Caderno de viagens
Trabalhos do arquiteto Alexandre Menezes, que exploram edificações de Belo Horizonte e vários pontos icônicos do Brasil, estão em livro que acaba de ser lançado
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Siga noDesenhar é ponto fundamental na carreira de um arquiteto, integra o leque de itens necessários para a criação de um bom projeto. Mas engana-se quem pensa que a atividade se resume às questões técnicas. O desenho de observação também é elemento fundamental para desenvolver a criatividade, estimular o pensamento e a percepção de um profissional.
Um exemplo para ficar de olho é o livro que o arquiteto Alexandre Menezes está lançando, no sábado, 8 de junho, na Livraria da Rua. Em “Arquitetura em Desenhos – notas de viagem”, o leitor se deparará com 150 desenhos elaborados com caneta esferográfica, na maioria das vezes, nos quais ele destaca edificações – museus, teatros, igrejas, campanários, praças e jardins – e cenas de cidades brasileiras e estrangeiras, com seu traço personalizado e artístico, tendo sempre como referência a arquitetura.
Alexandre é professor de desenho, já lecionou em várias universidades mineiras e, no momento, ministra aulas no curso de arquitetura da UFMG. O livro é dedicado aos seus alunos e a primeira imagem que surge, na página ao lado da dedicatória, é um desenho da Faculdade de Arquitetura da UFMG, de 2016.
Ele define o trabalho que lança, agora, como cadernos de viagens, registros de momentos em que teve seu olhar atraído por algum ponto que o fez parar, observar e desenhar. E como isso pode acontecer a qualquer momento, o arquiteto está sempre munido do material necessário para levar a tarefa adiante. “Tenho vários desses cadernos e procuro desenhar neles não apenas o mundo visível, mas também os sons, ventos e cheiros dos lugares aonde fui e vou. Assim, visitá-los traz sempre sensações gostosas relacionadas com memórias, emoções e impressões já vividas”, explica.
Arquitetura e arte
Nasceu da fusão entre arquitetura e arte – ele é formado em arquitetura e urbanismo pela Faculdade Metodista Izabela Hendrix e em Belas Artes pela UFMG – o hábito de registrar, através dos desenhos, as edificações, as memórias e os lugares por onde passa. “O uso de desenhos tem sido tradicionalmente tratado como talento e habilidade mais do que como parte essencial do processo de pensamento e conhecimento do mundo que nos rodeia”, explica o arquiteto.
“No entanto, esses desenhos de observação desenvolvidos no local são mais do que um simples recipiente passivo do olhar do autor. Eles são um meio poderoso, que influencia o pensamento, assim como são influenciados pelo pensamento do autor desenhista. Oferecem, ainda, informações importantes e necessárias para ajudar a organizar a percepção e o melhor entendimento dos objetos no espaço.
”Riqueza
Folhear o livro de Alexandre é entrar em um território diversificado, que apresenta uma série de atrações, impressionando o leitor pela riqueza e qualidade do material escolhido para compor a obra. Ele vai se deparar com trabalhos realizados em Sheffield, onde o arquiteto morou por quatro anos, cursando o doutorado em arquitetura pela The University of Sheffield; e com imagens de pontos icônicos de Belo Horizonte, como a Praça do Papa, Praça da Liberdade com seu coreto, Praça da Estação, Palácio das Artes, Casa do Baile, Museu de Arte da Pampulha, Teatro Francisco Nunes, Palácio das Artes, além de estudos sobre as principais universidades da capital.
Conferirá, também, cenas do conjunto arquitetônico formado pelo casario, capelas, igrejas e campanários das cidades históricas e do interior de Minas Gerais e desenhos elaborados em Salvador, Trancoso, Curitiba, Amazônia e Rio Grande do Norte. Há, ainda, vistas de praias, interiores e exteriores de hotéis e pousadas no Brasil.
Segundo o arquiteto João Diniz, “o rigor do desenho do observador, que registra precisamente as edificações, se expande na vitalidade da pintura, criando um inédito equilíbrio entre alinhamentos da perspectiva e gestualidades espontâneas. Essa investigação resulta numa obra coesa e inesperada, em que a arquitetura se transforma em arte pictórica, e essa, mais que abstrata ou autorreferente, passa a participar intensamente do espaço construído”.
O livro inclui, ainda, comentários de colegas de Alexandre como Marco Flávio Matos, Patrício Dutra Monteiro e Andréa Vilela. A publicação é da editora Miguilim.
“Posso afirmar que ‘Arquitetura em desenhos: notas de viagens’ reúne desenhos impregnados
de memórias, lembranças, realidades, poesias,vidas, alegrias, tristezas, simbolismo, dores, amores, esperanças e sonhos.Muito sonhos”.