Cinco poços de madeira bem preservados foram encontrados durante uma obra de tubulação em Hampshire, na Inglaterra. Quatro são atribuídos à Idade do Ferro, enquanto o quinto pertence ao período romano. As diferentes formas de construção ajudam a investigar como comunidades antigas buscavam e usavam água.
Uma obra moderna revelou uma antiga fonte de água
A descoberta ocorreu ao norte de Southampton, em escavações feitas antes da instalação de uma nova tubulação entre Otterbourne e a cidade. Arqueólogos da equipe Archaeology South-East, ligada à University College London (UCL), localizaram cinco estruturas de madeira ligadas a uma nascente natural.
A informação foi divulgada pela University College London em 5 de novembro de 2026. Fragmentos de cerâmica indicam que a água continuou sendo usada até a fase final do período romano. Isso não significa que cada poço tenha funcionado durante todo esse tempo.

Como eram os quatro poços da Idade do Ferro?
As quatro estruturas mais antigas eram feitas com troncos ocos de carvalho colocados em buracos no solo. A maior abertura media aproximadamente 70 centímetros. Um dos poços tinha uma coroa de estacas de apoio; outro exibia sinais de reparo realizado enquanto estava em uso.
Em uma dessas estruturas, os pesquisadores encontraram uma pá de madeira usada como reforço em um trecho danificado. A datação por carbono 14 indicou que um dos poços foi construído entre 719 e 396 a.C., intervalo referente à fase inicial da Idade do Ferro.
O poço romano usava outra técnica de construção
O quinto poço tinha uma forma diferente. Em vez de um tronco escavado, os construtores abriram uma cova retangular e rasa, revestida com tábuas e estacas. A análise inicial sugere emprego predominante de carvalho, com madeira retirada de árvores de tamanhos distintos.
- Quatro antigos: Poços da Idade do Ferro, com troncos de carvalho escavados.
- Um romano: Cova retangular revestida com tábuas e estacas de madeira.
- Reparo: Uma pá de madeira serviu de reforço em estrutura danificada.
- Conservação: O solo encharcado preservou as peças e marcas de ferramentas.
Essa diferença de técnica é visível na própria estrutura. Os arqueólogos precisam estudar os encaixes e a sequência das peças para entender como ela foi montada. A equipe também tenta datar suas madeiras por anéis de crescimento, método conhecido como dendrocronologia.
Por que as madeiras ficaram preservadas?
O terreno encharcado junto à nascente ofereceu pouco oxigênio, o que diminuiu a decomposição da madeira. Por isso, algumas peças mantêm detalhes de construção e até marcas de machado. Em lugares secos e arejados, vestígios orgânicos como esses costumam desaparecer mais rapidamente.
A entidade pública Historic England explica que a madeira arqueológica encharcada precisa de cuidados especiais após a retirada do solo. Sem controle, a secagem pode causar rachaduras e deformações. Os pesquisadores armazenam as peças encontradas em tanques de água enquanto continuam o trabalho de conservação.

O que os poços revelam sobre a água antiga?
A localização próxima de uma nascente sugere um ponto de abastecimento procurado por comunidades de diferentes períodos. O termo poço descreve estruturas usadas para alcançar água subterrânea. Porém, os restos descobertos não mostram quantas pessoas utilizavam o local nem a frequência de retirada de água.
A equipe produziu modelos tridimensionais por fotogrametria para registrar as posições das madeiras durante a escavação. Esse recurso facilita a comparação entre etapas de construção. Amostras de solo, pólen e restos vegetais poderão indicar as condições ambientais e o uso da área ao longo do tempo.
A análise dos poços continua em laboratório
As peças foram levadas para estudos de conservação e documentação na unidade de Portslade. Especialistas examinam juntas, cortes de ferramentas e amostras orgânicas. A datação do poço romano ainda está em andamento, portanto não é correto atribuir aos cinco uma mesma idade exata.
Os poços mostram, em estruturas materiais, duas formas de obter água em épocas diferentes. A preservação dos troncos e das tábuas torna possível comparar as técnicas. O que cada comunidade fazia no entorno da nascente depende de estudos que ainda não foram concluídos.
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