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Flautas de 12 mil anos revelam som que pode ter imitado aves de rapina

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
13/09/2026
Em Entretenimento
Reproduzir o som das peças permitiu investigar uma característica impossível de perceber apenas olhando os objetos

Reproduzir o som das peças permitiu investigar uma característica impossível de perceber apenas olhando os objetos

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Sete aerofones de osso, com mais de 12 mil anos, foram encontrados no sítio natufiano de Eynan-Mallaha, no Levante.↓ Ver no artigo
Os instrumentos foram feitos com ossos de asas de aves aquáticas e tinham pequenas perfurações; um exemplar estava inteiro.↓ Ver no artigo
Réplicas produziram sons agudos semelhantes aos chamados do gavião-da-europa e do peneireiro-vulgar.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
Sete aerofones de osso
Os pesquisadores identificaram sete pequenos instrumentos perfurados feitos com ossos de asas de aves aquáticas no sítio de Eynan-Mallaha.
Descoberta
02
Som lembra rapinantes
Réplicas experimentais produziram sons semelhantes aos chamados do gavião-da-europa e do peneireiro-vulgar.
Acústica
03
Função segue aberta
Os sons podem ter servido para atrair aves, comunicar-se ou produzir música, e os pesquisadores evitam reduzir o objeto a uma função única.
Interpretação

Sete flautas de 12 mil anos feitas com ossos de aves revelaram uma paisagem sonora da pré-história. Encontradas em Eynan-Mallaha, elas produziram em testes sons semelhantes aos chamados de aves de rapina. Os pesquisadores consideram usos ligados à caça, comunicação ou música, sem apontar uma função única como certeza.

O que são as flautas de 12 mil anos encontradas em Eynan-Mallaha?

Os objetos pertencem à cultura natufiana e foram encontrados no sítio de Eynan-Mallaha, no Levante. São sete pequenos aerofones de osso, nome dado a instrumentos em que o som nasce do ar colocado em movimento.

Eles foram produzidos com ossos de asas de aves aquáticas e receberam pequenas perfurações. Um dos exemplares chegou inteiro aos pesquisadores. A datação do contexto coloca esses instrumentos há mais de 12 mil anos, num período de comunidades de caçadores-coletores que já construíam assentamentos na região.

A semelhança com chamados de aves abriu diferentes hipóteses sobre a maneira como os instrumentos eram utilizados

Como os pesquisadores descobriram que eles produziam sons de aves?

A equipe analisou fabricação, marcas de uso e acústica, além de criar réplicas experimentais. Quando soprados, os modelos produziram sons agudos semelhantes a chamados de rapinantes. A comparação foi feita com espécies conhecidas na região e com aves identificadas no conjunto arqueológico.

Os sons se aproximaram especialmente do gavião-da-europa e do peneireiro-vulgar. Isso não prova que cada instrumento tivesse uma única finalidade, mas mostra que as perfurações e dimensões permitiam produzir um resultado acústico muito específico e aparentemente planejado.

Para que essas flautas pré-históricas podem ter servido?

A equipe ligada ao CNRS aponta possibilidades que cruzam comunicação, atração de presas e música. O som de rapinantes poderia ter provocado reações em outras aves, criando oportunidades durante a caça, mas essa continua sendo uma interpretação entre várias.

Os pesquisadores também lembram que rapinantes tinham importância para aquelas comunidades, inclusive pelo uso de garras como ornamentos. Assim, som, caça e significado social podem ter se misturado. O achado é valioso justamente porque não obriga a escolher uma função simples para todos os instrumentos.

A seguir listamos quatro usos possíveis que os pesquisadores discutem sem tratar nenhuma hipótese isolada como certeza absoluta:

  • Caça: o chamado poderia atrair rapinantes ou alterar o comportamento de outras aves.
  • Comunicação: sons padronizados poderiam transmitir sinais entre pessoas em determinadas situações.
  • Música: os instrumentos também podem ter participado de práticas sonoras sem função apenas utilitária.
  • Simbolismo: a relação com rapinantes pode ter envolvido significados sociais além da alimentação.

Leia também: Arqueólogos encontram 8 calçados enormes em forte romano de cerca de 2 mil anos, e a maior sola mede 32,6 centímetros

Objetos sonoros ajudam a reconstruir uma dimensão do passado que normalmente não sobrevive em escavações

Por que esses instrumentos são tão importantes para a arqueologia?

Instrumentos sonoros pré-históricos são raros no registro arqueológico, principalmente fora da Europa. Ossos pequenos podem quebrar, ser confundidos com restos de fauna ou perder marcas importantes. Identificar sete peças num mesmo sítio amplia o conhecimento sobre produção de som no Levante antigo.

O achado também permite fazer algo incomum: reconstruir parte de uma paisagem sonora. Réplicas baseadas nas peças originais mostram que a arqueologia pode investigar não apenas objetos visíveis, mas experiências auditivas que fizeram parte da vida de pessoas que viveram milhares de anos atrás.

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A seguir listamos quatro evidências do estudo que ajudam a entender por que a descoberta oferece uma janela rara para o som pré-histórico:

Logo EM Foco
DADOS EM FOCO
O que sustenta a descoberta
Tipos de evidência empregados pelos pesquisadores e o que cada um ajudou a revelar.
Evidência O que foi analisado O que mostrou
Tecnologia Perfurações e fabricação Produção intencional
Uso Marcas nas peças Manipulação dos objetos
Réplicas Modelos experimentais Capacidade sonora
Acústica Comparação dos sons Semelhança com rapinantes

O que ainda não sabemos sobre o som dessas flautas?

Ainda não é possível afirmar qual era a função principal dos instrumentos nem em quais situações eram tocados. O som reconstruído mostra capacidade acústica, mas não preserva intenção. Caça, comunicação, música e simbolismo continuam como possibilidades que precisam ser avaliadas junto ao contexto arqueológico.

Mesmo com essa incerteza, as flautas de 12 mil anos oferecem algo raro: a chance de ouvir uma aproximação de sons produzidos por caçadores-coletores do Levante. O achado amplia a pré-história para além de pedra e osso, incluindo também aquilo que essas pessoas podiam escutar.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: arqueologiamúsicaNatufianopré-história

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