AMEAÇA AMBIENTAL

Muriquis-do-norte são realocados em MG para preservação da espécie

Ação coordenada entre instituições busca aumentar as chances de sobrevivência do primata ameaçado

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Uma ação emergencial de conservação resultou na transferência de quatro muriquis-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) para áreas mais adequadas ao seu habitat, em Minas Gerais. Realizada entre os dias 13 e 24 de março, a mudança dos primatas foi coordenada por uma aliança entre instituições ambientais, de pesquisa e órgãos públicos, com o objetivo de fortalecer a população da espécie, que está criticamente ameaçada de extinção.

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Os quatros primatas, duas fêmeas e dois machos, foram capturados no município de Peçanha (MG), no Vale do Rio Doce, e levados para o Ibiti Projeto, localizado no Parque Estadual do Ibitipoca, na Zona da Mata. A operação de remoção e transporte foi realizada por meio da aeronave Pégasus 10, da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Agora, os animais passam por um período de aclimatação, essencial para a adaptação ao novo ambiente, antes de serem soltos na natureza. 

<p>O muriqui-do-norte é o maior primata das Américas, podendo chegar a cerca de 15 kg. Endêmico da Mata Atlântica, ocorre em áreas restritas do sudeste do Brasil e é considerado criticamente em perigo de extinção, sofrendo com o desmatamento e a caça.</p>
<p>O muriqui-do-norte é o maior primata das Américas, podendo chegar a cerca de 15 kg. Endêmico da Mata Atlântica, ocorre em áreas restritas do sudeste do Brasil e é considerado criticamente em perigo de extinção, sofrendo com o desmatamento e a caça.</p>

 

Esforço para preservar a espécie 

A transferência é parte de uma estratégia mais ampla de conservação, que conta com a colaboração de diversas entidades, como o Instituto Estadual de Florestas (IEF), o Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), entre outros. O objetivo é auxiliar na sobrevivência dos muriquis-do-norte, cujas populações têm sido drasticamente afetadas pela fragmentação de seu habitat na Mata Atlântica.

"Nos últimos anos, a população de muriquis na região caiu pela metade. Isso tornou a translocação [mudança] uma medida urgente pelo bem da espécie", afirmou o professor Fabiano Rodrigues de Melo, da UFV. Ele explicou que a fragmentação e o isolamento de grupos representam sérios riscos para a saúde genética da espécie, o que justifica ações de manejo como a translocação de indivíduos para novos locais. 

 

Impacto direto da conservação genética 

Com apenas 12 populações conhecidas no mundo, o muriqui-do-norte é considerado o maior primata das Américas. Seu papel na dispersão de sementes e na manutenção da diversidade vegetal da Mata Atlântica é crucial para o equilíbrio do ecossistema. Marcello Nery, diretor-presidente do Muriqui Instituto de Biodiversidade, destacou que a translocação também visa preservar a variabilidade genética da espécie, ajudando a combater os efeitos do isolamento populacional.

"Cada vez que um grupo de muriquis é isolado, perdemos diversidade genética, o que pode comprometer a sobrevivência da espécie no longo prazo. A translocação ajuda a melhorar a conectividade entre populações e aumenta as chances de reprodução", explicou Nery.

 

Desafios e sucesso da operação

A ação foi acompanhada de perto por equipes multidisciplinares, incluindo biólogos, médicos veterinários e outros especialistas, que garantiram o bem-estar dos animais durante todo o processo. A médica veterinária Cecília Barreto, do Ibama, destacou a complexidade da operação e a importância da articulação entre as instituições envolvidas. "O trabalho de campo exigiu precisão e cuidados constantes, e o apoio logístico, como o transporte aéreo, foi essencial para garantir a segurança dos animais", afirmou.

Com a translocação, os muriquis agora têm acesso a áreas com maior conectividade e melhores condições ecológicas, fundamentais para sua sobrevivência. A expectativa é que, após a fase de aclimatação, os primatas possam ser reintegrados ao ambiente natural, contribuindo para a recomposição populacional e o fortalecimento da biodiversidade da Mata Atlântica mineira.

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Estagiária sob supervisão do editor Benny Cohen

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