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Higiene do sono: o impacto dos smartphones e estratégias para descansar de verdade

A preocupação com a higiene do sono cresceu nos últimos anos, acompanhando o uso intenso de celulares, tablets e computadores até tarde da noite. Veja estratégias para descansar de verdade.

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A preocupação com a higiene do sono cresceu nos últimos anos, acompanhando o uso intenso de celulares, tablets e computadores até tarde da noite. Especialistas em medicina do sono apontam que as horas de descanso não dependem apenas da quantidade de tempo na cama, mas também da qualidade desse período e dos hábitos adotados nas horas que antecedem o repouso. Nesse cenário, a luz azul emitida pelos smartphones passou a ser um dos principais alvos de pesquisa.

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Neurocientistas e médicos explicam que o cérebro responde de forma direta à iluminação do ambiente. Quando a exposição à luz permanece forte à noite, especialmente àquela vinda de telas, o organismo interpreta que ainda é hora de ficar acordado. Esse descompasso entre o que o corpo entende e o que a pessoa precisa fazer dormir afeta tanto o início do sono quanto a sua continuidade ao longo da madrugada, com reflexos no dia seguinte.

Quando a exposição à luz permanece forte à noite, especialmente àquela vinda de telas, o organismo interpreta que ainda é hora de ficar acordado – depositphotos.com / leungchopan

Como a luz azul dos smartphones interfere no sono?

A luz azul, presente em grande quantidade nas telas de celulares, televisores e computadores, alcança estruturas sensíveis à luminosidade no fundo dos olhos. Essas estruturas se conectam a uma região do cérebro que funciona como um relógio interno, responsável por regular o chamado ritmo circadiano, o ciclo biológico de sono e vigília de aproximadamente 24 horas. Quando essa luz é intensa à noite, o relógio interno recebe um aviso de que ainda é dia, atrasando o horário natural de sono.

Um dos principais efeitos observados é a supressão da melatonina, hormônio liberado principalmente quando o ambiente escurece. A melatonina sinaliza ao organismo que está na hora de desacelerar, reduzindo a atividade de alerta e preparando o corpo para adormecer. Estudos recentes em medicina do sono indicam que a exposição à luz azul duas a três horas antes de deitar pode reduzir de forma significativa a produção desse hormônio, levando a mais tempo para pegar no sono e a noites com despertares frequentes.

Higiene do sono: por que criar um ambiente mais analógico à noite?

A expressão higiene do sono resume um conjunto de hábitos diários que favorecem um descanso mais profundo e restaurador. Um dos pilares desses cuidados é a criação de um ambiente analógico nas horas que antecedem o horário de deitar, reduzindo a presença de telas e estímulos digitais. A ideia é permitir que o cérebro perceba, de forma clara, a transição do dia para a noite, respeitando o ritmo biológico.

Adotar um ambiente analógico não significa abandonar a tecnologia, mas estabelecer limites. Pesquisas em neurobiologia do sono mostram que, além da luz azul, o conteúdo consumido nas telas notícias, redes sociais, jogos e vídeos mantém o cérebro em estado de vigilância, dificultando o relaxamento mental. Ao trocar esses estímulos por atividades mais calmas, a tendência é que o adormecer ocorra de maneira mais rápida e o sono se torne menos fragmentado.

  • Diminuir a intensidade das luzes da casa cerca de 1 a 2 horas antes de dormir.
  • Definir um horário de desligamento para o celular, deixando-o longe da cama.
  • Preferir atividades analógicas, como leitura em papel ou escuta de músicas calmas.
  • Evitar checar mensagens e redes sociais na madrugada.

Quais técnicas ajudam a melhorar a higiene do sono na prática?

Diversas técnicas simples, apoiadas por estudos em medicina do sono, podem ser incorporadas à rotina noturna. Entre elas, a relaxação progressiva se destaca por ser acessível, não exigir equipamentos e poder ser feita em poucos minutos. Essa prática ajuda a reduzir a tensão muscular e os sinais de alerta do sistema nervoso, favorecendo a transição para o sono.

Na relaxação progressiva, a pessoa direciona a atenção para diferentes partes do corpo, alternando momentos de contração leve e relaxamento. Pesquisas em neurociência apontam que esse processo reduz a ativação de áreas cerebrais ligadas ao estresse e à preocupação, o que colabora para um repouso mais estável. Além disso, a técnica pode ser combinada com respiração lenta e profunda, ampliando o efeito calmante sobre o organismo.

  1. Deitar em posição confortável, com o ambiente silencioso e pouco iluminado.
  2. Começar pelos pés: contrair suavemente por alguns segundos e, em seguida, relaxar.
  3. Subir para as pernas, quadris, abdômen, peito, braços e rosto, repetindo o mesmo processo.
  4. Inspirar pelo nariz de forma lenta, contando até quatro, e soltar o ar pela boca ou nariz, contando novamente até quatro.
  5. Manter o foco na sensação de alívio muscular e na respiração, evitando se prender a pensamentos do dia.
Um dos principais efeitos observados é a supressão da melatonina, hormônio liberado principalmente quando o ambiente escurece – depositphotos.com / DecaStock

Como organizar a rotina diária para proteger o ritmo circadiano?

Além das mudanças no período noturno, a higiene do sono envolve também cuidados ao longo do dia. A exposição à luz natural pela manhã, por exemplo, ajuda o relógio biológico a se ajustar, fortalecendo a diferença entre o momento de estar desperto e o momento de dormir. Pesquisas recentes sugerem que alguns minutos de luz solar logo após acordar já contribuem para um ritmo circadiano mais estável.

Outros hábitos se mostram relevantes: manter horários semelhantes para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana; evitar grandes quantidades de cafeína à tarde e à noite; e realizar atividades físicas regularmente, porém não muito próximas do horário de ir para a cama. Esses elementos atuam em conjunto com o controle da luz azul noturna, formando um conjunto de estratégias que favorece um sono mais organizado.

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  • Expor-se à luz natural nas primeiras horas do dia.
  • Definir um horário aproximado e constante para deitar e levantar.
  • Reservar o quarto principalmente para dormir, mantendo o ambiente escuro, silencioso e com temperatura agradável.
  • Evitar refeições pesadas e estimulantes logo antes de deitar.

A combinação entre menor exposição à luz azul à noite, fortalecimento do ritmo circadiano e adoção de técnicas de relaxamento compõe uma base sólida de higiene do sono. Ao ajustar gradualmente esses aspectos, a tendência observada em estudos é de melhor qualidade de descanso, maior disposição durante o dia e redução de queixas ligadas à insônia e ao cansaço persistente. Pequenas mudanças de hábito, mantidas com regularidade, tendem a gerar efeitos duradouros na forma como o corpo adormece e se recupera a cada noite.

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