Ubá registra primeira morte por leptospirose e tem 41 casos em investigação
Vítima é uma mulher de 33 anos. Município investiga 41 casos suspeitos da doença, enquanto bombeiros seguem nas buscas por um desaparecido
compartilhe
SIGA
A primeira morte por leptospirose foi confirmada nessa terça-feira (10/3), em Ubá (MG), na Zona da Mata, após as fortes chuvas que atingiram o município no fim de fevereiro e provocaram enchentes de grandes proporções.
A vítima é uma mulher de 33 anos. A confirmação aconteceu após exame laboratorial do tipo RT-qPCR detectar a presença da bactéria causadora da doença. Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) lamentou a morte e prestou condolências aos familiares e amigos.
Leia Mais
As chuvas extremas que atingiram Ubá no fim de fevereiro deixaram a cidade debaixo d’água em diversos pontos e provocou sete mortes. Uma pessoa permanece desaparecida. De acordo com a Prefeitura da cidade, 41 casos suspeitos de leptospirose foram notificados no município e seguem em investigação epidemiológica. As amostras coletadas foram encaminhadas para análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, e os pacientes aguardam os resultados dos exames.
A Secretaria de Estado de Saúde informou que mantém acompanhamento contínuo da situação no município, com monitoramento dos casos, análises laboratoriais e investigação epidemiológica.
Como parte das ações emergenciais após as enchentes, o Governo de Minas destinou cerca de R$ 8,3 milhões ao município, por meio de adiantamentos e reforços financeiros para fortalecer a assistência à saúde e apoiar a reorganização dos serviços. A SES-MG também enviou novas câmaras frias para recompor a estrutura de armazenamento de medicamentos e vacinas.
A leptospirose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Leptospira. A transmissão ocorre principalmente pelo contato com água, lama ou solo contaminados pela urina de animais infectados, sobretudo ratos.
A infecção geralmente acontece quando a bactéria entra no organismo por ferimentos na pele, pela pele que ficou muito tempo em contato com água contaminada ou pelas mucosas, como olhos, nariz e boca. Por isso, a doença é mais comum após enchentes e alagamentos.
O período de incubação (tempo entre a infecção e o início dos sintomas) varia de 1 a 30 dias, sendo mais comum entre 7 e 14 dias após a exposição.
Sintomas da leptospirose
-
Febre
-
Dor de cabeça
-
Dor intensa no corpo, especialmente nas panturrilhas
-
Náuseas e vômitos
-
Falta de apetite
-
Mal-estar geral
Em casos mais graves, podem ocorrer complicações como dificuldade para respirar, insuficiência renal e hemorragias.
Prevenção
-
Evitar contato com água ou lama de enchentes.
-
Usar botas e luvas de borracha durante a limpeza de locais atingidos por alagamentos.
-
Caso não tenha os equipamentos, improvisar com sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés.
-
Lavar objetos e superfícies que tiveram contato com a lama utilizando água sanitária (um copo para cada 20 litros de água).
-
Manter alimentos e água protegidos de roedores.
A Secretaria de Saúde orienta que pessoas que apresentarem sintomas após contato com água de enchente procurem imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica. O tratamento é feito com antibióticos e deve ser iniciado assim que houver suspeita da doença. Em casos graves, pode ser necessária hospitalização.
Onde buscar atendimento
- Sintomas leves: procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência.
- Sintomas graves: busque atendimento nas unidades de pronto atendimento ou hospitais da rede municipal.
Cuidados durante a limpeza de locais atingidos pela enchente
- Use botas e luvas de borracha.
- Caso não tenha, improvise com sacos plásticos duplos amarrados nos pés e nas mãos.
- Lave tudo que teve contato com a lama utilizando água sanitária (1 copo para cada 20 litros de água).
- Evite permanecer por muito tempo em locais com poeira ou mofo após o alagamento.
Buscas por desaparecido
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) mantém nesta quarta-feira (11/3) as buscas pela última vítima ainda desaparecida após as enchentes que atingiram o município. O profissional autônomo Luciano Franklin Fernandes segue desaparecido desde o transbordamento do rio que corta a cidade.
Duas semanas após o desastre, a operação mobiliza 33 militares, além do uso de drones com câmera térmica, cães farejadores e equipes especializadas em resgate.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
As equipes dividiram a área de atuação em três frentes de trabalho ao longo das margens do Rio Ubá, realizando varreduras sistemáticas em pontos considerados estratégicos. Em uma dessas áreas, uma escavadeira é utilizada para revirar locais identificados como de interesse durante o planejamento das buscas.