ATÉ QUANDO?

Minas é o 3° no ranking nacional de intolerância religiosa

Aumento de denúncias no Disque 100 reforça importância de datas e ações contra preconceito Brasil

Publicidade
Carregando...
Mais do que uma celebração cultural e religiosa, o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, comemorado neste sábado (21/3), serve como um alerta, diante do aumento de casos de intolerância religiosa que assola o Brasil. E Minas Gerais está no pódio dessa triste realidade, figurando em terceiro lugar no ranking nacional de denúncias registradas no Disque 100, canal do governo federal para violações de direitos humanos.
Dados divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, mostram que só em 2026 (até a publicação desta matéria), foram registradas 456 denúncias de intolerância religiosas em todo o país, uma média de 6 casos por dia. Deste total, foram 41 registros em Minas. Em 2025, o número foi de 2.723, superando os 2.472 casos contabilizados ao longo de 2024, e os 1.482 de 2023.
A análise territorial mostra que o fenômeno está presente em todo o país, com maior concentração em estados da Região Sudeste. Em 2025, Minas também ocupou a terceira posição no ranking ocorrências, com 321 denúncias, atrás de São Paulo (663) e do Rio de Janeiro (435). 
 
Além da quantidade de casos, o perfil das vítimas chama atenção. A maior parte das denúncias envolve adultos entre 30 e 44 anos.
Em meio a nesse cenário, iniciativas de valorização cultural ganham relevância e reforçam a urgência do debate. Criado em 2023, o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé instituído pela Lei nº 14.519 e comemorada em 21 de março, a data tem como objetivo valorizar a ancestralidade, a espiritualidade e a contribuição das religiões afro-brasileiras para a formação cultural do país, além de reforçar a necessidade de respeito à diversidade religiosa.
Em Belo Horizonte, a celebração da data foi antecipada. O evento realizado na última terça-feira (17/3) no Centro Universitário Arnaldo, no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul da capital, foi promovido pelo Centro de Valores - Justiça e Paz Integridade da Criação (Jupic) e o Comitê de Diversidade e Inclusão, e reuniu lideranças religiosas e a comunidade acadêmica.
O evento começou com um cortejo nas escadarias da instituição, seguido por uma procissão que percorreu o interior do prédio, convidando estudantes e professores a conhecerem mais sobre as tradições afro-brasileiras. Cânticos, saudações aos orixás e manifestações culturais marcaram o momento, que teve como objetivo aproximar a comunidade acadêmica das religiões de matriz africana e desconstruir estereótipos.
 
Na sequência, uma roda de conversa reuniu lideranças religiosas para discutir os desafios atuais enfrentados pelas comunidades de terreiro. Entre os convidados estava Pai Marcelo, dirigente da Casa do Divino Espírito Santo das Almas, que destacou que a iniciativa representa uma oportunidade de romper barreiras históricas.
“Essa é uma oportunidade de levarmos nossa experiência para fora dos nossos portões e fazer com que caia por terra o preconceito e os achismos. Nós somos religiosos e pregamos o bem. Quando as pessoas conhecem, elas passam a respeitar mais”, afirmou.
Ele também chamou atenção para o impacto direto da intolerância no cotidiano das comunidades religiosas. “Nós perdemos muito com isso. Muitas vezes precisamos provar que somos religiosos, que fazemos o bem. Isso é muito desagradável e mostra o quanto ainda precisamos avançar”, disse.
O religioso relatou ainda episódios de ameaças enfrentados por integrantes de sua comunidade, evidenciando que o problema não se limita a outras regiões do país. Apesar disso, ele reconhece avanços recentes, principalmente no apoio institucional. “Hoje já temos um apoio maior da polícia, de órgãos públicos e de entidades. Estamos vivendo um momento melhor, mas ainda há muito a ser feito”, pontuou. 
Outro desafio apontado é a preservação das tradições de matriz africana, que historicamente foram transmitidas de forma oral. A ausência de registros formais contribuiu para a invisibilidade dessas práticas ao longo do tempo, dificultando o reconhecimento de sua importância cultural.
“A nossa religião sempre foi muito oral e ainda continua sendo. Esses momentos são importantes para registrar, para dar visibilidade e garantir que essa tradição continue viva”, explicou Pai Marcelo.
O evento também marcou a cerimônia oficial de abertura do 2º ano da Segunda Década Internacional de Afrodescendentes (2025-2034), iniciativa instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o tema “Reconhecimento, Justiça e Desenvolvimento: desafios contemporâneos para a efetivação dos direitos das populações afrodescendentes”.
Segundo os organizadores, o evento marca um novo ciclo de fortalecimento das políticas de igualdade racial e valorização da história e contribuições da população afrodescendente em todo o mundo.
 
"Diante dos desafios contemporâneos, promover o reconhecimento das culturas e religiões de matriz africana é essencial para a construção de uma sociedade mais justa, plural e igualitária. Essa iniciativa reforça o compromisso com a valorização da memória, identidade e direitos das comunidades afrodescendentes no Brasil", destacou os organizadores.
Na capital mineira, a partir deste ano, agosto também será um mês muito especial para a causa. A  Lei nº 11.934, publicada no Diário Oficial do Município (DOM) em dezembro de 20025, inclui o Agosto Marrom no calendário de BH como mês dedicado a ações de combate, prevenção e conscientização sobre a intolerância religiosa.
A combinação entre datas simbólicas, ações educativas e políticas públicas é vista como essencial para reverter o cenário atual. Em um país marcado pela diversidade religiosa, o desafio permanece em transformar essa pluralidade em convivência respeitosa e garantia de direitos para todos.
"Eu acredito na palavra de Deus que é fazer o bem sem olhar quem. Por que com amor chegamos até um Cristo do perdão. E nós estamos em momento muito é importante da religião. Estamos tendo a oportunidade de sermos vistos e respeitados enquanto religiosos e essas ações são maravilhosas", finaliza Pai Marcelo.

*Estagiária sob supervisão do subeditor Humberto Santos 

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay