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Escolher um colchão para a sua cama parece simples, mas a decisão vai muito além do conforto imediato. Um modelo inadequado pode causar dores musculares, desalinhamento da coluna, noites maldormidas e até impactar sua produtividade no dia seguinte.
Pensando nisso, as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos ensinam como não sabotar o sono com a escolha errado do colchão. Elas explicam como tamanho, densidade, tecnologia e perfil do morador influenciam diretamente na qualidade do descanso.
Era para ser simples: entrar na loja, testar rapidamente e sair com um colchão novo. Mas bastam alguns minutos entre modelos de diferentes densidades e tamanhos para surgirem algumas dúvidas.
Mas afinal, colchão não era tudo igual?
“O colchão é um dos elementos mais importantes do quarto, nós passamos cerca de um terço da nossa vida sobre ele. Portanto, essa decisão precisa ser feita com atenção, comparando modelos e entendendo as necessidades do próprio corpo”, afirmam as arquitetas.
Por onde começar?
Todo mundo quer uma noite de sono reparadora, mas antes de falar sobre marcas ou tecnologias, o primeiro passo é olhar para quem vai usar o colchão. Fatores como peso, altura, estrutura corporal, idade, posição em que costuma dormir e até possíveis dores nas costas vão influenciar diretamente na escolha.
Uma análise comportamental permite indicar modelos mais adequados e duráveis. Por exemplo: quem trabalha apoiado na cabeceira precisa de um nível de firmeza diferente de quem usa a cama apenas para dormir.
“Não existe um tipo de colchão perfeito para todo mundo. Existe aquele adequado para cada biotipo e necessidade, uma pessoa mais leve e de estrutura estreita precisa de uma firmeza diferente de alguém com maior massa corporal”, explica Danielle.
A meta é clara: alinhamento da coluna e relaxamento muscular. “O importante é que o colchão permita uma postura de sono correta. Nem sempre o mais duro é o melhor para a dor nas costas, muitas vezes, uma firmeza intermediária resolve”, completa Paula.
Segundo as profissionais, as medidas do colchão devem ser 2 cm menores do que as medidas de uma cama tradicional, para que seja feito o encaixe correto. Exceto, é claro, a cama box em que o colchão deverá ter o mesmo tamanho.
Mola ou espuma?
Escolhido o modelo desejado e entendendo suas necessidades, surge então o momento de escolher entre mola e espuma, onde cada tecnologia atende a um perfil específico.
Espuma: Mais firme e estável, costuma ser indicada para quem busca maior sustentação. Deve ser escolhida conforme a densidade, que determina o suporte de peso. A vida útil média é de aproximadamente cinco anos.
Molas (contínuas ou ensacadas): São associadas a maior maciez e conforto, além de terem uma durabilidade variada entre oito e dez anos. As molas ensacadas individualmente são especialmente recomendadas para casais, pois reduzem a transferência de movimento. “Quando um se mexe, o outro praticamente não sente”, comenta Danielle Dantas.
Pillow top: O acabamento com camada extra de conforto, conhecido como pillow top, conquistou muitos consumidores pelo toque macio extra, mas ele exige atenção. “O pillow top traz uma sensação imediata de aconchego, mas não substitui a firmeza estrutural do colchão, a base precisa ser adequada ao biotipo da pessoa”, enfatiza a dupla.
Paula Passos reforça que a qualidade do material faz diferença. “Se for de baixa qualidade, pode deformar rapidamente. O ideal é testar e entender se ele complementa o conforto ou apenas mascara um suporte inadequado”. Em alguns casos, o uso de um pillow removível pode ser uma alternativa interessante, permitindo manutenção ou troca futura sem comprometer toda a estrutura.
Firmeza e densidade
A densidade representa a quantidade de espuma por metro cúbico (m³) e indica a capacidade de suporte do colchão, ela é identificada pela letra D seguida de um número, por exemplo: D28, D33, D45. Existe uma tabela oficial de biotipos do INER (Instituto Nacional de Estudos do Repouso) que auxilia na escolha adequada, cruzando altura e peso do usuário. “Uma pessoa com peso maior precisa de densidade mais alta para garantir durabilidade e suporte correto”, orientam as arquitetas. No caso de casais, o cálculo deve considerar o peso da pessoa com maior massa corporal e a altura média do casal.
Cama para idoso
Com o avanço da idade, a escolha do colchão e da altura da cama ganha ainda mais importância, pois levantar e deitar deve ser um movimento natural e seguro. “Para idosos, observamos principalmente a altura final da cama, considerando base e colchão. O ideal é que os pés toquem completamente o chão ao sentar na borda”, orienta Paula. A firmeza também merece atenção nesse caso, pois um colchão excessivamente macio dificulta o movimento de levantar. Já um muito rígido pode gerar pontos de pressão.
Testar é indispensável
Como nada substitui a experiência real, as arquitetas recomendam deitar no colchão na loja, na posição em que se costuma dormir, e permanecer alguns minutos. “Não é para sentar na ponta e decidir. É preciso deitar de verdade, sentir o apoio, perceber se o corpo relaxa”, orienta Paula.
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Já Danielle sugere ainda um caminho curioso: “Se você dormiu em um hotel ou na casa de alguém e gostou muito do colchão, pergunte o modelo. Às vezes, a melhor referência já foi testada por você”, que completa que mesmo que você opte por comprar online, vale a pena visitar uma ou duas lojas e testar.