Desde o último domingo (25), moradores de Minas Gerais, especialmente de Ouro Preto e Congonhas (Central), convivem com o medo, diante de mais um episódio de risco envolvendo estruturas da mineradora Vale. No entanto, há dúvidas sobre os termos técnicos usados pela própria empresa e pelas autoridades para explicar o evento.
Leia Mais
Em primeiro lugar, é preciso entender as diferenças entre extravasamento e rompimento de uma estrutura de mineração.
Segundo a Vale, houve "extravasamentos de água identificados em Congonhas (Mina de Viga) e Ouro Preto (Mina de Fábrica)". Os extravasamentos, diferentemente dos rompimentos, não representam danos diretos às estruturas.
Ou seja, pelas versões da empresa e das autoridades, a mistura de água e sedimentos superou a capacidade máxima dos equipamentos, o que causou os vazamentos noticiados.
Quando há rompimento, como aconteceu com as barragens de Brumadinho e Mariana, respectivamente em 2019 e 2015, os equipamentos apresentam danos estruturais, causando consequências de grandes proporções. Na divisa entre Congonhas e Ouro Preto, apesar do susto e do medo gerado, não houve vítimas.
"A Agência Nacional de Mineração (ANM) esclarece que não houve ruptura, colapso ou comprometimento de estruturas de barragens ou pilhas de mineração nas ocorrências registradas em áreas da Vale", informou o governo federal.
Sedimentos ou rejeitos?
Outra dúvida comum diz respeito ao conteúdo vazado das estruturas das minas de Viga (Congonhas) e de Fábrica (Ouro Preto), no último fim de semana. A Vale alega que o problema ocasionou o vazamento de "água com sedimentos".
Leia Mais
Tecnicamente, sedimentos são sinônimos de terra, ou seja, pela versão da empresa, não houve liberação de rejeitos de mineração.
No entanto, para o governo de Minas, houve “carreamento de sedimentos e assoreamento de cursos d´água afluentes do Rio Maranhão”, que deságua no Rio Paraopeba, já arrasado pela tragédia de Brumadinho.
Essa divergência nas versões da Vale e do governo é fundamental pelo dano potencial associado. Quando há despejo de rejeitos, como alegado pela gestão Romeu Zema (Novo), os danos aos mananciais de água são maiores do que no caso dos sedimentos.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) determinou, inclusive, que a empresa “cumpra imediatamente uma série de medidas emergenciais, incluindo ações de limpeza do local afetado, assim como o monitoramento do curso d´água atingido”.
