Viagem na Semana Santa

BR-381 tem risco nos dois sentidos (e o maior nem é a "Rodovia da Morte")

Teoricamente mais seguro, trecho da BR-381 na ligação com SP foi o que teve mais desastres nos últimos recessos da Semana Santa, superando a "Rodovia da Morte"

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Se a BR-040 aparece como a estrada federal que registrou mais mortes durante os recessos da Semana Santa de 2022 a 2025, o sentido São Paulo da BR-381, a Rodovia Fernão Dias, foi o mais violento dessa via em Minas Gerais no mesmo feriado dos quatro anos anteriores. No total foram 101 sinistros, três mortes e 128 pessoas feridas, em um segmento com pistas duplicadas e separação física entre os sentidos, portanto teoricamente mais seguro.

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Mais uma vez, nesse percurso a ausência de reação ou o reflexo tardio dos motoristas foi a condição mais frequente, levando a 27 ocorrências, com 31 feridos. A alta velocidade matou uma pessoa e deixou 26 feridas, em 26 ocorrências. Uma pessoa morreu em desastre na via pelo fato de o condutor não ter mantido a distância de segurança do veículo da frente e outra por tráfego de motocicleta entre faixas.

O trecho do Km 484 ao Km 498, em Betim, na Grande BH, é o segundo mais perigoso desse levantamento, com uma vítima a cada um quilômetro (considerando mortos e feridos), e o primeiro com mais frequência de sinistros, com uma ocorrência a cada 1,27 quilômetro.

A estrada recebe fluxo urbano saturado, com alta recorrência de colisões traseiras e laterais por distância de segurança insuficiente entre veículos e mudanças imprudentes de faixa, segundo indicativos da PRF. A vulnerabilidade de motociclistas em corredores e batidas contra objetos fixos à noite elevam a gravidade no trecho, mesmo em pistas duplas ou múltiplas, em que há trechos com iluminação precária.

Respeitar a distância de segurança e evitar o tráfego de motocicletas entre faixas em pontos de tráfego intenso, bem como observar a presença de motos antes de trocar de faixas são atitudes que podem ajudar a evitar acidentes.


O trecho mais temido


Na “Rodovia da Morte”, como se tornou conhecido o trecho da BR-381 incluído na ligação entre Belo Horizonte e Governador Valadares, foram registrados 34 sinistros, com dois óbitos e 57 pessoas feridas no quatro últimos recessos da Semana Santa. A ausência de reação ou reflexo tardio dos motoristas foi a condição associada a 10 desastres, com uma morte e 15 feridos. Outra pessoa perdeu a vida e 13 ficaram feridas em ocorrências com pista escorregadia, enquanto a alta velocidade deixou 13 vítimas de ferimentos em seis acidentes.

Um dos segmentos mais perigosos fica do Km 428 ao Km 446, entre Santa Luzia e Caeté, na Grande BH. É o terceiro mais perigoso do levantamento, com uma vítima a cada 1,13 quilômetro, considerando mortos e feridos. A geometria sinuosa de pista simples em que se deu a maioria dos sinistros acabou combinada a velocidades incompatíveis, curvas e declives nos desastres mais graves.

Saídas de pista e colisões frontais predominam devido a reações tardias de motoristas e ao traçado traiçoeiro do trecho. Com chuva e asfalto escorregadio, é indispensável antecipar a redução de velocidade antes de curvas e evitas ultrapassagens onde não há total visibilidade. Manter pneus e freios em perfeitas condições para enfrentar pistas molhadas, curvas e descidas fortes também é essencial em qualquer circunstância, principalmente em trechos críticos.


Violência no Triângulo

A brutalidade dos desastres automobilísticos nos últimos quatro feriados da Semanas Santa se mostrou superior na BR-262 no sentido Triângulo Mineiro em relação ao trecho entre João Monlevade e Martins Soares, na divisa com o Espírito Santo. Foram cinco óbitos e 35 pessoas feridas em 37 sinistros durante os últimos recessos no sentido Uberaba, enquanto ninguém perdeu a vida no segmento rumo ao litoral capixaba, onde se registraram 13 feridos em 11 ocorrências.

A alta velocidade matou quatro pessoas no segmento em direção ao Triângulo, em cinco sinistros com outros cinco feridos. A ingestão de álcool por motorista foi detectada em seis ocorrências, com um ferido. A outra morte foi de um pedestre que cruzou a via, em um dos dois sinistros que também deixou um ferido.

A estrada entre o Km 373 e o Km 380, em Juatuba, na Grande BH, foi o segmento mais mortífero desse levantamento, com uma morte a cada 3,5 quilômetros. Marca associada a desastres ocorridos em alta velocidade, em pista dupla, durante o crepúsculo e à noite. Atropelamentos e saídas de pista em curvas associadas a declives foram fatais devido à altíssima energia de impacto. O traçado de alta fluidez induz ao erro de julgamento sobre a velocidade segura.

Em segmentos como esse é fundamental reduzir a velocidade ao transitar por áreas de travessia e em trechos de declive sinuoso, como o Km 380, em Juatuba. Redobrar a cautela durante a transição de luminosidade no fim de tarde até a noite também é essencial.

Rumo ao litoral do ES

No trecho de ligação com o Espírito Santo, transitar na contramão e reação tardia ou ausente dos condutores levaram a dois sinistros, cada, resultando em dois e três feridos, respectivamente. Um dos segmentos mais perigosos é entre o Km 79 e o Km 91, de Abre Campo a Matipó, com elevado risco noturno em pista simples associado à fadiga, resultando em colisões traseiras em subidas, por diferença de velocidade entre veículos.

A velocidade incompatível em curvas e sob céu nublado culmina em muitas saídas de pista e a alternância de relevo nesse percurso exige alerta constante. Fazer paradas para descanso em viagens longas e usar a sinalização refletiva como guia em baixa visibilidade são atitudes que evitam acidentes, assim como manter a velocidade permitida, reduzindo-a, se chover.


Cuide da sua segurança

Para uma viagem segura, a Polícia Rodoviária Federal recomenda que o motorista faça um planejamento antecipado, consultando as condições do tempo e garantindo que toda a documentação, tanto pessoal quanto do veículo, esteja rigorosamente em dia. É fundamental revisar itens essenciais de segurança, como pneus (incluindo o estepe), triângulo, macaco e chave de roda, além de verificar o funcionamento de todo o sistema de iluminação e os níveis de óleo e de água do radiador e do limpador de para-brisa.

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Durante o trajeto, o uso do cinto de segurança por todos os ocupantes e de cadeirinha ou assento elevado para crianças é obrigatório, assim como o uso de capacete para motociclistas e garupas. As bagagens devem ser sempre acomodadas de forma adequada no porta-malas, para não comprometer a estabilidade do veículo e a segurança dos ocupantes. 

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