Já foi dada a largada oficial do carnaval 2026 em Belo Horizonte, que segue até 22 de fevereiro, com expectativa da Prefeitura de receber seis milhões de foliões e movimentar cerca de R$ 1 bilhão na economia da cidade. Ao todo, 612 blocos devem ir às ruas em 660 desfiles por todas as regiões da capital.
Apesar do clima de festa, segurança e consumo excessivo de álcool aparecem como as maiores preocupações do público. É o que mostra a pesquisa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), realizada entre 14 e 16 de janeiro com 200 consumidores. Entre os pontos negativos do carnaval, 18,6% citaram a pouca segurança e 14% mencionaram o uso excessivo de bebidas alcoólicas por foliões. Também aparecem na lista queixas como falta de transporte, poucos banheiros, aglomerações, brigas, trânsito, lixo, assédio sexual e furtos.
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Mesmo assim, os blocos de rua seguem como a principal escolha de quem vai cair na folia: 58,1% dos entrevistados pretendem curtir os desfiles gratuitos. Os gastos com fantasias e adereços devem ficar entre R$ 100 e R$ 150, enquanto as despesas com bebidas podem chegar a cerca de R$ 70 por dia. O transporte por aplicativo será o principal meio de locomoção (41,9%), seguido por ônibus e metrô (27,9%).
Diante desse cenário, as forças de segurança reforçaram o planejamento e as orientações ao público. O comandante da 1ª Região da Polícia Militar, coronel Ralfe Veiga de Oliveira, afirmou que a corporação estará presente em todos os pontos de festa. “A Polícia Militar estará presente em todos os locais de eventos. É um planejamento muito bem pensado e estruturado, que começou a ser construído há muitos meses”, disse.
Segundo ele, o efetivo foi definido com base em critérios técnicos, levando em conta o porte e a duração de cada evento. “O respeito ao tempo de duração de cada evento é fundamental e é um dos motivos do sucesso do carnaval de Belo Horizonte”, destacou.
Além do policiamento nos locais de folia, haverá reforço nos grandes corredores e intensificação do policiamento ordinário. Unidades especializadas, como Choque, Rotam, Bope e Roca, também atuarão em aglomerados e vilas. “O Comando de Missões Especiais terá um papel importante nos aglomerados, vilas e favelas, para evitar problemas relacionados ao crime organizado”, afirmou.
A PM também aposta em tecnologia para prevenir crimes. “Teremos cerca de 40 drones por dia empregados exclusivamente nos eventos de carnaval para auxiliar na prevenção e identificação de crimes”, disse o coronel. Segundo ele, os equipamentos também serão usados para identificar eventos clandestinos e pessoas com mandado de prisão em aberto ou descumprindo medidas judiciais. “Vamos usar drones para identificar eventos clandestinos, que trazem uma série de problemas, como a ausência do Estado e a possibilidade de ocorrência de crimes”, completou.
Integração das forças e comando da operação
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) destacou que o planejamento começou logo após o fim do carnaval passado e que a estratégia é baseada na integração entre os órgãos. Segundo o subsecretário Bernardo Pinto Coelho Naves, o trabalho é conjunto para dar conta do volume de pessoas nas ruas. “É um trabalho feito a muitas mãos, com integração entre as forças de segurança, a Prefeitura e os órgãos de fiscalização”.
Ele explicou que haverá reforço no modelo de comando e controle, com uso de tecnologia em pontos estratégicos da cidade. “Teremos carretas do Centro Integrado de Comando e Controle móvel em pontos de grande aglomeração, com tecnologia como câmeras, reconhecimento facial e drones”, disse. De acordo com Naves, o Centro Integrado de Comando e Controle do Estado vai atuar com atenção especial para Belo Horizonte, em articulação com o COP da prefeitura e os demais centros de operações.
Polícia Civil reforça atendimento
A Polícia Civil informou que colocou todo o efetivo à disposição para atender foliões e turistas durante o carnaval. Segundo Luiz Paiva, o foco é garantir rapidez e qualidade no atendimento. “Temos 100% do efetivo da Polícia Civil à disposição dos foliões e turistas para garantir um atendimento célere, eficaz e com qualidade”, afirmou.
Ele destacou ainda a ampliação da estrutura na capital, com novas unidades e reforço nas delegacias de plantão. “Inauguramos a Delegacia Especializada de Proteção ao Turista, no circuito da Praça da Liberdade, e abrimos novas unidades no centro e em Venda Nova para ampliar a capacidade de atendimento”, disse. Também houve reforço na perícia: “Ampliamos a capacidade de atendimento da perícia técnica criminal, com mais peritos criminais e médicos-legistas”.
Recomendações ao folião
O comandante da PM reforçou que parte da segurança depende do comportamento do público. “A parte de comunicação é muito importante. O público precisa estar bem orientado”, disse.
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Evitar ir de carro particular e priorizar transporte público, táxis ou aplicativos;
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Não dirigir após consumir bebida alcoólica;
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Planejar o deslocamento até os locais de evento com antecedência;
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Manter celulares, carteiras e outros objetos de valor sempre próximos ao corpo;
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Evitar deixar pertences expostos ou em bolsos de fácil acesso;
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Ficar atento ao redor e desconfiar de situações estranhas, especialmente em locais cheios;
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Se sair de casa, deixar tudo bem fechado e, se possível, avisar um vizinho.
Combate ao assédio
Uma das preocupações apontadas na pesquisa é o assédio sexual, citado por 7% dos entrevistados entre os pontos negativos da festa. Para enfrentar o problema, a PM vai reforçar o atendimento às vítimas. “Nos grandes eventos, teremos centros de registro de ocorrências com policiais preparados para o acolhimento das mulheres”, explicou o coronel Ralfe Veiga.
Além disso, casos de importunação sexual e violência contra a mulher poderão ser atendidos pela Cabine Rosa, que funcionará dentro do Centro de Operações da Polícia Militar, com duas cabines, 24 horas por dia, e atendimento exclusivo de policiais femininas treinadas. A mulher poderá acionar o serviço pelo 190 ou pelo aplicativo Emergência MG, na aba “Proteção à Mulher”. “Qualquer chamada ao 190 envolvendo ofensa à dignidade da mulher ou importunação sexual será direcionada para a Cabine Rosa, com atendimento feito por policiais femininas treinadas”, afirmou.
Planos para grandes multidões
Do lado do Corpo de Bombeiros, a coordenadora do carnaval 2026, coronel Amanda Cristina Miranda, explicou que houve revisão das normas e criação de planos específicos para os maiores blocos. “Hoje temos 16 blocos acima de 100 mil pessoas, e cada um deles passou a ter um plano de evacuação individualizado”, disse. Segundo ela, os planos são pensados de acordo com o trajeto e as características de cada região. “A população pode ficar tranquila: se for necessário acionar esses planos, tudo será feito com comunicação direta e orientação clara”, afirmou.
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Para a coordenação, parte dos transtornos é inevitável em um evento desse tamanho, mas pode ser minimizada com organização e colaboração do público. “Alguns transtornos são naturais em um evento dessa dimensão, mas pedimos que a população receba isso com tranquilidade, porque as autoridades estarão atuando para resolver os problemas”, disse.
