RECONHECIMENTO

Bloco de carnaval recebe título 'inédito' de relevância cultural de Minas

Fundado em 1949, o Paraíso dos Moralistas nasceu ironizando a censura da época e se consolidou como símbolo do carnaval e da memória de Sabará, na Grande BH

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Criado em 1949 a partir de uma provocação bem-humorada à censura, o bloco caricato Paraíso dos Moralistas, de Sabará, na Grande BH, tornou-se o primeiro de Minas Gerais a receber o título de Relevante Interesse Cultural, concedido pelo governo do estado, por meio da Lei nº 25.589, de 4 dezembro de 2025.

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A homenagem reconhece quase oito décadas de tradição, resistência e vínculo afetivo com a cidade histórica, onde o desfile reúne gerações de foliões ao som de marchinhas.

O título visa proteger patrimônios materiais e imateriais, reforçando a identidade local e ajudando, por exemplo, a conseguir incentivos financeiros privados ou governamentais, como a Lei Rouanet. “O reconhecimento estadual representa a consolidação de uma trajetória construída coletivamente”, afirma o diretor de patrimônio do bloco, Omar Carvalho.

A proposta foi feita pelo deputado estadual e presidente da Comissão de Cultura do estado, Professor Cleiton, e foi a primeira concedida a um bloco caricato em Minas Gerais. A aprovação do projeto de lei abriu as portas para outras agremiações serem agraciadas com a mesma honraria, vide o bloco Zé Pereira da Chácara, de Mariana, Região Central de Minas Gerais. 

Paraíso dos moralistas

A origem do bloco vem do imaginário popular de Sabará. Segundo Carvalho, em 1949, quatro jovens reunidos em um bar do teatro da cidade decidiram fundar mais um grupo para animar o carnaval.

O primeiro nome sugerido, Bloco dos tarados, foi vetado pelo delegado da época, capitão Agostinho, sob o argumento de que a cidade, por ser histórica e religiosa, não poderia abrigar um bloco com aquela denominação.

De volta ao bar, entre conversas e cervejas, surgiu o Paraíso dos moralistas, nome então aprovado.

No documento, guardado até hoje, havia uma recomendação curiosa: os responsáveis não poderiam permitir a participação de pessoas bêbadas. Segundo Carvalho, anualmente, o bloco se prepara para o desfile com muita cerveja.

O grupo desfila tradicionalmente no domingo e na terça-feira de carnaval, partindo das proximidades do chafariz do Kaquente até a Rua Dom Pedro II, no Centro Histórico, que costuma ficar tomada de foliões. 

 

Marchinha que virou hino da cidade

Quando o bloco completou 50 anos, o músico sabarense Roberto Nazareth compôs uma marchinha comemorativa que se tornou um hino extraoficial não apenas do Paraíso dos Moralistas, como do próprio carnaval da cidade, sendo tocada por todos os blocos.

A letra faz referência a costumes antigos, como o “tapa na boca” — em que o feijão tropeiro era servido diretamente na mão e levado à boca em meio à confraternização antes do desfile —, e às formas improvisadas de afinar instrumentos, aquecendo o couro sobre folhas de jornal acesas no chão.

A canção é tocada até hoje na descida da Rua Dom Pedro II. A cada aniversário, o número de anos é atualizado na letra, acompanhando a trajetória do grupo, que, em 2026, celebra 77 anos de fundação.

Em 1989, quando carros de som foram proibidos na cidade, integrantes improvisaram um com as próprias mãos: conseguiram um carrinho de pedreiro com rodas extras, montaram uma torre com alto-falantes, bateria e equipamento de som.
Em 1989, quando carros de som foram proibidos na cidade, integrantes improvisaram um com as próprias mãos: conseguiram um carrinho de pedreiro com rodas extras, montaram uma torre com alto-falantes, bateria e equipamento de som. Jornal Folha de Sabará/Reprodução

Tradição mantida por voluntários

Com cerca de 25 integrantes na formação musical — entre 16 e 18 instrumentistas de sopro e o restante na bateria —, o bloco mantém uma característica que, segundo o diretor do grupo, não é comum: não remunera os músicos.

A maior parte deles integra a tradicional banda Santa Cecília, de Sabará, e participa por carinho e compromisso com a história local, diz Carvalho. O repertório privilegia marchinhas e sambas antigos, além de hinos de clubes da cidade.

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata

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