Laura Scardua e Mariana Costa
Os corpos de Nathielly Kamilly Fernandes Faria, de 16 anos, e de Ione Ferreira Costa, de 56, foram liberados do Instituto Médico-Legal André Roquette (IML) na tarde desta quinta-feira (5/2), de acordo com a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Elas foram mortas a tiros em uma padaria em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na noite dessa quarta-feira (4/2). O crime também resultou na morte de Emanuelly Geovanna, de 14 anos. Ela morreu nesta quinta-feira (5/2) no Hospital Risoleta Neves, onde estava internada em estado grave. Até o momento, um adolescente de 17 anos, ex-namorado de Nathielly, foi detido sob suspeita de ser o autor dos homicídios.
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Nathielly era funcionária do estabelecimento comercial e Ione era cliente. Os corpos passaram por exames no IML. Conforme boletim de ocorrência da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), os militares chegaram à padaria, localizada no Bairro Lagoa, na noite de quarta-feira, e encontraram as duas já mortas.
Informações preliminares da corporação indicam que a funcionária foi atingida na cabeça e no braço. A cliente teria sido alvejada com dois tiros nas costas. Pessoas que estavam no entorno da padaria contaram à polícia que Ione era uma pessoa pacata e trabalhava em um sacolão próximo ao local do crime.
Segundo a PMMG, a menina Emanuelly teria sido atingida por três tiros, um na cabeça, um no braço direito e um na perna direita. Após ser ferida, ela foi encaminhada ao Hospital Risoleta Neves em estado grave. A morte da menina foi confirmada pelo pai, Gleidson Seabra, também dono do estabelecimento, em entrevista dada à imprensa na tarde de ontem (5/2).
“Estou desesperado, estou sem chão”, disse. Gleidson contou que tinha esperanças de que a filha sobrevivesse. A menina trabalhava na padaria durante as férias para ajudar o pai.
Testemunha
No momento do crime, a irmã mais velha de Emanuelly também estava na padaria. À polícia, a jovem relatou que o autor do crime entrou no estabelecimento utilizando uma touca e capacete e desferiu os primeiros tiros contra Nathielly. Em seguida, teria disparado contra Ione, cliente do comércio, e, depois, em Emanuelly. O suspeito fugiu do local em uma moto.
A testemunha, que também estava trabalhando na padaria do pai, contou ainda que implorou para que o autor do crime não a matasse. Conforme registro policial, em resposta, o homem teria sorrido para ela e feito “um gesto de deboche, colocando os polegares nas bochechas e mostrando a língua.” Segundo Gleidson, a filha mais velha está em estado de choque.
Para a PMMG, a reação que o autor do crime teve pode indicar que ele conhecia a testemunha. O motivo pelo qual ele não atirou contra ela também será investigado.
Suspeito
Até o momento, o suspeito de cometer o crime é um adolescente de 17 anos, ex-namorado de Nathielly. Ele foi detido pela PMMG e encaminhado à delegacia de Polícia Civil em Ribeirão das Neves. O jovem passou por audiência de custódia, segue detido e aguarda vaga para ser encaminhado a um centro socioeducativo.
Ao Estado de Minas, a mãe do suspeito alegou que o filho não foi o autor dos homicídios. Segundo a mulher, ela e o filho estavam na casa da avó do jovem e que câmeras de segurança de um vizinho registraram os momentos em que o adolescente saiu e voltou para a residência naquela noite de bicicleta. De acordo com a mulher, ela pediu ao filho que fosse a uma mercearia próxima comprar cigarros, e ele teria retornado em poucos minutos.
A mãe alega ainda que a padaria onde o crime ocorreu fica longe do local onde estavam, o que impossibilitaria o deslocamento e o retorno no tempo registrado pelas imagens. Ela afirma possuir o comprovante da compra realizada pelo jovem.
Informações preliminares indicam que a testemunha do crime também não acredita que o adolescente detido seja o autor dos disparos, visto que as características físicas não seriam condizentes. Em contrapartida, pessoas que estavam no entorno do comércio no momento do ataque disseram à polícia que o ex-namorado de Nathielly teria ido ao local e, por ciúmes, iniciado uma discussão antes dos tiros. Elas relataram ainda que Emanuelly e Ione teriam se envolvido na discussão para defender a adolescente.
Também foi informado à corporação que o celular de Nathielly, apreendido no local do crime, teria sido retirado da padaria, levado para um bar próximo e devolvido ao estabelecimento. Não há detalhes sobre quem teria sido o responsável por essa suposta mudança.
Foi com base nos depoimentos que a PMMG iniciou as diligências para tentar encontrar o ex-namorado da vítima. Após localizar o suspeito, os militares informaram que houve contradições entre os familiares do adolescente, que “não souberam informar o momento em que ele havia chegado à residência”, conforme boletim de ocorrência. Os policiais também apreenderam um celular que seria do suspeito.
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O crime está sob investigação. Até o momento, o caso não é tratado como feminicídio. “A princípio, em sede de plantão, o suspeito foi autuado por homicídio qualificado por motivo fútil, mas, no curso das investigações, serão realizadas todas as diligências necessárias à elucidação do caso”, informou a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em nota.
