Uma bailarina que virou substantivo e também bloco de carnaval. O Maria Baderna desfilou nesta terça-feira (17/2), último dia de carnaval, trazendo a alegria da cidade vizinha Contagem para as ruas do Bairro Santa Tereza, Região Oeste da capital mineira.
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O nome do bloco é uma homenagem à bailarina Marietta Baderna que, aos 21 anos, migrou para o Brasil, em 1849, com seu pai – o músico republicano Pietro Baderna – para fugir da repressão política na Itália, após o fracasso de revoltas populares que defendiam o fim das monarquias na Europa.
No Brasil, ela incorporou ritmos e bailarinos africanos em suas performances, chocando a sociedade escravocrata e, dando origem ao termo "baderna", usado à época pela elite para classificar, de maneira pejorativa, o barulho que seus fãs faziam em protesto contra a perseguição que a bailarina sofria.
O bloco foi criado em 2013, na cidade de Contagem, na Grande BH, e desfila, desde 2014, na capital mineira. Fundador do Maria Baderna, Hugo Eduardo Honorado de Oliveira, de 40 anos, produtor cultural e artista visual, conta que a criação do bloco surgiu quando um grupo de artistas e produtores culturais estavam se organizando para reivindicar melhorias na cultura da cidade e foram tachados de baderneiros por um funcionário da Prefeitura de Contagem.
"Daí fomos pesquisar a origem da palavra baderna e descobrimos essa história muito interessante que é dessa bailarina italiana que veio para o Brasil, o nome dela era Maria Baderna. Ela resolveu misturar o balé clássico com as danças afro-brasileiras, com as danças dos escravizados nas ruas. A elite não gostou, achou aquilo um absurdo, e começou a boicotá-la nos palcos", disse.
Defesa das mulheres
"Antes disso, Maria Baderna era muito aclamada, muito amada, mas, quando ela fez essa mistura, a elite ficou com preconceito, resolveu boicotar. Foi quando os fãs começaram a protestar a favor da Baderna, batendo o pé no teatro, fazendo bagunça, uma baderna. Foi então que o sobrenome dela, literalmente, passou a ser usado para chamar seus fãs de baderneiros", completou Hugo.
De acordo com ele, ser chamado de baderneiro é uma honra para o bloco, cuja proposta é inclusão e ocupação de espaço público. "Nossa proposta é reunir baderneiros, no sentido excelente da palavra, que é a pessoa que se revolta, que protesta , que combate o preconceito e o racismo."
Fazendo justiça ao sobrenome da bailarina italiana, o bloco fez um desfile marcado pela defesa do fim da violência contra as mulheres, marcado pela presença de bonecos gigantes .
"Parem de nos matar" e "Sonhamos um mundo onde as mulheres possam caminhar sem medo", eram as frases de alguns dos estandartes do bloco, uma referência à escalada de feminicídios e violência de gênero que vêm sendo registradas no Brasil.
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O desfile também contou ainda com uma bandeira da Palestina
