O Bloco da Bôta, que teve sua primeira edição no sábado (14/2) de carnaval em Belo Horizonte, tem recebido críticas nas redes sociais. Internautas criticam a falta de organização e infraestrutura. Responsáveis pelo bloco se pronunciaram, rebatendo as críticas e alegando que aqueles que reclamam “não são bem-vindos”.

Derivado do Baile do Bôta, festa que existe há cinco anos em Belo Horizonte voltada para a música eletrônica brasileira, o bloco de mesmo nome teve a sua primeira edição realizada no carnaval deste ano. O bloco teve início às 16h no Bairro Carlos Prates, região Noroeste de BH. Segundo relatos de foliões, a Rua Teófilo Otoni, escolhida para a realização do cortejo, ficou pequena para a quantidade de belo-horizontinos e turistas que queriam curtir o som do paredão.

Foliões informaram que as ruas no entorno do bloco não foram fechadas e carros tentavam circular pelas vias que, por sua vez, estavam cheias de pessoas que tentavam chegar mais perto do trio. A superlotação também fez com que boa parte dos foliões não conseguisse ouvir a música e algumas pessoas chegaram a passar mal em meio à multidão, uma vez que era difícil se locomover contra o fluxo. Por volta das 18h, quando o bloco ficou realmente lotado, aqueles que não conseguiam curtir o som, desistiram e começaram a ir embora, dirigindo-se a outros blocos ou festas.

Um destino escolhido por muitos dos foliões “órfãos” do Bloco da Bôta foi o pós-carnaval ‘Alta Fidelidade’, na praça em frente à pizzaria Forno da Saudade, próxima ao local do bloco. A ideia foi tão popular que a praça também superlotou e foliões relataram dificuldade de deslocamento no local, tamanha a quantidade de pessoas.


Críticas

 


Nas redes sociais do bloco, internautas criticaram a falta de estrutura e organização do evento. “Pesadelo! Foi o pior bloco que eu já fui na minha vida. Desorganização, atraso, música que parecia sair de uma JBL mini, de tão baixa, as pessoas se amassando e a DJ dando close pro drone. Vergonha!” disse um dos comentários. “Bloco cheio, sem estrutura alguma”, disse outro. Muitos outros internautas manifestaram sua frustração com comentários como “lamentável” ou “decepção”.

Também houve elogios ao bloco. No entanto, mesmo aqueles que gostaram, argumentaram que o bloco deveria ter saído em uma rua ou avenida maior. “Cheio demais, a Rua Teófilo Otoni não comporta! Sucesso demais, ano que vem tem que ampliar!”, disse um. 

Em resposta, Bruna Brandão, DJ e uma das produtoras do Baile da Bôta, disse que a organização fez o que pôde com os recursos disponíveis e alegou que aqueles que reclamam são turistas, que não entendem o carnaval da cidade.

“Nossa, gente! Até hoje tem gay de São Paulo indo mandar DM no perfil da Bôta xingando a gente. Já se passaram 4 dias sabe? Vocês não são bem-vindos aqui! Entenda o contexto da cidade! Festas independentes não estão aqui pra te servir festival, fizemos o que deu com o que tínhamos”, disse.

Nos comentários, algumas pessoas apoiaram o posicionamento: “Paulistano é chato pra car***o. Sai de SP no carnaval pra reclamar do carnaval dos outros lugares. Se todos são péssimos e não estão à altura, é só ficar em SP né”; “Reclamaram de tudo! Até repertório dos blocos queriam escolher. Queriam tratamento VIP em blocos de rua, como se tivessem pagado ingresso pra entrar”.

Alguns outros comentários criticaram a posição do bloco em relação aos turistas e deram razão às reclamações: “A Bôta é incrível, a música maravilhosa e a energia, então (já fui pra BH só pro Arraial). Generalizar gay de SP é rude, pra não dizer bairrista. Deram nota de que alertaram a prefeitura do risco de lotação, cientes do perigo, não botar bloco na rua também é uma forma de assumir a responsa”.

Bloco é inspirado na figura encantada do boto cor-de-rosa e nas tradições das festas amazônicas Marcos Vieira/EM/DA. Press
Bloco da Bôta arrastou foliões na noite deste sábado em BH Marcos Vieira/EM/DA. Press
Bloco da Bôta arrastou foliões na noite deste sábado em BH Marcos Vieira/EM/DA. Press
Bloco da Bôta arrastou foliões na noite deste sábado em BH Marcos Vieira/EM/DA. Press
Bloco é inspirado na figura encantada do boto cor-de-rosa e nas tradições das festas amazônicas Marcos Vieira/EM/DA. Press
Bloco da Bôta transformou o carnaval mineiro num grande encontro entre o tecnobrega, o piseiro, o bregafunk, o funk e o eletromelody Marcos Vieira/EM/DA. Press

Procurada pela reportagem do Estado de Minas, Bruna Brandão relatou que solicitou à Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) que o bloco fosse realizado em uma via maior, mais compatível com a expectativa de público, e que a solicitação foi negada diversas vezes. A Belotur foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até o momento da publicação desta matéria.

Em relação aos turistas no carnaval de BH, Bruna afirma que acredita que são sim bem-vindos, desde que venham “de coração aberto”.

“Essa questão de ‘não são bem-vindos’ diz especificamente de quem não entende o contexto da cidade, não entende o contexto do nosso carnaval, que surgiu da resistência. E que não entende que o próprio movimento de muitos blocos, em especial os blocos LGBTQIA+, vem de uma construção que se dá ao longo do ano todo com uma comunidade que tá apoiando, muitos deles com financiamento coletivo. Acho que quem vem sem entender esse contexto e depois vai na internet xingar como se tivesse comprado um ingresso do Lollapalooza e não tivesse conseguido ouvir o som… aí realmente… essa coletividade não foi feita para ser compartilhada com esse tipo de pessoa que acha que está adquirindo um produto” afirmou.

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice

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