A convite do Estado de Minas, três jovens mineiros se encontraram na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul da capital, para falar sobre o presente e o futuro. Vislumbrando um mundo de possibilidades na vida profissional, o encontro reuniu Júlia Macêdo Teixeira, de 23 anos, recém-formada em odontologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Roany Cistellis Silva Domingos, da mesma idade, que tem pela frente, também na Federal, o último ano no curso de enfermagem, e Otávio Henrique Lara Viana, de 24, perto de concluir o curso de educação física pela UFMG.
“Estou começando a vida profissional. Foi um caminho de muito estudo, e quero me esforçar ao máximo para trabalhar por uma odontologia efetiva, universal e humana”, ressalta, com determinação, a belo-horizontina Júlia, moradora do Bairro Floresta, na Região Leste da capital. Com tal propósito, ela acredita que contribui para aprimoramento da saúde.
Se o Brasil não é mais um país de desdentados, como ocorria há décadas, muito se deve às campanhas de prevenção. “Foi um fator decisivo para saúde bucal”, acredita a recém-formada, citando uma frase que, de certa forma, sintetiza o clima que “deve” imperar em 2026: “O sorriso é a língua que todo mundo entende”. O verso é de uma música do cantor e compositor Emicida. Refletindo sobre o trecho da canção e trazendo-a para a atualidade, Júlia lembra que a polarização na política e em outras esferas só entristece o país. “Precisamos de um país sorridente, com união e respeito.”
Importante mesmo, assegura a odontóloga, é o fortalecimento dos valores familiares: “Devemos renovar os laços para não perdermos a essência”.
IMERSÃO NA PRÁTICA
Moradora de Ribeirão das Neves, na Grande BH, Roany tem mais um ano de estudos, após quatro na UFMG, para concluir o curso de enfermagem. “Este 2026 será de muito trabalho, pois tem o estágio obrigatório, para imersão na prática.” “Mas dará tudo certo”, garante. Interessada nas áreas de assistência e docência, ela cita os cinco pilares da profissão escolhida, que considera “sagrados”: assistir, administrar, ensinar, pesquisar e participar politicamente.
Sobre o último aspecto, falando de forma ampla, Roany vê como necessidade a consciência para votar eterconquistas coletivas neste ano de eleições. “As pessoas precisam escolher seus representantes com sabedoria, pensando sempre num país mais próspero.”
Ofício da maior importância na sociedade, a enfermagem ganhou ainda mais visibilidade durante a pandemia, cujo início está perto de completar seis anos no Brasil. Mas esse não foi o fator decisivo na escolha de Roany, filha única de João Roberto Domingos e Janaína Domingos. “Minha decisão foi baseada num conselho do meu pai. Eu queria a área da saúde, mas não sabia o que colocar na opção de curso no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Então, optei por enfermagem, e só fui amar de fato o curso a partir do 5º período, quando comecei atera vivência prática, contato com o paciente. Vi que enfermagem está além da assistência. Somos protagonistas do cuidado, por isso, levei adiante e vou me formar com a certeza de que quero ser enfermeira.”
TEMPOS DE PAZ
Também da área de saúde e tendo o vôlei como esporte favorito, Otávio Henrique quer mais é “bola pra cima” em 2026, quando vai se formar em educação física. “Será minha grande conquista. Estou terminando as pesquisas do TCC (trabalho de conclusão de curso), fazendo estágio, enfim, o mundo não para”, diz o morador de Santa Luzia, na Grande BH, que entrou na UFMG em 2021. A expectativa é de fazer a defesa do trabalho em julho e, então, pensar em novos rumos na vida acadêmica e nos caminhos profissionais.
Se a Terra não para de girar, é preciso correr atrás, certo? “Sim”, explica Otávio, ainda mais em tempos difíceis para a humanidade. “Espero que haja mais paz e união neste ano, pois todo mundo – e todo o mundo – está precisando demais”.
DE MINAS PARA A CHINA, NAS
ASAS DO CONHECIMENTO
Se Júlia Macêdo, Roany Cistellis e Otávio Henrique seguram, com garra, as oportunidades que o mundo lhes oferece, Arthur Augusto Lara Matos, de 17, está se preparando para conquistá-lo. Prestes a ingressar no terceiro ano do Colégio Técnico (Coltec), da UFMG, ele tem novos horizontes abertos em 2026. Em julho, embarca para a China, como bolsista de um programa do Instituto Confúcio, parceria entre a Federal de Minas Gerais e a Huazhong University of Science and Technology (Hust), na cidade de Wuhan.
“Resta apenas uma etapa para fechar o processo”, adianta o jovem, natural de Sete Lagoas, na Região Central do estado. Enquanto isso, passa os feriados com a família, numa cidade próxima. “Meu sonho é estudar fora do Brasil”, diz Arthur, que partiu para BH com o intuito de estudar e se especializar em ciência da computação.
