Conheça Jorge Horacio Messi, pai da lenda do futebol mundial
Saiba como o braço direito do jogador eleito oito vezes melhor do mundo e campeão da Copa do Mundo em 2022 lutou para transformar o filho no craque do século 21. Internado em Rosário, Jorge faleceu na noite dessa sexta-feira
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Morreu na noite de sexta-feira (7/8) aos 68 anos Jorge Horacio Messi, pai do jogador eleito oito vezes melhor do mundo Lionel Messi, campeão da Copa do Mundo em 2022 e vice em 2014 em 2026. Ele estava internado em um hospital de Rosário, na Argentina. A causa ainda não foi divulgada. A notícia foi publicada primeiro pelo portal Infobae durante a madrugada deste sábado e confirmada por outros veículos da imprensa do país vizinho, como o diário especializado em esportes Olé e o tradicional Clarín. Segundo informações preliminares, ele lidava com o tratamento de uma doença prolongada.
Jorge Horacio Messi passou décadas longe do centro dos holofotes, mas esteve próximo de quase todas as decisões capazes de transformar Lionel Messi em um dos maiores jogadores da história. Pai, conselheiro, empresário e representante, acompanhou o menino desde os campos modestos de Rosario até os maiores palcos do futebol mundial.
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A morte encerra a trajetória de um personagem cuja história se confunde, em muitos momentos, com a construção da carreira de Lionel Messi. Nascido em 24 de abril de 1958, Jorge construiu uma vida profissional distante do futebol de elite. Trabalhou durante anos na indústria siderúrgica, como supervisor da Acindar, em Villa Constitución, enquanto Celia Cuccittini ajudava a sustentar a família. Os dois tiveram quatro filhos: Rodrigo, Matías, Lionel e María Sol.
A rotina era simples. A família vivia em Rosario, em um ambiente no qual o futebol ocupava espaço permanente. Os meninos jogavam juntos, acompanhavam partidas e respiravam a paixão argentina pelo esporte.
Lionel começou no Abanderado Grandoli, clube da zona sul de Rosario. Jorge não se limitava a assistir aos treinamentos. Trabalhou como treinador nas primeiras etapas da formação do garoto e acompanhou de perto o desenvolvimento daquele menino franzino, habilidoso e muito acima da média.
Newell's Old Boys
Em 30 de março de 1994, a Associação Rosarina de Futebol registrou oficialmente Lionel na categoria infantil do clube. O documento leva as assinaturas de Jorge e Celia. Ali começava uma etapa decisiva na formação do futuro craque.
O talento, entretanto, vinha acompanhado de um problema físico. Messi foi diagnosticado ainda criança com deficiência do hormônio do crescimento. O tratamento tinha custo elevado para a família e passou a representar um obstáculo concreto à continuidade do garoto no futebol argentino. Jorge começou então a procurar alternativas. O River Plate chegou a demonstrar interesse. O problema permanecia: quem pagaria pelo tratamento? A resposta surgiria a milhares de quilômetros de Rosario.
A aposta em Barcelona
Aos 13 anos, Lionel viajou para Barcelona acompanhado do pai. O clube catalão avaliou o adolescente, identificou um potencial extraordinário e decidiu apostar nele. O tratamento hormonal entrou no acordo e abriu caminho para uma das maiores histórias do futebol mundial. A mudança representava um salto no escuro.
Lionel deixava Rosario ainda adolescente. Jorge permaneceu ao lado do filho na Espanha, enquanto Celia e os irmãos chegaram a retornar para a Argentina. A distância da família pesou sobre o garoto durante o período inicial de adaptação.
Jorge tornou-se, naquele momento, muito mais do que um acompanhante. Era pai, conselheiro, protetor e principal referência de Lionel longe de casa. Aos poucos, também passou a compreender o universo profissional ao redor do adolescente. A carreira deixava de ser apenas uma aventura de infância.
Surgia o representante. O papel foi construído gradualmente. Jorge passou a participar das negociações e da administração dos interesses profissionais do filho. Contratos, vínculos com clubes, questões comerciais e decisões estratégicas entraram no cotidiano do pai.
