Estão abertas, a partir desta quarta-feira (4/3), as inscrições para o novo concurso da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. O edital nº 01/2026 está ofertando 380 vagas para o cargo de especialista em políticas e gestão da saúde. Segundo a SES, o cargo pode ser disputado por profissionais de diversas áreas, como gestão, tecnologia da informação, saúde, direito, entre outros. Os interessados podem se candidatar até as 16h do dia 2 de abril, exclusivamente pelo site do Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa, banca organizadora do exame.

Segundo o governo estadual, o objetivo é reforçar o quadro técnico e ampliar a capacidade de planejamento, gestão, regulação e vigilância sanitária e epidemiológica no Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas. Os aprovados vão poder atuar tanto na unidade central da pasta, em Belo Horizonte, quanto nas Unidades Regionais de Saúde distribuídas pelo estado.

A realização do concurso marca a retomada de seleções na área da saúde estadual, que não ocorriam desde 2014.

Requisitos e remuneração

Para concorrer ao cargo é exigido diploma de nível superior reconhecido pelo Ministério da Educação, conforme a área prevista no edital. As vagas contemplam diversas formações, como Enfermagem, Farmácia, Medicina, Psicologia, Serviço Social, Administração, Ciências Contábeis, Jornalismo, Sistemas de Informação e Engenharia Civil, entre outras.

A jornada é de 40 horas semanais e a remuneração inicial para o Nível I, Grau A, é de R$ 4.287,02,  composta pelo piso de R$ 2.858,01 e uma Gratificação por Atividades de Gestão da Saúde (GAGES) de R$ 1.429,01.

Os servidores também recebem ajuda de custo para alimentação por dia útil trabalhado, no valor de R$ 50 fixos e R$ 25 variáveis, conforme decreto estadual.

Taxa e etapas

A taxa de inscrição é de R$ 59 e deve ser paga até 6 de abril, por meio do Documento de Arrecadação Estadual (DAE). Cada candidato poderá efetuar apenas uma inscrição.

Podem solicitar isenção do pagamento doadores regulares de sangue, membros de mesa receptora de votos que tenham atuado nos últimos dois anos, desempregados amparados por lei estadual e inscritos no CadÚnico. O prazo para pedir isenção termina às 16h desta sexta-feira (6/3).

O concurso será composto por prova objetiva e discursiva, ambas eliminatórias e classificatórias. A aplicação está prevista para 3 de maio, pela manhã, em Belo Horizonte e em outros 15 municípios-polo do estado.

A prova objetiva terá 60 questões de múltipla escolha, totalizando 80 pontos. Será aprovado o candidato que alcançar ao menos 40 pontos e acertar pelo menos uma questão em cada disciplina. A prova discursiva valerá 40 pontos. O edital reserva 10% das vagas para pessoas com deficiência.

Falta de diálogo e defasagem salarial

A abertura do concurso ocorre em meio a críticas de representantes dos trabalhadores da saúde estadual. Neusa Freitas, diretora executiva do Sindicato da Saúde de Minas Gerais, afirma que o valor inicial divulgado no edital não reflete a realidade da maior parte das carreiras da área. Segundo ela, o salário de R$ 4,2 mil refere-se exclusivamente ao cargo de especialista previsto no novo concurso. “Quando se fala nesse valor, é preciso dizer de qual carreira se trata. Quem lê pode achar que todos os trabalhadores da saúde recebem isso, e não é o caso”, afirmou.

De acordo com a dirigente sindical, servidores com cerca de 20 anos de atuação recebem pouco mais de R$ 2 mil, especialmente na área técnica de enfermagem. Ela sustenta que não há reajuste real há anos e que os trabalhadores dependem de gratificações e auxílios incorporados ao contracheque para complementar a renda. “São valores que ajudam no mês, mas não são incorporados integralmente à aposentadoria. O trabalhador sobrevive de penduricalhos”, disse.

Neusa também criticou a falta de diálogo com o governo estadual. Segundo ela, anúncios recentes de reajuste linear de 5,4% ao funcionalismo foram feitos sem negociação prévia com as entidades representativas.

Sobre o número de vagas abertas, a sindicalista avalia que 380 postos não são suficientes para suprir a demanda da rede, especialmente na Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Ela aponta sobrecarga de trabalho, adoecimento de servidores e afastamentos frequentes, sobretudo na enfermagem.

Um exemplo da situação crítica é o setor da enfermagem. “Hoje a falta de profissionais é gritante”, afirmou Érico Pereira, o coordenador de fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG). 

Segundo o coordenador, neste momento ocorre uma ação judicial do Ministério Público, com apoio do Coren-MG, referente à Colônia Santa Isabel, unidade da rede estadual em Betim, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, em que uma decisão judicial precisou determinar o aumento do número mínimo de profissionais de enfermagem. O processo está em fase de execução de sentença e a própria Fhemig reconhece déficit de pessoal.

Ainda assim, o problema continua : “O déficit de profissionais de enfermagem na rede Fhemig é um problema histórico. Estivemos fiscalizando a Colônia Santa Isabel na semana passada e novamente foi constatada insuficiência de profissionais no local”, afirmou Érico.“Esse é um exemplo de um cenário que se repete ao longo dos anos em diferentes hospitais da rede estadual”, completou.

Apesar das críticas, os representantes do Coren-MG e do Sind-Saúde não souberam precisar a defasagem em números.

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*EStagiária sob a supervisão do subeditor Humberto Santos

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