Nascida de um sonho para prover uma necessidade. Essa é a síntese da história da marca mineira Arte Sacra, fundada há 35 anos pela artista plástica Maria Rita Malloy, na época recém-divorciada e com quatro filhas pequenas, a mais velha, Fernanda, tinha 16 anos, a segunda, Renata, de 14, e as mais novas, as gêmeas Carolina e Marcela, de 11. Hoje, a família trabalha unida, a marca ocupa uma bela cada no coração da Savassi, onde atende atacado e varejo com suas coleções de festa, casual chique, e vestidos de noiva exclusivos, sob demanda.

Família malloy: Marcella, Fernanda, Maria Rita, Renata e Carolina

Jair Amaral/EM/DA Press


Para celebrar a data, voltaram à raiz do nome – Arte Sacra – e criaram a coleção Aurum (Ouro em latim), e simboliza memória, essência e tempo. O ouro das igrejas e das montanhas de Minas foi o que conduziu a narrativa da criação costurando passado e futuro.


A arquitetura barroca e histórica de Ouro Preto foi a inspiração das formas, cores e materiais da coleção, que valorizou o feito à mão e a beleza atemporal do artesanato mineiro. A paleta cromática combina profundidade e leveza, destaque da coleção: o Green Bay intenso e o pistache suave que se unem aos tons terrosos aquecidos, dourado, choco, caramelo salgado, mocha e terracota, com toques sutis de dourado que surgem como pontos de luz.

Coleção inverno: Arte Sacra

Márcio Rodrigues/Divulgação


Os tecidos equilibram estrutura e movimento. O veludo traz elegância, enquanto organza, tafetá e crepes a fluidez e sofisticação. O jacquard, inspirado nas paredes históricas e nas minas, traduz de forma tátil a essência da região. As modelagens exploram volumes contemporâneos e cortes marcantes, assimetrias, cinturas bem definidas e detalhes metálicos inspirados em pepitas de ouro.


As estampas exclusivas reforçam a identidade mineira, combinando flores regionais e iluminuras barrocas, criando composições expressivas que unem tradição e contemporaneidade. Aurum apresenta duas linhas: Festa, com peças para momentos festivos mais formais; e Casual, uma roupa de ocasião, que veste momentos especiais, mantendo o DNA artesanal da marca.


Para o verão 2027 a Arte Sacra criou a coleção São Francisco, inspirada no rio que corta Minas Gerais, e que chega na loja, com seu primeiro drop, esta semana.

O sonho

Maria Rita é artista plástica formada na Guignard, e fazia muitos vitrais e quadros. Depois que se divorciou pediu a Deus que lhe desse uma luz, indicasse um caminho porque precisava criar as quatro filhas. A arte dá muito prazer, mas não dá o sustento necessário.

Para celebrar a data, voltaram à raiz do nome – Arte Sacra – e criaram a coleção Aurum (Ouro em latim)

Márcio Rodrigues/Divulgação


Ela teve um sonho: Ela, na sala de jantar de sua casa, e apareceu uma mulher angelical, linda, com uma roupa com manga de sino, que apontava para uma arara cheia de vitais pendurados em cabides.
Maria Rita entendeu que esta era a resposta de Deus: usar a sua arte em roupas. Alugou uma sala no edifício Empresarial Barro Preto, na Rua Rio Grande do Sul, comprou sete quilos de cotton, na Ematex, alugou uma máquina de costura, e cortava o tecido no chão. Fazia serigrafia na Guignard, e passou sua arte para blusas.


Fernanda sempre ajudou a mãe na área administrativa e no cuidado com as irmãs. Quando completou 18, se tornou sócia da empresa. Renata entrou em seguida e foi para produção. As gêmeas, aos 14, passaram a fazer de um tudo. Como elas dizem, “nós éramos as eiras: arrumadeira, arrematadeira, passadeira, faxineira e modelos de provas”. Hoje, todas atuam, cada uma na sua área.


A partir das blusas de cotton, Maria Rita passou a trabalhar com liganette, malha Bali, tudo mais casual, mas os tecidos já davam mais caimento e passou a fazer vestidos. Em uma viagem de pesquisa para Nova York, com Fernanda, Maria Rita comprou muitas pedras e strass e, artista que é, fez vários vestidos casuais festivos. Percebeu que vendeu muito bem e era bem mais fácil de desenvolver e produzir do que blusas. Esse foi o primeiro passo.


Setembro era lançamento de moda festa, e a venda era tão grande que optaram em mudar de estilo. Viraram a chave. Em 2000, abriram o primeiro showroom próprio vendendo para multimarcas, e em 2010, outra virada, passaram a fazer só moda festa, requintada, e a fundadora passou o bastão para as filhas, resolveu descansar.

Para o verão 2027 a Arte Sacra criou a coleção São Francisco, inspirada no rio que corta Minas Gerais

Arte sacra/Divulgação

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Em 2021, abriram o varejo, ainda na fábrica. Em 2023, decidiram abrir a Casa Arte Sacra, retornando com o casual chique e chancelando a importância da marca. Em 2024, para surpresa de todas, a matriarca Maria Rita resolveu retornar e se torna modelo da campanha Artesania. E em 2026, investiram na estrutura comercial e de marketing que conta com uma estrutura mais robusta, e assim Carolina passou a atuar com mais presença no estilo, ao lado da irmã Marcela. 

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