MG: cachorro tem córnea perfurada ao se assustar com fogos no réveillon
Mesmo com lei que proíbe fogos ruidosos no município, houve relatos de muito barulho na virada do ano; cão se assustou, quebrou vidro para fugir e ficou ferido
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O que deveria ser uma passagem de ano festiva se transformou em desespero para a moradora Rayla Cerqueira, tutora do cachorro Paçoca, no bairro Fontesville, em Juiz de Fora (MG), na Zona da Mata. Assustado com o barulho de fogos de artifício durante o réveillon, o animal tentou fugir de casa, quebrou o vidro de uma porta e acabou com a córnea perfurada.
Segundo Rayla, ela havia saído de casa por volta de 20h para a ceia na residência da avó, a cerca de 15 minutos de distância, e deixou Paçoca na sala, monitorado por uma câmera. Desde mais cedo, o cachorro já demonstrava medo por causa do barulho intenso de fogos.
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Por volta de 0h20, ao acessar as imagens da câmera de segurança da casa da família, Rayla percebeu que o animal já não estava mais dentro de casa. Ela retornou imediatamente e começou a procurar o pet nas ruas do bairro. Também divulgou fotos do bichinho em redes sociais pedindo ajuda.
Paçoca só reencontrou Rayla no dia 2 de janeiro, quando uma moradora de uma rua próxima conseguiu contato com a tutora. O cão havia sido acolhido na virada do ano, alimentado e banhado, mas estava com o olho sangrando. “Ela pediu para que eu levasse imediatamente ao veterinário”, relatou Rayla.
Na clínica, o veterinário constatou a perfuração da córnea, lesão que, segundo a tutora, não existia antes da fuga. “Quando eu saí de casa, estava com os dois olhos normais. Agora estamos aguardando para saber se será necessária cirurgia ou se o tratamento com colírios será suficiente. Os medicamentos, por enquanto, estão apresentando efeito positivo”, explicou.
O custo estimado de uma possível cirurgia gira em torno de R$ 4 mil. A tutora afirma não ter condições financeiras para arcar com o valor, mas diz que fará tudo o que estiver ao seu alcance para garantir a recuperação do animal.
Além de Paçoca, a família tem outra cadela, Amora, que também estava em casa no momento da fuga. Segundo Rayla, ela só não escapou porque é menor e demorou mais para conseguir passar pelo local quebrado. “Quando cheguei ao portão, ela estava saindo. Conseguimos colocá-la de volta”, contou.
Abalada, Rayla descreve o impacto emocional do episódio em toda a família, incluindo os dois filhos. “Sou grata por ele ter voltado, mas é muito triste ver o sofrimento dele. Fica o pedido de mais consciência. Fogos assustam, machucam e causam sofrimento real para animais, crianças, idosos e pessoas com deficiência”, desabafou.
Apesar da proibição, moradores de diferentes bairros de Juiz de Fora relataram barulho intenso de fogos durante a virada para 2026.
O que diz a lei?
Em vigor desde 4 de agosto de 2025, a Lei Municipal nº 15.170 proíbe, em Juiz de Fora, a comercialização, o manuseio, a queima e a soltura de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos que produzam ruído ou estampido.
A legislação permite apenas os chamados fogos de vista, de baixo ruído, desde que tenham selo de conformidade do Inmetro. O descumprimento da norma pode resultar em multa de R$ 2 mil, valor que é dobrado em caso de reincidência. Os recursos arrecadados com as penalidades devem ser destinados a ações de proteção animal no município.
A lei foi criada para reduzir os impactos do barulho na saúde de pessoas sensíveis ao ruído e no bem-estar dos animais.
O que diz a prefeitura?
Em resposta ao caso, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que manteve um plantão específico durante a noite de Réveillon para atender denúncias relacionadas ao descumprimento da lei que proíbe fogos de artifício com estampido no município.
Segundo a administração municipal, ao longo do período de festas de fim de ano, a fiscalização da Lei nº 15.170/2025 foi incorporada à rotina de todos os fiscais, com ações de monitoramento em todas as regiões da cidade e apoio das forças de segurança.
Sobre o episódio registrado no bairro Fontesville, o gerente de Fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (Sedupp), Cristiano Chaves, afirmou que o município ainda tenta identificar os responsáveis pela soltura dos fogos na região.
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A Prefeitura informou ainda que realizou notificações a estabelecimentos previstos na legislação e promoveu ações educativas por meio dos canais oficiais. Entre os dias 26 e 31 de dezembro de 2025, foram contabilizados 12 autos de notificação, um auto de infração com aplicação de multa e nove denúncias, que seguem em fase de apuração para eventual autuação dos responsáveis.