O prazo para o garantir o desconto de 7% no valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) 2026 termina nesta sexta-feira (30/1), mas, apesar do benefício atrativo, nem todos estão convencidos de que essa seja a melhor opção. Em um cenário de juros elevados, com a taxa Selic em 15% ao ano, muitos fatores devem ser levados em conta, sendo o principal a disponibilidade de dinheiro para quitar o tributo.

O desconto é oferecido para pessoas que adiantarem pelo menos duas parcelas das 11 que têm de ser pagas ao decorrer do ano, e segundo o advogado especialista em direito imobiliário Marcelo Marçal, ele é positivo, porém precisa ser analisado com cautela. “Não existe uma única resposta. A decisão de pagar ou não à vista ou determinado número de parcelas deve levar em conta o perfil financeiro do contribuinte, se ele tem reserva financeira, onde o dinheiro está aplicado e se haverá necessidade desse recurso ao longo do ano”, explica.

Para quem mantém o dinheiro aplicado na caderneta poupança e não pretende utilizá-lo durante o ano, por exemplo, pagar o IPTU à vista costuma compensar. Segundo Marçal, a aplicação rende, em média, entre 0,5% e 0,6% ao mês, o que representa cerca de 6% ao ano. “Nesse caso, o desconto de 7% é superior à rentabilidade da poupança. O ganho não é grande, mas existe”, afirma o especialista.

Em um IPTU de R$ 1 mil, por exemplo, pagar parcelado renderia cerca de R$ 60 em um ano na poupança, enquanto o desconto à vista garante economia de R$ 70. Além disso, se o contribuinte usar o valor investido para pagar as parcelas, o montante vai diminuindo mês a mês, reduzindo ainda mais o rendimento final.

Já para quem aplica recursos em Certificado de Depósito Bancários (CDB) com liquidez diária, o cenário muda. Com a Selic elevada, esses investimentos podem render próximo de 1% ao mês. Mesmo considerando a cobrança de Imposto de Renda regressivo, a rentabilidade líquida em 12 meses pode chegar a cerca de 8% ao ano.

“Em termos matemáticos, o CDB tende a superar o desconto da prefeitura, mas a diferença também é pequena”, explica Marçal.

Novamente tomando por base um IPTU de R$ 1 mil, a economia com o desconto seria de R$ 70, enquanto o rendimento líquido do CDB ficaria em torno de R$ 80. “É uma vantagem real, porém pouco significativa”, resume.

Por isso, nesse caso, pode fazer sentido manter o dinheiro aplicado e ir resgatando mensalmente para pagar as parcelas do imposto.

Se a ideia for recorrer ao cheque especial para aproveitar o desconto, o advogado é categórico: não vale a pena em hipótese alguma. “Os juros do cheque especial chegam a 30% ao ano. Não faz sentido assumir uma dívida tão cara para obter um desconto de 7%”, alerta.

Segundo ele, é mais saudável financeiramente parcelar o IPTU sem desconto do que se endividar. “É uma prática altamente desaconselhável, pois pode virar uma bola de neve no orçamento familiar”, reforça.

Em todos os casos, também é necessário considerar o pagamento do imposto de renda – cobrado de acordo com a renda bruta anual do contribuinte – o que pode diminuir o rendimento final do investimento. Maçal reforça que o impacto é o mesmo, independentemente do valor do IPTU. Apesar disso, é inegável que o valor final daqueles que investirem mais será mais vantajoso.

Perfil do contribuinte

Além da questão matemática, o especialista destaca o fator comportamental também influencia na hora da tomada de decisão. “Muita gente prefere pagar à vista para se livrar da dívida logo no início do ano. Esse alívio psicológico também conta bastante”, observa.

Segundo ele, a maioria dos contribuintes em Belo Horizonte ainda opta pelo parcelamento. Com os juros altos, a tendência é que a adesão ao pagamento à vista seja menor em 2026. “O desconto é bom, mas não é milagroso. Ele ajuda, mas não muda radicalmente a vida financeira de ninguém”, conclui.

O IPTU pode ser parcelado em até 11 vezes, com vencimento todo dia 15, a partir de fevereiro. As guias devem ser emitidas apenas pelos canais oficiais da prefeitura, para evitar golpes.

Valor do imposto

O especialista explica que o IPTU não pode aumentar em nenhuma cidade brasileira sem que haja antes uma alteração na legislação. O aumento notado no valor se dá pela atualização com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que reflete a inflação oficial do país.

Com o desconto, a Prefeitura de Belo Horizonte e a de outras cidades abrem mão dão o desconto com o objetivo de começar o ano com um reforço no caixa. Com isso, podem honrar compromissos sem buscar empréstimos ou pagar dívidas contraídas anteriormente.

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Paulo Galvão

 

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