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Registro de 3.200 anos revela 280 dias de faltas de trabalhadores e até produção de cerveja como justificativa

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
14/09/2026
Em Entretenimento
O documento mostra como faltas e justificativas já faziam parte da organização do trabalho no mundo antigo

O documento mostra como faltas e justificativas já faziam parte da organização do trabalho no mundo antigo

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O ostracon EA5634, de Deir el-Medina, registra 280 dias de trabalho durante a 19ª Dinastia do Egito.↓ Ver no artigo
O documento lista 40 trabalhadores, com datas em tinta preta e motivos de ausência escritos em vermelho.↓ Ver no artigo
Doenças aparecem mais de cem vezes entre as faltas, incluindo problemas nos olhos e uma picada de escorpião.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Registro de 280 dias
O ostracon acompanha trabalhadores por 280 dias e combina nomes, datas e justificativas de ausência num mesmo documento administrativo.
Controle
02
Motivos em vermelho
As razões para faltar eram anotadas sobre as datas e incluem doença, cuidados, tarefas particulares e outras situações cotidianas.
Justificativas
03
Cerveja entra na rotina
Estudos sobre as ausências de Deir el-Medina registram produção de cerveja entre atividades que podiam afastar trabalhadores do serviço.
Detalhe curioso

Há cerca de 3.200 anos, trabalhadores de Deir el-Medina já tinham faltas registradas por escrito. O ostracon EA5634 reúne 280 dias de controle, nomes, datas e motivos anotados em vermelho, incluindo doença, tarefas particulares e até produção de cerveja, num retrato raro da rotina de trabalho no Egito Antigo.

O que era esse registro de faltas do Egito Antigo?

O objeto veio de Deir el-Medina, aldeia de artesãos ligados às tumbas reais. O ostracon EA5634 é um fragmento de calcário escrito em hierático e usado como registro administrativo durante a 19ª Dinastia.

A peça traz quarenta nomes em colunas, datas em tinta preta e razões de ausência em vermelho. Esse arranjo permitia acompanhar quem trabalhava e por que alguém não aparecia, criando um retrato muito concreto da organização diária de uma equipe especializada.

Motivos cotidianos aparecem registrados ao lado de tarefas que ajudam a aproximar aquela rotina da nossa

Como sabemos que o documento cobria 280 dias?

A ficha do British Museum descreve o objeto como um registro de trabalhadores por 280 dias. O museu acrescenta que somente cerca de 70 desses dias parecem ter sido dias completos de trabalho, informação que mostra uma rotina muito diferente de uma semana moderna.

O documento não registra um episódio isolado. Ele acompanha meses de atividade, permitindo observar repetição de doenças, serviços particulares e outras ausências. Por isso, sua importância está tanto na idade quanto na continuidade das anotações ao longo de um período extenso.

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Quais motivos aparecem nas faltas dos trabalhadores?

O estudo de Jac J. Janssen examina as ausências dos trabalhadores da necrópole tebana. No EA5634, doença aparece mais de cem vezes, incluindo problemas nos olhos e até uma picada de escorpião.

Também surgem cuidados com pessoas doentes, serviços para superiores e tarefas pessoais. Registros de Deir el-Medina incluem ainda produção de cerveja, lembrando que preparar alimentos e bebidas fazia parte das obrigações domésticas que podiam competir com o trabalho oficial.

A seguir listamos quatro tipos de justificativa que mostram como saúde, casa e serviço apareciam misturados nesses registros antigos:

  • Doença: enfermidades formam o grupo de ausências mais frequente no documento.
  • Cuidados: alguns trabalhadores faltavam para acompanhar outra pessoa doente.
  • Serviços: tarefas particulares para superiores também podiam afastar alguém do trabalho.
  • Cerveja: produzir a bebida aparece entre atividades documentadas na rotina de Deir el-Medina.

Leia também: Nova análise revela que um bumerangue de 72 centímetros feito de marfim de mamute pode ter até 42 mil anos

A produção de cerveja surge entre razões que hoje parecem curiosas em um controle de presença

Isso funcionava como um ponto de funcionários moderno?

A comparação ajuda a visualizar o objeto, mas não era um cartão de ponto moderno. O controle fazia parte da administração de artesãos ligados às obras funerárias reais e obedecia a calendários, hierarquias e práticas próprias do Egito do Novo Império.

Ainda assim, a semelhança cotidiana chama atenção. Há nome, data e justificativa, elementos reconhecíveis em controles de trabalho atuais. A diferença principal está no suporte: em vez de aplicativo ou formulário, as informações foram preservadas num pedaço de calcário escrito à mão.

A seguir listamos quatro elementos do registro que aproximam esse documento antigo de controles administrativos reconhecíveis hoje:

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DADOS EM FOCO
Como o registro era organizado
Elementos do ostracon EA5634 e sua função administrativa.
Elemento Como aparecia Função
Trabalhador Lista de nomes Identificar a pessoa
Data Tinta preta Marcar o dia
Motivo Tinta vermelha Explicar a ausência
Período 280 dias Acompanhar a rotina

Por que esse ostracon revela tanto sobre a vida cotidiana?

Grandes monumentos mostram poder e religião, enquanto o EA5634 preserva problemas comuns de trabalhadores. Doenças, cuidados, tarefas particulares e produção doméstica aparecem lado a lado, permitindo reconstruir uma rotina que dificilmente caberia em inscrições oficiais feitas para celebrar reis.

O detalhe mais forte é sua familiaridade. O registro de 280 dias mostra que administrar pessoas também significava anotar por que alguém não apareceu. Entre doenças, picadas e produção de cerveja, o Egito Antigo surge menos distante e muito mais humano.

Sua história pode virar reportagem

Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.

Tags: arqueologiaEgitoRamsés IItrabalho

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