MEIO AMBIENTE

Serra da Moeda: moradores e ambientalistas fazem ato em defesa de nascentes

A mobilização denuncia o avanço da mineração e a exploração de recursos hídricos estratégicos para o abastecimento da Grande BH

Publicidade
Carregando...

Moradores e ambientalistas se reuniram, nesta terça-feira (21/4), na rampa de voo livre do Topo do Mundo, em Brumadinho, na Grande BH, para um abraço simbólico na Serra da Moeda, em defesa das nascentes e dos recursos hídricos da região.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O evento é promovido pela ONG Abrace a Serra da Moeda e, nesta 19ª edição, tem como tema "Sem água, não há futuro". A intenção da mobilização é chamar atenção para o agravamento das ameaças ambientais sobre a serra, um território considerado estratégico para o abastecimento hídrico de Brumadinho e da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Vestidos com camisetas brancas, os participantes formaram um cordão humano no ponto mais alto da serra e estenderam uma grande bandeira. Entre eles estava Juliano Nonato Gomes, morador da região há 22 anos, acompanhado dos filhos Joana e Kaleb.

"Esperamos que o projeto seja apoiado, porque é para o bem de todos aqui da região e até para a cidade de Brumadinho", disse Gomes.

Juliano Nonato Gomes, morador da região há 22 anos, acompanhado dos filhos Joana e Kaleb
Juliano Nonato Gomes, morador da região há 22 anos, acompanhado dos filhos Joana e Kaleb Jair Amaral/EM/D.A Press

Segundo a presidente da ONG, a advogada ambientalista Beatriz Vignolo, a mobilização ganha ainda mais relevância diante do cenário atual. "A Serra da Moeda é fundamental para a segurança hídrica da nossa região. Diante das ameaças crescentes, a mobilização da sociedade se torna ainda mais necessária para proteger as nascentes e garantir água para as futuras gerações", afirma.

Beatriz lembra que a serra funciona como divisor de águas entre as bacias dos rios Paraopeba e das Velhas. "Ela tem uma função estratégica no abastecimento de água também de Belo Horizonte. Sempre fazemos a mobilização no feriado de Tiradentes, que marca a luta histórica dos mineiros contra a exploração injusta das riquezas do estado. Há 19 anos, nos reunimos para chamar atenção das autoridades para a importância da preservação da água, já que a serra é uma grande caixa d'água e serve de abastecimento para todos nós", pontua.

Água sob pressão

A presidente da ONG destaca ainda que, apesar da criação do Monumento Natural Municipal da Mãe D’Água, em 2013, a proteção das nascentes segue sob pressão. Segundo ela, projetos de mineração, expansão urbana e grandes empreendimentos industriais continuam avançando sobre áreas sensíveis, com potencial de impacto direto sobre os aquíferos, que são reservatórios subterrâneos de água.

Um dos impactos é causado por uma fábrica de refrigerantes que, há mais de uma década, foi instalada em Itabirito, às margens da BR-040. De acordo com Beatriz, a multinacional extrai mais de 2 milhões de metros cúbicos das nascentes, por mês, para suprir a demanda de seus poços. Com isso, comunidades como Suzano e Campinho, em Brumadinho, já enfrentam um cenário de escassez hídrica.

Os moradores de Campinho, inclusive, recebem, desde 2015, 40 mil litros diários de água, por meio de caminhões-pipa da empresa, para abastecerem suas casas. 

Cláudio Antônio Bragança é morador do distrito de Campinho e reclama dos problemas hídricos que a comunidade enfrenta. "Isso trouxe vários transtornos para a comunidade, como falta de água e desvalorização dos imóveis."

Ele reclama da omissão dos gestores municipais em relação ao problema. "Ficamos muito indignados diante dessa situação. Cada liderança tem que defender seu território e vemos que nossa liderança municipal não se posiciona para nos defender."

Cláudio Antônio Bragança é morador do distrito de Campinho e reclama dos problemas hídricos que a comunidade enfrenta
Cláudio Antônio Bragança é morador do distrito de Campinho e reclama dos problemas hídricos que a comunidade enfrenta Jair Amaral/EM/D.A Press

Expansão urbana e mineração

A mineração na região também preocupa os ambientalistas que temem escassez hídrica e impactos ambientais para as comunidades. "Estamos falando de um conjunto de pressões simultâneas sobre um território extremamente sensível. Quando essas atividades avançam sem o devido controle, o risco não é apenas ambiental: é social, é econômico e é de segurança hídrica", destaca Beatriz.

A ONG alerta ainda para a identificação recente de mineração clandestina na região, além de fragilidades na fiscalização ambiental.

Outro ponto crítico que pode comprometer os recursos hídricos da região da serra é o avanço de grandes projetos imobiliários. "Temos enfrentado vários problemas em relação à mineração, construção de empreendimentos faraônicos que vão consumir 3 mil metros cúbicos de água por hora. É uma luta em prol da serra, das comunidades e em defesa do meio ambiente", declara o diretor-secretário da ONG, Cleverson Vidigal.  

O diretor-secretário da ONG, Cleverson Vidigal, cita os problemas que os empreendimentos imobiliários podem trazer para a região
O diretor-secretário da ONG, Cleverson Vidigal, cita os problemas que os empreendimentos imobiliários podem trazer para a região Jair Amaral/EM/D.A Press

A própria manutenção do Monumento Natural Municipal da Mãe D’Água segue em disputa judicial, segundo a presidente da ONG, e ainda não tem reconhecimento estadual, o que evidencia, segundo ela, a fragilidade na proteção da área, que abriga nascentes, paisagens naturais e sítios arqueológicos relevantes. 


Alerta técnico e mobilização social

A ONG aponta ainda que estudos hidrogeológicos revelam um cenário preocupante, com rebaixamento do aquífero ao longo das últimas décadas e retirada de água superior à capacidade natural de reposição, situação que pode comprometer o abastecimento futuro das comunidades.

Para a organização, esse contexto reforça a importância da mobilização social como instrumento essencial de defesa ambiental. "O Abrace a Serra da Moeda é mais do que um evento, é um ato coletivo de consciência. É a sociedade dizendo que não aceita ver suas fontes de água ameaçadas e que está disposta a defender esse patrimônio", conclui Beatriz.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Estado de Minas entrou em contato com a Prefeitura de Brumadinho, pediu um posicionamento em relação à reclamação dos moradores da comunidade de Campinho e aguarda retorno. 

Tópicos relacionados:

brumadinho grande-bh meio-ambiente

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay