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O barroco mineiro fisgou a estilista Denise Valadares. Nascida em Mariana, na Região Central do estado, desde pequena ela era fascinada pelas formas das igrejas e das construções históricas da cidade com seus elementos ornamentais elaborados, talhas douradas e pinturas sacras.
Vocacionada para a moda, encontrou uma maneira de traduzir essas referências por meio do bordado em um trabalho de pesquisa que se manifestou desde o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), na escola de moda. O início profissional se deu no Minas Trend, mas, anteriormente, ela já comprava moletons e recobria suas superfícies com pérolas, pedras, canutilhos, entre outras matérias-primas que valorizavam as roupas.
Hoje, com 10 anos, a marca que leva seu nome é o retrato de uma empresa que foi crescendo, paulatinamente, mas nunca perdeu de vista seu foco. “Participei do Minas Trend pela primeira vez no estande do 'Ready to Go', coletivo de marcas autorais que eram selecionados por Terezinha Santos, do TS Studio. A experiência foi muito positiva, fiz ótimos negócios e, logo depois, estava com meu próprio estande no salão de negócios”, relembra.
Além de Terezinha, outra pessoa que estendeu a mão para Denise, nesse começo, foi Lelete dos Mares Guia, na época gerente da loja Mares. “Ela acreditou no meu trabalho e comprou algumas peças. Isso me posicionou no mercado de alto padrão.” A estilista não se esquece também de Ana Flávia Castro, da Kalandra, onde fez o primeiro estágio. “Foi uma professora, me ensinou muita coisa”, reitera.
Daí para a frente, com apenas três anos de existência, a Denise Valadares já fazia parte do line up dos desfiles do Minas Trend, o que a levou a um reconhecimento nacional. Após uma ausência para reestruturar seus negócios, o que incluiu a abertura de uma loja/showroom no Bairro Vila da Serra, em Nova Lima, a empresa decidiu voltar à última edição da feira, na qual tem plantada suas raízes.
A razão? Visão estratégica, ela diz, o que pode significar também visibilidade. “Minha loja funciona em uma sala e nossas vendas, no varejo e no atacado, funcionam muito on-line, por meio do nosso site. É bom ter presença física também”, argumenta.
Conceito
“Nós trabalhamos com coleções autorais com essência muito artesanal, o que requer uma mão de obra especializada, formada especialmente por mulheres, e acompanhamos todos os processos, da ideia ao bordado”, explica.
Entre o estilo e as planilhas, Denise nunca perdeu de vista o olhar de empreendedora. Mas sempre considerou a criação como elemento base para manter o negócio azeitado.
“Valorizando o conceito da marca e essa mão de obra qualificada, conseguimos manter o DNA inicial, um bordado marcante e contemporâneo, que desperta a atenção da cliente”, ressalta. E é esse fato que motiva os lojistas a investirem. “Nosso foco é o mercado interno. Temos um relacionamento com 30 a 40 lojistas no Brasil, mas vendemos, internacionalmente, para a Inglaterra, Portugal, Israel.”
São coleções clássicas com uma pitada de romantismo, como ela declara, o que pode ser percebido pelo uso constante da pérola, que Denise confessa amar e que vem do repertório de Mademoiselle Chanel. Há propostas que nunca saem de linha, são reeditadas a cada temporada, como o veludo, as saias de renda e em tule, o jeans, o crochê, as franjas.
A própria loja da marca, projeto da arquiteta baiana Jéssica Nunes, espelha uma aura de aconchego e delicadeza. Lá, as clientes são recebidas com hora marcada e atendimento exclusivo. “Sempre quis que as pessoas se sentissem em casa. Desejava um espaço em que elas não sentissem o passar da hora, que fosse uma experiência gostosa”, enfatiza.
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O certo é que a estilista construiu um nicho muito específico de apreciadoras do seu trabalho. São mulheres maduras, a partir dos 35 anos, de bom poder aquisitivo, que se encantam com a narrativa que ela construiu. “Investi no conceito de comunidade”, afirma. E o símbolo maior desse universo são os ursos DV, que fazem parte das suas memórias afetivas. Denise teve a ideia de trazê-los para somar ao DNA da sua marca, durante uma passagem por Paris, em 2021. “Há seis anos, eles fazem sucesso”, garante.