O homem suspeito de atropelar e arrastar a ex-namorada, de 27 anos, por 400 metros em Morro do Pilar, na Região Central de Minas Gerais, foi preso na tarde desta quinta-feira (19/2). O crime aconteceu na madrugada de domingo (15/2). O investigado foi identificado pela própria vítima e outras testemunhas, mas fugiu do local em um Volkswagen Fox prata.
De acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), o suspeito da tentativa de feminicídio se apresentou à delegacia em Conceição do Mato Dentro. Ele era considerado foragido desde que a Justiça determinou sua prisão temporária.
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Após ser ouvido pelo delegado responsável, o homem foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça. “O inquérito policial segue em andamento para a conclusão das diligências necessárias. A Polícia Civil de Minas Gerais reforça o seu compromisso com o combate a qualquer tipo de violência contra mulher”, informou a corporação em nota.
Como foi o crime?
O atropelamento ocorreu por volta das 4h, na Rua Capitão Modesto Vieira, no Centro da cidade. A polícia foi acionada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de Diamantina. No local, os militares encontraram a jovem sendo socorrida por uma equipe da unidade de saúde, com suspeita de fratura na tíbia direita e diversas escoriações pelo corpo.
A vítima foi encaminhada ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte. A polícia registrou na ocorrência que, segundo familiares, ela não corre risco de morte, mas passará por cirurgia.
Qual a motivação?
O atual companheiro da mulher relatou aos militares que o agressor se aproximou do casal afirmando que não aceitava o relacionamento dela com outra pessoa. Em seguida, ainda conforme o relato, o ex deu marcha à ré com o carro, atingindo e bloqueando a porta do veículo onde o casal estava.
Nesse momento, a vítima desceu e foi até o automóvel do ex-companheiro na tentativa de acalmá-lo. Ao passar ao lado do carro, o homem abriu a porta, derrubando a mulher no chão. O pé dela ficou preso entre o pneu dianteiro e o para-lamas do veículo, quando o homem arrancou e passou a arrastá-la por aproximadamente 400 metros, informou o companheiro da vítima.
Como denunciar violência contra mulheres?
- Ligue 180 para ajudar vítimas de abusos.
- Em casos de emergência, ligue 190.
Onde procurar ajuda
A mulher em situação de violência de qualquer cidade de Minas Gerais pode procurar uma delegacia da Polícia Civil para fazer a denúncia. É possível fazer o registro da ocorrência on-line, por meio da delegacia virtual. Use o aplicativo "MG Mulher".
Locais de atendimento e acolhimento às mulheres
- Centros de Referência da Mulher
- Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência. Devem proporcionar o atendimento e o acolhimento necessários à superação da situação de violência, contribuindo para o fortalecimento da mulher e o resgate de sua cidadania.
O que é feminicídio?
Feminicídio é o nome dado ao assassinato de mulheres por causa do gênero. Ou seja, elas são mortas por serem do sexo feminino. O Brasil é um dos países em que mais se matam mulheres, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
A tipificação do crime é recente no Brasil. A Lei do Feminicídio (Lei 13.104) entrou em vigor em 9 de março de 2015. O feminicídio é o nível mais alto da violência doméstica. É um crime de ódio, o desfecho trágico de um relacionamento abusivo.
O que diz a Lei do Feminicídio?
- Art. 121, parágrafo 2º, inciso VI"Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:I - violência doméstica e familiar;II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher."
Qual a pena por feminicídio?
Segundo a Lei 13.104, de 2015, "a pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto; contra pessoa menor de 14 anos, maior de 60 anos ou com deficiência; na presença de descendente ou de ascendente da vítima".
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