Quermesse

Viva o bordado: evento em BH mostra arte protagonizada por linhas e agulhas

Entre os dias 12 e 14 de junho, a edição especial Bordados da Quermesse da Mary vai reunir bordados de diferentes estilos e intenções

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Seja no papel, no tecido ou mesmo em folhas, há sempre espaço para o bordado. Essa arte – ou linguagem – protagonizada por linhas e agulhas atravessou a pré-história, sendo usada para suprir necessidades, e chegou aos dias atuais, simbolizando o “novo luxo”.

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Os holofotes estão voltados para o “feito à mão” e para peças com narrativas completas, mais repletas de significados. É exatamente nisso que Mary Arantes, curadora e responsável pela Quermesse da Mary, acredita e enfatiza a cada edição do evento. “Acredito que o mundo acordou e viu que o grande diferencial é o feito à mão. Esse produto vai ser diferente de outro comprado em qualquer lugar do mundo”, conta.

E o bordado se encaixa, justamente, aí. “Ele já foi matéria escolar, usado como forma de silenciamento feminino e hoje muita gente quer bordar, virou uma terapia”, conta a curadora, chamando a atenção também para como o bordado vem adentrando o mundo das artes. “Deixou de ser restrito ao uso doméstico, de estar apenas no pano de prato ou cobrindo o bolo”.

Divulgação


Presenças especiais


São mais de 20 expositores (sem contar da ala de gastronomia) que marcarão presença na Quermesse. Dentre eles, o designer de artesanato Renato Imbroisi, cujo foco é o desenvolvimento e produção de objetos feitos à mão com artesãos brasileiros. No distrito de Muquém, no Sul de Minas, ele fundou o Instituto Renato Imbroisi, onde cria, ao lado de um grupo de mulheres, artes têxteis associadas a técnicas artesanais, em especial ao bordado.

Cris Pereira Barreto, sócia do Instituto, parceira de Renato e dona da marca Absolutamente Necessaire também vai expor seu trabalho.

“Vejo de uns 20 anos para cá um crescimento gigante do bordado. Não só grupo de bordadeiras, mas principalmente novos coletivos se expressando com o bordado. A gente está vendo muita diversidade”, conta Renato, sobre o difundir do bordado ao longo dos anos.

Na Quermesse, ele vai expor o trabalho de um grupo de mulheres com as quais atua há cerca de 40 anos. “A ideia é mostrar o universo do Bordado do Muqúem, uma comunidade de 70 mulheres bordadeiras e tecelãs que bordam seu cotidiano. Começamos com a tecelagem manual e há 15 anos introduzimos o bordado no tecido natural”.

A arquiteta, artista têxtil e artesã das cores naturais, brasileira e nipo-boliviana, Tati Polo, é outra presença ilustre da próxima edição da Quermesse. Ela vai trazer, para o evento, uma coleção que estava exposta recentemente no Pavilhão Japonês no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Cris Pereira Barreto,

“Meu trabalho é um encontro do fazer manual, da tradição, mas que transita também pela ciência e da minha espiritualidade no processo da criação. Esse encontro é um contínuo do fio de lá atrás, da minha ancestralidade, japonesa e boliviana”, explica a artista, que ainda reforça o apreço pelo tingimento à base de plantas.

“Resgatar esse estudo, traz de volta conhecimentos maravilhosos, de como as pessoas foram desenvolvendo métodos para se cobrir de “cor”. Essa preciosidade se perdeu nos tempos, mas em alguns lugares, como no Vale do Jequitinhonha, as mulheres sábias estão trabalhando muito esse resgate. No meu estudo, para além da aplicação de como a ‘coisa’ acontece para permanecer nas fibras têxteis, gosto de entender também como tudo isso se confunde com o lado energético da planta. Cada planta tem uma informação única”, explica, enfatizando ainda que vai trazer esculturas, acessórios e peças tingidas naturalmente para a Quermesse.

De BH, o grupo Meninas de Sinhá, que já tem uma história antiga com o bordado, também vai expor peças. “O grupo Meninas de Sinhá, à época de sua fundação com a Valdete Cordeiro, já trabalhava com o artesanato mas, em 2016, aprovamos um projeto de manutenção e oficinas pelo Fundo Estadual de Cultura onde oferecemos à comunidade aulas de instrumentos musicais e o bordado”, explica Patrícia Lacerda, gestora do projeto.

Formado por mulheres maduras (algumas até de mais de 90 anos), o projeto vai levar cerca de 200 produtos para a Quermesse. Mary Arantes destaca, inclusive, que bordados avulsos para serem costurados em qualquer peça serão disponibilizados.

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*Estagiária sob supervisão da editora Isabela Teixeira da Costa

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