Os últimos dias de 2025 e o primeiro de 2026 são de apreensão para os moradores da Favela do Pau Comeu, no Bairro São Lucas, região Leste de Belo Horizonte (MG), graças a uma ameaça feita por uma mensagem em redes sociais, uma espécie de alerta que soa como um toque de recolher.

O Morro do Pau Comeu, a favela mais antiga da capital mineira, que abrigou os trabalhadores que ajudaram na construção de BH, nas décadas de 1880 e 1890, é mais um ponto de disputa na guerra do tráfico.

O local é considerado estratégico para a distribuição de mercadorias ilícitas, uma vez que dá acesso à região leste, região sul e área central e, consequentemente, à zona norte da capital.

As facções tentam dominar aquele espaço, mas têm encontrado certa resistência de grupos de traficantes que comandam a favela e, de certa forma, conseguem dar tranquilidade aos moradores.

Em 2025, foram registradas mortes de integrantes ligados ao Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Primeiro Comando Puro (PCC).

A morte mais recente é de Júlio César Ferreira Peixoto, de 33 anos, o “Grandão”, que era tesoureiro do Terceiro Comando Puro (TCP), e irmão do chefe do tráfico na região. Ele foi assassinado a tiros, dentro de um VW Virtus, na Avenida Carandaí, no Bairro Funcionários, em 20 de dezembro.

Dentro do carro, foi encontrada uma carta, citando a disputa de três facções por pontos de drogas em Belo Horizonte. Este crime desencadeou a operação Dominus pela Polícia Militar, no Pau Comeu e Aglomerado da Serra, em 23 de dezembro passado. 

O irmão de Júlio César, um homem de 37 anos, foi preso na Pedreira Prado Lopes, alguns dias antes desse crime. Os irmãos eram moradores da Cabana do Pai Thomaz, onde se refugiaram quando do início da guerra do tráfico.

No dia da Operação Dominus, o vice-governador Mateus Simões deu declaração reconhecendo a disputa dentro da favela.

“A Serra se transformou em um espaço de disputa das três organizações criminosas que atuam em Belo Horizonte: Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e o Primeiro Comando da Capital. Elas disputam a entrada dentro do aglomerado da Serra, que até então vinha sendo conduzido por grupos criminosos locais de menor potencial estruturado. Mas nós não permitiremos que a Serra seja ocupada de nenhuma forma por essas organizações que estão tentando se instalar em BH”.



Recado

O recado enviado pelas redes sociais, sem autoria identificada, de qual facção, diz, com erro de português: “Importante. Moradores do região do Pau Comeu. Favela Aglomerado da Serra. FIQUEM EM CASA - destacado. Muito tiro na favela”.

Esta é a confirmação de que a periferia de Belo Horizonte é alvo de facções criminosas, que disputam pontos de vendas de drogas. São muitos os casos de tiroteios e mortes no Morro da Pedras, Pedreira Prado Lopes, Taquaril, Morro do Papagaio, Barreiro e Venda Nova.

Polícia Militar

A Polícia Militar informa que mantém o policiamento ostensivo, 24 horas por dia, através do 22º BPM, em toda a região do Aglomerado da Serra. O foco é a prevenção e redução da criminalidade. 

E divulgou nota sobre a mensagem que circula pelas redes sociais. A nota diz que “Quanto à mensagem veiculada nas redes sociais sobre a ocorrência de tiroteio na região conhecida como Pau Comeu, no Aglomerado da Serra, a PMMG informa que o conteúdo teve origem em uma ocorrência registrada no dia 27/12 e que circulou nas redes sociais à época dos fatos, não havendo correlação com fatos atuais.

O policiamento ordinário na localidade segue sendo executado pelas equipes do Tático Móvel e do Grupo Especial em Policiamento em Área de Risco (GEPAR), bem como pelas equipes de rádio e Motopatrulhamento."

Ainda segundo a nota, "A Polícia Militar reforça a importância da participação da comunidade nos esforços de prevenção e repressão ao crime, incentivando que informações relevantes sejam repassadas pelos telefones 190 (emergências) e 181 (Disque Denúncia).

A PMMG reitera seu compromisso com a segurança pública e com a tranquilidade dos cidadãos, mantendo ações permanentes de policiamento preventivo e repressivo em defesa dos direitos da população."

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