A Defesa Civil realizou novas vistorias preventivas na manhã desta sexta-feira (6/3) em imóveis vizinhos à edificação que desabou no bairro Jardim Vitória, na região Nordeste de Belo Horizonte (MG). O objetivo foi avaliar as condições estruturais das construções próximas e identificar possíveis riscos decorrentes do colapso.
O imóvel que desabou abrigava o lar de idosos Casa de Repouso Pró-Vida. A estrutura ruiu por volta de 1h30 de ontem, quando 29 pessoas estavam no local. Nove idosos conseguiram sair sem ajuda, 12 morreram soterradas.
Durante a inspeção, técnicos verificaram diferentes níveis de comprometimento nas edificações. O imóvel localizado na Rua Soldado Mário Neto, 131, onde ocorreu o desabamento, permanece interditado após o desmoronamento.
Na mesma rua, o imóvel nº 141 foi vistoriado e teve isolada a área dos fundos, incluindo varanda e corredor, devido ao risco de desabamento de partes que sobraram da estrutura atingida. Já no nº 177, um imóvel vizinho, a Defesa Civil realizou avaliação preventiva do muro de divisa e identificou baixo risco no momento, sem necessidade de intervenção imediata.
Na Rua Francisco Assis de Freitas, outras quatro residências passaram por análise técnica. No nº 171, o imóvel foi interditado por risco de desabamento de laje e pilar, e os moradores foram orientados a manter a área isolada.
No nº 150, nos fundos da propriedade, técnicos identificaram risco de colapso do muro de divisa. A orientação foi para que os moradores isolem a varanda como medida preventiva. Situação semelhante foi registrada no nº 162, onde há risco de desabamento do muro que faz limite com a construção que ruiu.
Já no nº 170, além do risco de queda do muro de divisa, foi apontada a possibilidade de desprendimento de materiais do telhado. Nesse caso, a Defesa Civil recomendou o isolamento das áreas dos fundos e da lavanderia.
Local já era alvo de ação judicial
A instituição era alvo de uma ação judicial que pedia o fechamento há nove anos. A ação foi proposta pela Promotoria de Justiça de Defesa das Pessoas Idosas do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Segundo a promotora Jacqueline Ferreira Moisés, o desabamento não deve ser tratado como uma fatalidade. De acordo com ela, o local era fiscalizado desde 2013 e recebeu diversas oportunidades para corrigir irregularidades.
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"Esta era uma instituição que a promotoria fiscaliza desde 2013. Nós demos à instituição a oportunidade de regularizar os erros extrajudicialmente, mas isso não foi feito. Desde 2017 existe uma ação pedindo o fechamento por irregularidades muito graves", afirmou.
Relatórios de inspeção elaborados por analistas do Ministério Público apontaram problemas estruturais e sanitários recorrentes, como infiltrações generalizadas e presença de mofo, pisos irregulares, barras de apoio soltas, ventilação inadequada, ausência de estrutura adequada de acessibilidade e lazer, além de superlotação progressiva.
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*Estagiária sob supervisão do editor Benny Cohen