Fluente em mandarim e inglês, e trabalhando em uma iniciação científica na Olimpíada Mineira de Química, Arthur não duvida de que esteja no caminho certo. Para mostrar a “rota do saber”, escreveu “Feliz ano novo”, em mandarim e português, numa mensagem especial aos leitores do EM. E ilustrou o cartaz com o desenho de um cavalo, símbolo do novo ano chinês.
VIDA NOVA EM 2026
o casal Artur Murta Reis e Sara Terceti Teixeira, que espera COM ESPERANÇA, para fevereiro, a chegada da primeira filha, Júlia: "desejamos que ela nunca fique distante de deus e que viva na fé"
A vida pulsa no ventre de Sara, e o rosto de felicidade da futura mamãe traduz toda a alegria do mundo pela espera da primeira filha, Júlia, que chegará em fevereiro. “Se 2025 foi de novidade e realizações, este será de adaptações”, diz, com segurança, Sara Terceti Teixeira, casada desde março com Artur Murta Reis. “Não houve nem tempo direito de curtirmos a vida a dois, pois, em maio, soubemos da gravidez. O nascimento será nossa grande conquista em 2026... E, os votos, de muita felicidade em família”, afirma o marido, com satisfação. Com os novos tempos, o casal fez uma reforma no apartamento e trocou de carro. “Estava passando da hora”, ele avisa.
A vida de Artur, empresário, e Sara, atendente de uma locadora de veículos, se encontra tão focada na gestação que eles, com bom humor, revelam que até se esqueceram da Copa do Mundo e das eleições. “Nem estava lembrando disso, acredita?”, confessa o marido, que recebe um sorriso da esposa: “Nem eu!” Mas a realidade está presente, e os olhos do casal se mostram atentos para garantir a tranquilidade da família. “Sou preocupado com a necessidade de educação e cultura para o povo brasileiro, e que valores fundamentais para a humanidade, como o amor ao próximo, não sejam desvirtuados”, ele observa.
Católicos, Artur e Sara querem educar a filha com a firmeza da devoção em Deus. “Desejamos que a Júlia nunca fique distante de Deus e que viva na fé”, diz Artur, ao passar, ternamente, as mãos sobre a barriga de sete meses da mulher. “Minha meta é continuar com saúde para que o bebê nasça forte e saudável”, complementa Sara, admirando a imensidão verde existente na região onde mora, em Santa Luzia, na Grande BH.
SONHOS QUADRUPLICADOS
Cayo Luiz Barros com o filho José e a mulher Jennifer Ariene Rodrigues, também mãe de Bernardo: planos e projetos para o novo ano incluem um país com responsabilidade e justiça social
Já em Belo Horizonte, os sonhos de uma família se multiplicam por quatro: Cayo e Jennifer, o pequeno José, de 1 ano e 1 mês, e Bernardo, de 13 anos. “São muitas as conquistas em mente, e faremos o possível para realizar quase todos os desejos”, diz, com fé o web designer Cayo Luiz Barros da Silva, de 29, pernambucano de Recife que se mudou em 2022 para BH. Na capital, conheceu a assistente administrativa Jennifer Ariene Rodrigues Magalhães, mãe de Bernardo Magalhães Loureiro, e formou um lar.
Agora com família grande, Cayo está de olho na primeira conquista de 2026: “Precisamos comprar um carro, pois ficar andando de ‘Uber’ não dá mais, não! Pesa demais no orçamento”. Outra prioridade, desta vez para a belo-horizontina Jennifer, é o retorno aos estudos, abandonados há dois anos. “Pretendo voltar em julho para a faculdade e concluir o curso de gestão hospitalar.”
Abraçando o filho José, Cayo avisa que, nos planos da família, está uma viagem ao estadonatal. “Levaremos o José para visitar os avós, em Recife, pois meus pais ainda não o conhecem.” O verbo “casar” também entra na conjugação da mineira e do pernambucano. “Temos muito para sonhar, incluindo a compra de um apartamento para sair do aluguel”, conta o recifense.
“E a Copa do Mundo, hein? Vai dar Brasil?”, pergunta o repórter. “Vamos torcer muito”, planeja, fortalecendo a torcida, o adolescente Bernardo, com o sorriso aberto. “De preferência com Neymar”, acrescenta Cayo, fã de futebol e responsável (cônsul), em Minas, pelo consulado do Sport Clube do Recife, seu time do coração.
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Com o mesmo entusiasmo, o casal está certo de que o Brasil precisa de um bom caminho. “Só mesmo com responsabilidade das autoridades e justiça social pode dar certo”, acredita Jennifer. Nesse momento, os dois olham para José, batizado com esse nome em homenagem ao personagem bíblico José do Egito. A mensagem de ambos, em 2026, é de um país “sem corrupção” para criar o filho.
