Velório foi marcado por muita comoção -  (crédito: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press)

Velório foi marcado por muita comoção

crédito: Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press

O motorista Gildesio de Oliveira, de 54 anos, que morreu carbonizado no acidente com caminhão-tanque no Anel Rodoviário, altura do Bairro Goiânia, na Região Nordeste de Belo Horizonte, foi enterrado na tarde desta sexta-feira (15/3), em Contagem, Região Metropolitana da capital. O velório começou pouco depois das 15h, no cemitério Parque do Renascer.

 

Estiveram presentes familiares, amigos e colegas de trabalho do motorista, mas nenhum deles quis conversar com a imprensa. Os pais de Gildesio chegaram ao local muito emocionados e amparados por parentes.

 

Pouco antes do corpo sair para o sepultamento, os presentes fizeram uma oração e terminaram com uma salva de palmas.

 

Veja o vídeo:

 

 

 

Tentativa de escapar das chamas

 

O corpo do motorista foi encontrado pelos bombeiros do lado de fora do caminhão. Segundo o tenente Henrique Barcellos, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG), o motorista morto pode ter sido atingido pelas chamas ao tentar escapar do incêndio.

 

“Pode ter ficado próximo ao local e perdido a consciência, vindo a óbito antes da chegada das nossas equipes". A partir das informações da perícia, o tenente diz que a vítima se encontrava a menos de dez metros do caminhão e, certamente, poderia ter tentado sair das chamas já em condição debilitada e caído próximo ao veículo.

 

Além disso, Barcelos não confirma a hipótese do motorista ter sido arremessado. "A posição dele em relação ao veículo não nos dá essa suspeita, não podemos descartar totalmente, mas nós trabalhamos com a hipótese dele ter tentado sair já muito debilitado, por isso foi à inconsciência e ao óbito”, afirmou. A perícia da Polícia Civil (PCMG) esteve no local.

 

O motorista

 

Segundo o advogado da Transportadora JBretas, dona do caminhão-tanque, o motorista fazia o trajeto pelo Anel Rodoviário semanalmente e estava no início da jornada de trabalho quando a tragédia aconteceu.

 

Natural da Bahia, o motorista estava com habilitação para conduzir caminhões e cursos NR-35 e NR-20 em dia.

 

O veículo seguia na BR-381, ao virar à direita para entrar na MG-5, antiga MGC-262, quando tombou. De acordo com informações preliminares, o caminhão, modelo Atego 3030 CE, saiu de Betim, na Região Metropolitana de BH, com destino a Sabará.

 

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O acidente

 

Na madrugada desta quinta-feira (14/3), por volta das 2h25, um caminhão-tanque tombou, pegou fogo e incendiou casas e carros às margens do Anel Rodoviário, no Bairro Goiânia, Região Nordeste de Belo Horizonte. O motorista, de 58 anos, morreu carbonizado no local do acidente.

 

Com o impacto da queda, o tanque foi danificado e a carga de combustível vazou, escorreu e criou uma ‘rua de fogo’, levando as chamas por três quarteirões. Oito residências e dez veículos foram atingidos. Famílias saíram às pressas de casa e pelo menos nove pessoas — quatro homens, três mulheres e duas crianças — tiveram lesões como queimaduras ou pequenos traumas na tentativa de se salvarem.

 

De acordo com informações preliminares, o caminhão-tanque saiu de Betim, na Grande BH, com destino a Sabará. Ele seguia na BR-381, ao virar à direita para entrar na MG-5, antiga MGC-262, o veículo tombou e pegou fogo. A tragédia pegou os moradores de surpresa, já que a maioria estava dormindo.

 

Quatro residências foram completamente queimadas. No início da tarde de quinta, a Defesa Civil interditou seis dos oito imóveis atingidos pelo incêndio (três foram totalmente interditados e os demais parcialmente). Quinze mil litros de água e de espuma mecânica foram usados para combater as chamas.

 

Ao todo, o caminhão carregava 23 mil litros de combustível, sendo 3 mil de diesel, 10 mil de gasolina e 10 mil de álcool. Acionado para a ocorrência, o Corpo de Bombeiros fez o rescaldo de combustível dentro do tanque —cerca de 30% (estimado) do combustível total.

 

O que levou o caminhão a tombar ainda será esclarecido pelas autoridades. Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que a perícia foi ao local para realizar os primeiros levantamentos que irão subsidiar a investigação. “A ocorrência ainda se encontra em andamento. Outras informações poderão ser repassadas com o avanço dos trabalhos de polícia judiciária”, diz o texto.