizou.

O que diz a prefeitura de Manga

Procurada, nesta quarta-feira, a administração municipal de Manga divulgou a seguinte nota:

"A Prefeitura de Manga informa que foi surpreendida com a operação realizada pela Polícia Civil, em conjunto com o Ministério Público, que cumpriu mandados de busca em endereços no município".

Outra operação

No dia 24 de março passado, em outra operação desencadeada pela Policia Civil em Manga, foi presa uma advogada da cidade, numa operação deflagrada para investigar um esquema milionário envolvendo lavagem de dinheiro, organização e agiotagem. A advogada atuava como procuradora do município e foi exonerada do cargo dois depois da "Operação 38:11".

Na mesma ocasião, a Prefeitura de Manga alegou que a investigação envolveu questão de natureza popular, não existindo elementos que vinculam a atuação da advogada com o exercício de função da gestão municipal. Mesmo assim, ela foi exonerada do cargo.

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As investigações continuam em andamento e que novas fases da operação não estão descartadas. Até o momento, não há confirmação oficial sobre o número de investigados ou prisões.

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