Enquanto Lionel crescia dentro de La Masia, Jorge aprendia a lidar com o mundo exterior. A transformação foi vertiginosa. O garoto das categorias de base tornou-se jogador do Barcelona, estreou profissionalmente ainda adolescente e, em poucos anos, deixou de ser promessa para ocupar o centro do futebol mundial.
Vieram os títulos espanhóis, as Champions League, os recordes e os prêmios individuais. Mais tarde, a seleção argentina também testemunharia a consagração definitiva, com a conquista da Copa América e, sobretudo, da Copa do Mundo de 2022.
Jorge permaneceu nos bastidores. Enquanto Lionel cultivava uma imagem pública marcada pela discrição, o pai assumia boa parte das negociações. A exposição naturalmente aumentou, mas Jorge raramente tentou ocupar o espaço reservado ao craque.
O pai e o representante
A relação entre os dois sempre ultrapassou a esfera profissional. Jorge acompanhou o filho desde os primeiros campos de Rosario, ajudou a encontrar uma solução para o tratamento hormonal e esteve ao lado do adolescente durante a mudança para Barcelona. Depois, tornou-se o principal responsável pela gestão de boa parte dos negócios ligados à carreira do astro.
Em depoimentos ao longo dos anos, também ressaltou o orgulho pelo homem formado por Lionel, acima das conquistas esportivas. Em 2012, quando o filho já havia se transformado em uma estrela mundial, Jorge resumiu a própria surpresa diante da dimensão alcançada pelo craque: “Nunca imaginamos que ele chegasse a ser o que é”.
A frase ajuda a dimensionar a transformação.
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A família saiu de uma vida relativamente simples em Rosario para acompanhar um adolescente em uma aventura europeia. O menino enfrentou um tratamento médico caro, a distância dos parentes e as dificuldades de adaptação. Depois, tornou-se um dos maiores jogadores da história.
Jorge esteve presente em todas essas etapas. Também assumiu o papel de escudo nos períodos de maior pressão. Quando Lionel recebeu críticas por atuações pela seleção argentina, o pai saiu em defesa do filho. A proteção acompanhou a carreira do atacante mesmo depois da consolidação internacional.
Em 2020, Jorge voltou ao centro das atenções. Lionel havia decidido deixar o Barcelona depois de uma temporada marcada pelo desgaste com a diretoria. O pai viajou à Espanha para negociar diretamente com o clube e tentou encontrar uma solução para a ruptura. O impasse terminou sem transferência imediata. Messi decidiu cumprir o último ano de contrato para evitar uma batalha judicial contra a equipe à qual estava ligado desde a adolescência.
Em 2021, deixou definitivamente o Barcelona e seguiu para o Paris Saint-Germain. O episódio mostrou a dimensão adquirida pelo papel de Jorge. O pai já não cuidava apenas de contratos. Participava de decisões capazes de alterar o rumo da carreira de um dos jogadores mais influentes do planeta.
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As controvérsias
A história de Jorge Messi também passa por episódios judiciais. Em 2016, ele e Lionel foram condenados pela Justiça espanhola por três delitos contra a Fazenda Pública relacionados aos direitos de imagem do jogador. A pena inicial foi de 21 meses de prisão para ambos.
No ano seguinte, o Tribunal Supremo manteve a condenação de Lionel e reduziu para 15 meses a pena de Jorge. A corte considerou como atenuante a reparação de parte do valor devido ao fisco. A punição não resultou em encarceramento.
O processo lançou luz sobre a participação do pai na administração financeira da carreira do filho. Lionel afirmou, durante o caso, confiar em Jorge e não acompanhar pessoalmente os contratos. O episódio tornou-se uma das marcas controversas da trajetória do representante.
Outro capítulo envolveu a Fundação Leo Messi. A entidade foi alvo de investigações na Argentina e na Espanha depois de denúncias apresentadas por um ex-colaborador. Jorge e Lionel foram citados nas apurações relacionadas à administração de recursos e contratos.
É importante estabelecer a diferença: investigação não significa condenação. No caso espanhol, houve arquivamento e posterior reabertura para ouvir o denunciante.
Esses episódios acrescentaram uma dimensão menos confortável à figura de Jorge. O homem responsável por proteger os interesses do filho também precisou responder a questionamentos sobre impostos, contratos, negócios e administração financeira. As controvérsias, porém, não alteraram a importância dele na construção da carreira de Lionel.
O homem por trás do craque
Jorge não criou o talento de Lionel. O dom estava nos pés do menino. Celia, os irmãos e outras pessoas exerceram influência decisiva em diferentes momentos. O Barcelona ofereceu estrutura, formação e ambiente para o desenvolvimento do atleta. Mas Jorge tomou decisões fundamentais quando ainda não havia garantias.
Foi ele quem procurou alternativas diante do diagnóstico médico. Quem acompanhou Lionel na viagem para a Espanha. Quem permaneceu ao lado do adolescente durante a adaptação. Quem aprendeu a negociar em um universo desconhecido. E quem passou décadas administrando parte dos interesses de um dos jogadores mais importantes da história.
A história de Lionel Messi costuma ser contada a partir dos gols, dos dribles, dos títulos e dos recordes. Existe outra narrativa, menos visível, construída longe dos gramados.
Nela, Jorge Messi ocupa um lugar central.
O pai que acompanhou um menino de Rosario no Grandoli e no Newell's acabou atravessando fronteiras para sustentar uma aposta familiar. O futebol tratou de ampliar essa aposta até dimensões inimagináveis. Jorge preferiu trabalhar atrás das câmeras enquanto o filho se transformava em personagem principal.
Por trás do Messi conhecido pelo mundo, existiu durante décadas um pai disposto a proteger, negociar, acompanhar e, sobretudo, acreditar. Antes de o planeta descobrir o craque, Jorge já havia apostado no menino. E foi essa aposta, feita quando ainda não havia garantias de sucesso, uma das primeiras peças na construção do mito.
A linha do tempo de Jorge Messi
1958 — Nasce em 24 de abril, em Rosario.
Décadas de 1970 e 1980 — Constrói a vida profissional na indústria siderúrgica e forma família com Celia Cuccittini.
1987 — Nasce Lionel Messi, terceiro filho do casal.
Início dos anos 1990 — Acompanha Lionel no Abanderado Grandoli e participa da formação inicial do garoto.
1994 — Lionel é registrado oficialmente nas categorias infantis do Newell's Old Boys.
Final dos anos 1990 — O diagnóstico de deficiência do hormônio do crescimento cria um problema financeiro para a família e leva Jorge a buscar alternativas.
2000 — Aos 13 anos, Lionel vai para Barcelona acompanhado do pai. O clube catalão assume o tratamento e aposta no adolescente.
Anos 2000 — Jorge se consolida como representante e passa a participar da gestão dos contratos e interesses profissionais do filho.
2016 — Jorge e Lionel são condenados na Espanha por fraude fiscal relacionada aos direitos de imagem.
2017 — O Tribunal Supremo reduz para 15 meses a pena de Jorge e mantém a condenação.
2018–2019 — A Fundação Leo Messi é alvo de investigações na Argentina e na Espanha. Jorge é citado nas apurações, sem condenação decorrente desses episódios.
2020 — Participa diretamente da tentativa de Lionel de deixar o Barcelona e viaja à Espanha para negociar com a direção do clube.
2021 — Lionel deixa o Barcelona e assina com o Paris Saint-Germain.
2022 — Acompanha a conquista da Copa do Mundo pela Argentina no Catar, maior título da carreira do filho.
2023 — Lionel se transfere para o Inter Miami, e Jorge continua ligado à gestão dos interesses profissionais do craque.
Junho de 2026 — A família confirma que Jorge enfrenta um problema de saúde. Após período de internação, recebe alta e retorna a Rosario.
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7 de agosto de 2026 — Jorge Messi morre aos 68 anos, em um sanatório de Rosario, após enfrentar uma doença prolongada. A informação é inicialmente divulgada pelo Infobae e posteriormente confirmada pelo Olé.