PBH emite nota sobre mortes de leoa e chimpanzé em zoo
Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica concluiu sindicância que apurou os óbitos dos animais, ocorridos em novembro de 2025
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A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) de Belo Horizonte concluiu uma sindicância para as mortes da leoa-branca Pretória e da chimpanzé Kelly, no Zoológico da capital. O óbito da felina ocorreu em 11 de novembro do ano passado, cerca de um mês após a chegada dela, enquanto o da primata foi registrada apenas um dia depois. Os dois animais não resistiram à aplicação de anestesias durante procedimentos veterinários.
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De acordo com a comissão, as mortes da leoa e da chimpanzé decorreram de "complicações anestésicas de natureza multifatorial", que estariam relacionadas a "particularidades fisiológicas, condições clínicas individuais e limitações inerentes ao manejo de fauna silvestre". Adicionalmente, não foram identificados indícios de erro ou desvio intencional de conduta.
Apesar de os animais terem sofrido complicações anestésicas, a comissão concluiu que não houve superdosagem durante a aplicação dessas substâncias. A sindicância acatou ainda, após a análise de laudos, que os frascos dos anestésicos utilizados não sofreram contaminação. Além disso, em ambos os casos, a decisão de intervenção dos médicos-veterinários do zoológico foi "devidamente justificada".
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Os laudos de necrópsia apontam ainda que os dois animais estavam acima do peso. A chimpanzé Kelly apresentava obesidade moderada, enquanto a leoa Pretória tinha sobrepeso significativo. No caso da primata, os documentos concluem que houve miocardite linfo-histioplasmocitária, leiomioma uterino e pólipo endometrial. Já a felina sofreu pneumonia broncointersticial neutrofílica multifocal moderada e edema, além de congestão e hemorragia pulmonares intensos.
Lacunas
Consultada pela reportagem, a médica-anestesista veterinária Déborah Andrade considerou a nota emitida sobre as mortes dos animais "vaga" e ponderou que o texto não aponta quaisquer particularidades. “A necropsia da leoa sugere pneumonia — que pode ser por razões anteriores ou, ainda, trans e pós-anestésicas. O óbito decorreu provavelmente da pneumonia, mas não especificou em que momento isso ocorreu”, opina.
“(Sobre) a Kelly, (a nota) fala sobre miocardite e leiomioma, problemas focais, a não ser que a miocardite fosse intensa, gerando insuficiência cardíaca”, prossegue a especialista. Ela pondera que seria necessário consultar as fichas anestésicas da leoa e da chimpanzé para compreender essas questões. “A ficha é que mostra os parâmetros do animal durante a anestesia: o que foi usado, como intubou, qual tubo”, conclui Déborah.
O Estado de Minas pediu esses documentos à Prefeitura de Belo Horizonte, mas não obteve retorno até a publicação.
Comissão
De acordo com a PBH, a comissão de sindicância foi composta por biólogos, veterinários e profissionais técnicos de órgãos fiscalizadores, como Ibama, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Instituto Estadual de Florestas, Conselho Regional de Medicina Veterinária, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Secretaria Municipal de Saúde (por meio da Zoonoses), Guarda Civil Municipal (por meio da Patrulha Ambiental) e profissionais da UFMG.
Os trabalhos da comissão incluíram visitas técnicas ao Zoológico, entrevistas com os profissionais do local, análise de documentos, fichas médicas anteriores à chegada dos animais a BH, a Guia de Transporte Terrestre de cada animal, relatório médico-veterinário de vistoria de acolhida (emitido pelos veterinários do Zoo de BH nas primeiras inspeções, quando do recebimento dos dois mamíferos), além de relatórios sobre o manejo diário e detalhamento dos procedimentos médico-veterinários nas ocasiões dos óbitos.
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