FORAGIDO

Um dos traficantes mais perigosos de Minas é preso no Paraguai

Condenado a mais de 52 anos, foragido comandava homicídios e tráfico em Contagem (MG) mesmo estando em outro país

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Apontado como um dos traficantes mais perigosos de Minas Gerais, Patrick Fernandes de Oliveira, de 33 anos, conhecido como “Patrick Caos”, foi preso nesse sábado (28/3), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, durante uma operação conjunta da Polícia Civil de Minas Gerais, Polícia Federal, Polícia Civil do Mato Grosso do Sul e forças de segurança paraguaias. Ele começou a trajetória no crime ainda aos 15 anos. 

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Segundo a Polícia Civil, Patrick acumulava passagens por tráfico de drogas e crimes violentos na região da Vila Francisco Mariano, em Contagem (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ao longo dos anos, ele se tornou uma das principais lideranças do tráfico na comunidade, passou a ser apontado como executor e mandante de homicídios e ampliou a influência para Ribeirão das Neves (MG), além de manter ligação com integrantes do PCC.

Considerado um dos traficantes mais perigosos de Minas Gerais, ele tem mais de 25 registros policiais e nunca havia sido preso antes, apesar dos diversos mandados expedidos ao longo dos anos. Segundo o delegado Ítalo Fernandes, da Delegacia de Homicídios de Contagem, Patrick estava foragido desde 2016, quando foi expedido o primeiro mandado de prisão contra ele. “Ele possuía diversos mandados de prisão, inclusive condenatórios, somando mais de 52 anos de prisão. Ele se encontrava foragido desde 2016”, afirmou o delegado. 

Desde 2019, Patrick mantinha mandados de prisão em aberto de forma contínua, após a conclusão de investigações da Delegacia de Homicídios de Contagem que resultaram em condenações. Ao todo, ele penas de 12 anos de cadeia por tráfico de drogas, 22 anos por homicídio e outros 17 anos por um segundo homicídio.

 

Tráfico comandado do Paraguai

Mesmo condenado, Patrick continuava atuando no crime. A polícia afirma que, havia pelo menos quatro anos, ele morava no Paraguai, de onde seguia comandando o tráfico de drogas na Vila Francisco Mariano. Segundo as investigações, ele era temido pela violência e mantinha o controle da venda de drogas e ordenava homicídios. “A atuação dele era muito forte. Ele continuava comandando o tráfico de drogas na Vila Francisco Mariano, determinando mortes e expandindo o território para Ribeirão das Neves”, disse Ítalo Fernandes.

Ainda conforme a polícia, Patrick recebia dinheiro dos comparsas no Brasil para se manter escondido no Paraguai e repassava ordens sobre o funcionamento do tráfico.“Os comparsas enviavam dinheiro para ele no Paraguai, enquanto ele passava ordens e diretrizes sobre como o tráfico deveria agir”, afirmou o delegado. 

As investigações também apontaram que Patrick funcionava como uma espécie de elo entre traficantes da Vila Francisco Mariano e o PCC. Mesmo escondido no Paraguai, ele coordenava remessas de drogas para o Brasil e aumentava o alcance da atuação da facção na região metropolitana da capital mineira.

As investigações apontam que Patrick era um dos criminosos mais violentos da região. Além dos dois homicídios pelos quais já foi condenado, ele é suspeito de participação em pelo menos outros três. Segundo a Polícia Civil, há pelo menos cinco homicídios consumados atribuídos a ele, seja como executor, seja como mandante.

Entre os crimes investigados está o assassinato de um morador conhecido como Adão. O homem foi morto durante o dia por reclamar que traficantes usavam a casa dele como rota de fuga para escapar da polícia.“Ele executou esse indivíduo à luz do dia para servir de exemplo na região”, disse Ítalo Fernandes.

Outro crime atribuído a Patrick aconteceu durante uma comemoração de Copa do Mundo, em um local aberto e cheio de pessoas. Segundo a polícia, ele atirou contra um alvo, mas acabou atingindo outras pessoas que não tinham ligação com o tráfico. Uma das vítimas ficou tetraplégica. Há ainda o caso de um homem morto em uma disputa por letras de música.

 

MC “Thug Hood” e vídeos ostentando armas

Patrick também utilizava a internet para fortalecer a imagem de liderança criminosa. Segundo a polícia, ele se apresentava como MC “Thug Hood” e mantinha um canal no YouTube, onde publicava vídeos ostentando armas, dinheiro, motos e a rotina do tráfico.

Nas gravações, ele aparecia fazendo manobras perigosas de moto, exibindo armamento e circulando pela comunidade cercado por comparsas. Segundo os investigadores, Patrick utilizava a imagem artística para impor medo e conquistar admiração entre moradores e jovens da região. “Em vídeos, aparecia ostentando armas, dinheiro e fazendo manobras perigosas perto de crianças”, afirmou o delegado.

 

Anos de investigação

A Polícia Civil começou a monitorar Patrick de forma contínua a partir de 2022. No início de 2025, novas informações permitiram identificar o local exato onde ele vivia em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia na fronteira com o Brasil. Segundo o delegado, Patrick morava a cerca de quatro quarteirões da fronteira e levava uma vida aparentemente normal. Ele frequentava academia, utilizava nome falso e vivia em uma casa discreta.

A equipe policial viajou ao Paraguai, onde montou uma operação para acompanhar a rotina de Patrick até a prisão.“Quando a equipe chegou ao local, fez campanas, confirmou o endereço e identificou o suspeito. Ele não ofereceu resistência”, disse o delegado.

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No momento da abordagem, o condenado tentou se identificar usando outro nome, mas acabou admitindo a identidade verdadeira. Como estava irregular no Paraguai, ele foi expulso do país e entregue à Polícia Federal na fronteira. Atualmente, Patrick está preso em Ponta Porã (MS), e deve ser transferido para Minas Gerais pela Polícia Penal. Segundo a Polícia Civil, além de cumprir pena, ele ainda será ouvido sobre outros homicídios e crimes que continuam em investigação.

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